Ela amou-o

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Helena amou-o por tudo o que quis ver nele. Amou-o à sua maneira, numa paixão que crescia ao sabor das promessas que Bruno deixava no ar. Ela ouvia declarações de amor onde só o vento soprava e acreditava que os silêncios dele eram gritos de amor.

Aquele era um amor quase (im)perfeito com ela tinha sonhado e que a vida lhe emprestava para que ela por breves momentos pudesse saborear uma paixão que lhe calava a razão.

Ela amou-o como sabia. Amou-o como sentia que se deve amar alguém. Amou-o como podia e como desejava ser amada.

O amor que dava a Bruno era o eco de tudo o que o seu coração gritava. Aquele amor era a voz do seu corpo, que em silêncio lhe implorava por emoção. Por isso é que ela ouvia em cada palavra que ele lhe sussurrava ao ouvido um grito de amor que nada mais era do que o desejo que o fazia perfeito aos olhos de quem o amava e não via a transparência da realidade.

Bruno não a amava. Bruno desejava-a. Ele queria saciar o seu desejo naquele corpo que o tinha seduzido. Queria nadar naquele mar de emoções e ensinar-lhe o que é ousadia e atrevimento.

Ele queria despertar-lhe tentação e fazer dela uma mulher sem pudor que o amasse, noite após noite até que ele se cansasse daquela paixão.

Ele vivia para se divertir e aproveitava a vida sem pensar em nada, nem em ninguém. Nada lhe prometeu, foi ela que leu sentimentos nas frases que ele sempre usava para levar as suas conquistas à perdição.

Foi assim que o amor lhe deu asas, levando-a por caminhos que ela não conhecia. Perdeu-se numa história que jamais esquecerá e ele ficou até ao dia em que ela lhe perdeu o rasto. Até ao dia que procurou por ele e encontrou a sua cama vazia. No dia em que o procurou pela casa e sentiu que já só existia o sonho de um amor que tinha o nome e o perfume dele.

Ainda hoje não sabe para onde ele foi, nem sequer sabe ao certo em que dia ele partiu. A única coisa que sabe é que aquela paixão lhe fez uma ferida, mas o amor ensinou-lhe o que era sentir-se amada.

Continua a alimentar a ilusão de que um dia ele pode regressar, para continuar a amá-la. Se esse dia chegar ela vai mostrar-lhe o que é ser ousada e atrevida e vai agradecer-lhe por tudo o que ele foi, sem saber que era.

Pode parecer controverso mas Helena sofreu por amor e ao mesmo tempo aprendeu o que era amar, enquanto Bruno um mestre na arte de seduzir terá muito que aprender sobre a simplicidade de amar. Talvez por isso ela alimente a ilusão de que ele vai voltar para lhe poder ensinar que o amor são os pequenos gestos que tornam a felicidade possível.

@angela caboz

Quantas curvas tem a estrada da vida?

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Quantas curvas tem a estrada da vida?
Que caminhos estão trilhados para nos levarem até ao futuro com que tantas vezes sonhámos.
Olhamos tantas vezes para o passado, procurando pontos de referência. Rebuscamos nos momentos vividos os pontos cardeais do destino. Só que ali apenas encontramos reticências. O passado é uma linha curva que tivemos que contornar para não desistirmos de chegar ao lugar onde hoje estamos. E agora que aqui estamos procuramos nesse tempo razões para as decisões que tomamos e tentamos analisar as consequências das nossas escolhas.
Mas, será que existe (im)perfeição em tudo o que vivemos?


@angela caboz

Felicidade

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A felicidade não se compra no mercado, nem sequer é uma flor que se colha num qualquer jardim

.A felicidade não tem cor, nem forma. É mais do que um sonho e não lamenta as tristezas que encontra pelo caminho.

Quem é feliz sabe tudo o que teve que vencer até ao momento em que no seu sorriso apareceu o brilho da felicidade e e não precisa de dizer a ninguém que está feliz, isso sente-se na sua alma.

A felicidade não se vê, ela sente-se na magia de quem passa por nós deixando no ar o cheiro da felicidade.

As pessoas felizes fazem os outros felizes. Olham para nós e a sorrir dizem-nos para seguirmos em frente sem que tenhamos receio da tempestade das tristezas que nos perseguem. Essa chuva passageira, a tristeza tem perna curta e em pouco tempo vai ficar para trás. Ela não tem fôlego para nos acompanhar. Basta-nos portanto ter força para não desistir de lutar pelo que nos pertence.

Felicidade é ter tempo para abraçar a vida, sem desperdiçar as horas com coisas passadas e que já nada nos irão acrescentar. É reconhecer que as quedas nos fizeram crescer e será a esperança que nos fará avançar.

Felicidade é entender que o vento das mágoas não nos desviou do nosso caminho e que do passado apenas trouxemos os sonhos que temos por realizar.

Pessoas felizes são assim, concentradas em si mesmas e em tudo o que as pode fazer felizes. Não se preocupam com a vida alheia, nem sequer se emaranham em novelos que não servirão para tricotar as camisolas que vestimos. Não gostam do frio da intriga e espalham o calor do amor pelo universo que abraçam.

Afinal, existirá maior felicidade do que dividir a nossa alegria com a multidão que está à nossa volta. Felicidade também é tirar umas migalhas do que temos e dividir com quem precisa. Não precisamos de excedentes no nosso coração, quando passamos pelas ruas e vemos pessoas carentes.

Felizes são aqueles que de pouco precisam para abraçar a felicidade.

Felizes são os que sopram amor para o universo, porque quem vai deixando a luz por onde passa jamais viverá em escuridão.

Quem é feliz transporta amor no seu coração. Essa é a verdadeira razão de viver das pessoas felizes.

Felicidade não se procura, vive-se para ser feliz.

@angela caboz

De quem é a culpa?

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Teresa olha para o calendário e faz o balanço da sua vida.

Mais um ano está a chegar ao fim e tudo continua igual, os seus dias cheiram a tédio e a vida sabe-lhe a desilusão e solidão. Dá vida a um casamento mal resolvido, vive encostada a um emprego que não a valoriza, enfim não há luz que brilhe  nos seus dias.

O silêncio paira naquela sala, enquanto ela em silêncio faz um “flash back” à sua existência. Recostada no seu sofá cinzento, de braços cruzados culpa a vida por tudo o que lhe foi acontecendo.

Mais um ano que está a chegar ao fim e não sei o que fazer desta minha vida. Há quanto tempo não dou uma gargalhada daquelas que me saiam de dentro. Há quanto tempo não sinto a felicidade a fazer-me cócegas na pele.

Teresa fazia aquela pergunta a si mesma, como se não soubesse a resposta, ou talvez estivesse a questionar a vida na esperança de que ela de pudesse fazer um milagre. Mas, o silêncio continuava por ali, naquela tarde que chegava ao fim enquanto enquanto o escuro entrava na sala fazendo com que o turbilhão dos seus pensamentos ficasse cada vez mais  embrenhado naquela pergunta para a qual não encontrava resposta.

Afinal de quem é a culpa!?

Lembrou-se do dia em que conheceu o marido. Recordou as inúmeras juras de amor que trocaram durante meses a fio até ao dia em que ele a pediu em casamento. A memória longínqua do dia do casamento tinha o som do seu sorriso e cheiro da felicidade que espalhou por todos naquela tarde em que a única coisa de que se lembra é de que só lhe apetecia sorrir. Uma felicidade que sonhou que seria eterna. Quando passados três anos nasce o seu filho ainda conseguiu encontrar espaço para mais felicidade e vida parecia-lhe perfeita, como se tivesse sido feita à medida de um sonho.

Então, por que razão essa felicidade tinha desaparecido como que por milagre!

Olhou para trás e não entendeu a razão por que tinha deixado de amar o marido e também não encontrou qualquer explicação para as ausências constantes dele, que faziam com que vivessem como se fossem dois desconhecidos obrigados a partilhar a mesma casa. Se tudo era perfeito em que ponto das suas vidas essa perfeição deu lugar à solidão que a acompanhava há alguns anos. Sentia-se sozinha numa casa onde existiam mais duas pessoas. O marido vivia para o emprego, que lhe ocupa mais horas do que aquelas que o dia tem. O filho, que entretanto cresceu, andava ocupado com os estudos e com os amigos e esquecendo-se da mãe que sempre lhe dedicou todo o tempo, até mesmo aquele tempo que por vezes lhe faltava.

Teresa viveu, uma vida inteira, para eles e hoje eles não tinham tempo para ela.

Que tristes se tornaram os meus dias! pensa ela a chorar, culpando, uma vez mais, a vida por toda a dor que sentia no seu peito.

– ” E de quem é a culpa?” Escutou de uma voz que lhe vinha de dentro de si, das profundezas da sua alma. Ficou ali em suspense, quase sem respirar à espera de uma resposta. Aquela que seria a resposta mais importante da sua vida, a resposta que ela não tinha coragem para dar.

– ” De quem foi a culpa?”

O som da pergunta entrava-lhe pelos ouvidos e espalhava-se de imediato pela alma e pelo coração. Talvez fosse a sua própria voz a dizer-lhe num tom meigo que ela tinha deixado de viver para se tornar numa escrava deles. Quis dar-lhes tudo e com tudo isso gastou o tempo da sua vida. Não teve tempo para amar o marido porque vivia ocupada em fazer tudo, com a desculpa que ele estava cansado e de que esses eram trabalhos de mulher. Tornou-se na escrava da família.

Teresa descruzou os braços e saltou do sofá. Olhou para si, como se não se reconhecesse, continuava a procurar por quem proferia aquelas palavras que faziam eco na sua mente. Parecia-lhe a sua voz a dizer-lhe que o que estava a viver era o resultado das escolhas que tinha feito.

–  Será que alguma vez foste realmente feliz, ou apenas sonhaste que poderias ser feliz?

Olhou para os quatro cantos da sala para (re)confirmar que estava sozinha e sem quer assumir que aquelas palavras descreviam a sua vida.

Na escuridão da sala percebeu que estava realmente sozinha e teve que se render à evidência das escolhas que a levaram até à solidão de que agora tanto reclamava. Teresa tinha sonhado que era amada pelo que fazia e por isso exigiu a si mesma toda aquela escravidão que fez com que o marido tivesse tempo de sobra para se afastar dela. Deixou de ter sonhos seus para satisfazer os sonhos dos outros, até ao dia que entendeu que não fazia parte desses sonhos, que eles viviam longe dos seus olhos.

E agora, a dois dias do final de mais um ano, continuava ali sozinha, uma esposa abandonada e uma mãe atirada ao esquecimento.

Chamou por aquele voz interior que lhe gritava toda essa verdade que ela sempre tinha negado e pediu-lhe ajuda

Será que ainda tenho tempo de inverter este caminho sinuoso que própria escolhi? Será que me podes ajudar a desenhar uma nova rota para a viagem que tenho que fazer durante o próximo ano?

Teresa não queria encontrar os culpados, apenas queria ter de volta o seu sorriso com sabor a felicidade. Queria voltar a sentir a alegria de viver sem ter que culpar a vida pela dor que lhe ardia no peito.

Está tudo em ti! O que precisas para voltar a sorrir está dentro de ti. Ajuda-te e não procures ajuda nos outros. Vive a tua vida e não querias viver a vida dos outros.

Teresa sorriu para si mesma! Percebeu que não existem culpados para os nossos sofrimentos e tão-somente escolhas erradas que vamos fazendo ao longo da vida ser que tenhamos tempo e coragem para nos questionarmos se estamos ou não a escolher o caminho certo!

Teresa tinha que voltar a viver para ter de voltar o sorriso que um dia conquistou quem com o tempo se afastou!

@angela caboz

És feliz?

És feliz?

Foi essa a pergunta que Carlos fez a Cristiana, depois de terem feito amor como se mundo fosse acabar dentro de alguns segundos e eles estivessem a aproveitar para viverem tudo a que tinham direito.

Cristiana era uma mulher bem vivida e habituada a partilhar a sua cama com homens que procuravam uma aventura que lhes fizesse correr nas veias a adrenalina de se sentirem vivos. Não temia ser condenada pela sociedade cheia de regras, mas tão vazia de princípios. Vivia à sua maneira e não perdia tempo a dar explicações a quem pouco, ou nada, conhecia de sentimentos, mas que se julgava mestrado nas leis do bom comportamento e que, por isso mesmo, pensava que poderia condenar quem não se comportava da maneira que, quase todos, diziam ser a mais correcta. Não perdia tempo com quem fazia leis que não entendia e muitas vezes nem sequer seguia. Tinha aversão aos falsos pudicos e por isso vivia todos os momentos que a vida lhe oferecia sem pensar no amanhã.

Sem qualquer tipo de pudor, olhou para Carlos com aquele olhar sedutor e ao mesmo tempo provocador, que só uma mulher desinibida saber usar para desarmar um homem, e respondeu-lhe:

– Talvez não seja feliz, pela simples razão de que troco a felicidade pela ousadia de viver momentos como estes. Não me negou a viver todas as emoções que a vida me concede.

Carlos puxou o lençol para cobrir o seu corpo, desnudado e ainda a estremecer com o ritmo de todas as emoções que tinha acabado de partilhar com aquela mulher, que nem sequer conhecia. O seu corpo ainda ardia com o calor da paixão que lhe corria nas veias. Parecia-lhe que as mãos dela ainda continuavam a deslizar pela sua pele à procura de recantos para lhe provocar prazer, recantos que ele nem ousar sequer sonhar que lhe poderiam provocar todo o desejo que ela lhe despertou em breves segundos.

– És sempre assim, uma mulher sem medo dos olhares do mundo e sem qualquer tipo de expectativas sobre o que o amanhã te pode trazer?

– Esta que vês aqui ao teu lado, totalmente despida é a mulher que se entrega à vida para viver tudo o que sente no momento.  O que está para vir é uma ilusão e o que já passou é uma recordação, mais uma recordação boa que vou guardar no baú das memórias desta minha vida.

Tinham-se cruzado na festa de aniversário duma colega dele. Uma daquelas festas de gente pseudo-rica, que adoram dar grandes festas, para que o mundo saiba que elas estão de bem com a vida e que têm motivos para festejar. No fundo vivem mais de aparências que, por vezes, encobrem duras realidades.

Cristiana fora convidada porque conhecia muita gente e porque adora festejar a vida e tudo o que ela tem de bom, sem se preocupar com quem está ou deixa de estar naquelas festas. Quando Carlos a viu estava ela num canto de conversa com algumas pessoas, mas com cara de quem já estava farta com a conversa. De repente, olhou para ele e atravessou a sala de lado ao outro, passou pelo balcão das bebidas, pegou em dois copos de champanhe dirigindo até onde ele estava, sozinho e perdido a olhar para o nada. Esticou-lhe um dos copos e convidou-o para irem até ao jardim, alegando que ali estava muito calor. Com toda a sua sabedoria na arte da conquista levou-o para um recanto isolado onde conversaram durante breves minutos.

Como se já tivesse tudo programado antes, quando Carlos deu por ele já estava no carro a caminho da casa dela. Entraram e ela mal teve tempo de fechar a porta da entrada com o pé tal era o desejo que tinha de levar Carlos às nuvens.  Fizeram amor de uma forma que ele nunca tinha feito e talvez pela primeira vez na sua vida sentiu que a música da paixão dançava a sua volta e seu corpo rodopiava ao ritmo do desejo que não parava de aumentar com tudo o que ela lhe oferecia.

Quando pararam estava tonto com tanta emoção que lhe saia por todos os poros do seu corpo, mas ao mesmo tempo estava curioso sobre se era aquela a forma que ela tinha de se sentir feliz e, por isso, não hesitou em perguntar-lhe se era uma mulher feliz.

A sua resposta foi como que um balde de água fria que fez com ele repensasse toda a sua vida. Afinal sempre tinha vivido oprimido pelas leis da sociedade e não ousava quebrar uma regra que fosse da educação que tinha recebido para que a sociedade não o condenasse. Não pisa as linhas que o mundo definia como metas para o consideram uma pessoa decente e como tal nunca ousara viver e pensar em si e nos seus sonhos e desejos. Desconhecia o sabor de uma aventura e este desafio que Cristiana lhe lançara, sem esperar pela sua resposta, foi um teste à sua capacidade de desobedecer ao que era politicamente correcto.

Sem que querer pensar, no que todos pensariam se soubessem o que tinha acontecido ali, decidiu que não queria continuar naquela vida sem sabor. Sem mais demoras, atirou o lençol de novo para o chão e puxou-a para junto de si. Era a sua vez de a seduzir e ela respondeu-lhe de imediato deixando que fosse ele agora a comandar mais uma viagem pelas ruas do desejo e da paixão.

No final da noite, quando conseguiram voltar a respirar, foi ela que lhe perguntou:

– Sentes-te feliz?

Carlos respondeu-lhe entre dois sorrisos coloridos

– Estou a aprender a viver, e se felicidade é vibrar desta forma, digo-te ser feliz é apenas uma forma de encarar a vida.

Adormeceram despidos de passados e sem medo do amanhã que começava a despertar lá fora. Afinal, a felicidade nada mais é do que sentir tudo o que vivemos sem temer que alguém nos impeça de sorrir pelo que estamos a sentir.

@angela caboz

Destinos invertidos

Ana era sonhadora!

Procurava-se no avesso do sofrimento, para se poder despir de todos os seus lamentos.

Era uma mulher que distribuía amor aos outros. Procurava a emoção de sentir na sua pele um arrepio quente provocado pela tentação de uma paixão correspondida.

António estava habituado a espalhar a tentação por onde passava. Costurava promessas de amor com as palavras a que dava cor para atrair as mulheres por quem o seu corpo gritava.

Não conhecia o significado da palavra amor, mas tão somente a inquietação que o desejo lhe provocava, a ponto de não resistir a lançar-se na conquista de quem o seu olhar escolhia.

Ana andou pelas ruas da vida procurando por um sonho colorido e acabou nos braços desse bandido que lhe cantou uma melodia que ela nunca tinha escutado.

Foram uma história inacabada, para a qual a vida não escreveu um final!

Eram almas opostas. Eram corações que nãos se escutaram. Dois corpos que se vestiram com o desejo dele e que não se encontraram nos sonhos dela.

Foram uma ilusão que em pouco tempo ficou (des)colorida. O vento quente dele empurrou para longe toda a fantasia que ela tentou costurar para os (des)tapar quando o seu olhar se perdeu nas curvas dela.

Depois do calor do momento aqueles corpos imperfeitos ouviram as suas almas sábias e perceberam que a paixão tinha gerado um amor intemporal, que a tempestade do destino se encarregou desfazer.

Partiram de uma tentação, que poderia ser uma história nascida num tempo (in)certo que tropeçou num sentimento que não existia. Uma tentação que ele estava habituado a alimentar, mas a que ela não quis dar asas, preferindo continuar a sonhar sozinha.

Aqueles dois nasceram antes do tempo e viveram histórias que foram interrompidas por acasos que não estavam escritos naquele livro que ela escrevia e que ele não foi capaz de ler, por estar escrito num idioma que ele não entendia. Eram capítulos de história diferentes e destinos por (re)definir.

@angela caboz

A dor vai passar

Maria, vai ficar bem!
Ela sabe que o sofrimento não a vence e que a tristeza jamais a convence.
As lágrimas que lhe vejo neste momento são o pó da mágoa por recordar uma despedida. São a água que irá lavar cada um dos lamentos que ali se querem instalar.
É sempre desta forma que a vida nos mostra o quanto somos fortes.
É nesses momentos dolorosos, em que pensamos em baixar os braços, para nos entregarmos ao desgosto, que entendemos que há uma luz azul [ só porque quero ser diferente] que desenha ondas de esperança nos nossos sorrisos.
Nessas horas aparecem aqueles braços invisíveis, filhos de um destino em que sem sabermos como acreditamos, e do nada somos empurrados para a frente. Somos obrigados a continuar a viver esta vida que ainda têm tanto para nos surpreender.
Maria vai ficar bem, por mais que a razão lhe diga o contrário.
Ela olha para trás, para o passado que dividiu com esse de quem só lembra o nome. Procura por uma última (in)certeza que possa ter lá ficado esquecida. E de repente ouve uma voz interior que lhe grita dizendo que a sua força é maior do que a dor que um falso amor lhe ofereceu na despedida.
Ela vai ficar bem porque nada lhe compensa continuar ali a chorar, deixando que eu lhe veja o sofrimento a soltar-se dos seus olhos, quando a vida se reinventa à sua volta.
Não lhe compete a ela antecipar tudo o que está para chegar acreditando que foi feita para sofrer. Resta-lhe a gratidão de viver e aproveitar tudo o que lhe pertence, esquecendo quem quis ficar nesse passado em que foi feliz.
E agora, é o perfume dessa felicidade que vai fazer com que as memórias que estão a nascer seja algo que não quer esquecer.
Tudo vai ficar bem com Maria, porque a dor que a feriu ficou no passado em que um adeus colocou o ponto final num amor que ela queria arrastar até ao futuro.
Chorar nunca será a solução para calar aquele sofrimento que irá morrer com o tempo.
Maria voltará a sorrir e entenderá que a vida nunca lhe fecha a porta, porque sempre deixa uma janela entreaberta para que o amor possa voltar trazendo-lhe motivos para sorrir.

@angela caboz

Sorri-te mulher

Sorri-te mulher
Pelas muitas memórias que carregas em ti!
Por todas as cicatrizes que não precisas de curar.
Pelos imensos sorrisos com que arrasas as tristezas
e pelas melodias que vais cantando
enquanto o sofrimento te ronda…

Sorri-te
Pelos que decidiram ficar pelo caminho
Uns por força do destino, outros por vontade própria
Pelos que riscaste da tua história
e pelos que te quiseram apagar da memória.

Sorri e não esperes
que eles voltem desse passado
que tantas vezes já quiseste apagar.
Olha-te
e apaixona-te por ti…

Tens em ti tudo o que precisas para sorrir
até para quem deixou de gostar de ti,
dizendo-te com desprezo
que os anos te pesam
ou que, as tuas curvas já não seduzem.
Ainda tens toda essa beleza na alma,
A beleza que poucos vêem e só alguns sentem
e por isso mesmo sorri
até mesmo quando te apetece chorar.
Olha para o teu lado
e lá estará quem nunca deixa de te amar.

@angela caboz

Ando por aí

Eu ando por aí!

Viajo pelo mundo que não me quer entender.

A vida vai, entretanto, passando, nem sempre com a rapidez que eu desejava. Contrariamente há outras alturas em que é tão rápida que eu nem sequer dou pelas horas a passarem. O certo é que continuo a ter a certeza de que pelo meio vou deixando muito por viver.

Há tantas coisas que me vão passando ao lado, detalhes em que só reparo quando já não posso voltar atrás.

Não sou de pensar muito, no entanto quando me sento no degrau da memória e olho um pouco para trás, vejo tantos momentos que não soube aproveitar. Vejo escolhas que poderiam ter sido ligeiramente diferentes, e essas pequenas diferenças poderiam ter alterado tudo.

Serão só saudosismos de quem tropeçou muitas vezes nos seus próprios pensamentos e que assim acabou por cair aos pés das suas decisões.

Diz, quem sabe mais do que eu sobre a vida, que tinha que ser assim. Sem quedas não se aprende, e só à medida que vamos aprendendo é que vamos subindo os degraus da espiral da vida. Sem quedas não há evolução e quem não evolui não aprende a viver.

Ando por aí!

Provavelmente não tenho tudo o que sonhei, ou talvez tenha sonhado mais do que devia.

Não será ainda tempo para fazer esse balanço. Já tenho muita história vivida, mas ainda me falta muito por viver. Não contesto o que vivi. Não reclamo do passado que me fez sofrer. O que passou já o tempo levou, mas posso sempre continuar a sonhar.

E é verdade que é de sonhos que eu sou feita e enquanto tiver um sonho para sonhar sempre haverá em mim espaço para pedir à vida mais um dia nesta caminhada.

Os sonhos vão-se multiplicando, mas tu tens entrada em todos eles. Tens livre passe para viajares nas ruas do meu mundo, sem que eu tenha de me questionar sobre o que fazes ou vais fazer. Tu andarás por aí por esse universo onde eu também viajo e se a vida assim o permitir um dia haveremos de nos encontrar.

Ando por aí, sem espaço para mais passado. Esse que vou deixando na gaveta da memória, num formato de lembrança, para que sempre exista espaço para mais uma aventura na minha vida.

@angela caboz

Opostos

Ela era sonhadora!

Procurava-se no avesso do sofrimento, para se poder despir de todos os seus lamentos.

Era uma mulher que distribuía amor aos outros. Procurava a emoção de sentir na sua pele um arrepio quente provocado pela tentação de uma paixão correspondida.

Ele estava habituado a espalhar a tentação por onde passava. Costurava promessas de amor com as palavras a que dava cor para atrair as mulheres por quem o seu corpo gritava.

Não conhecia o significado da palavra amor, mas tão somente a inquietação que o desejo lhe provocava, a ponto de não resistir a lançar-se na conquista de quem o seu olhar escolhia.

Ela andou pelas ruas da vida procurando por um sonho colorido e acabou nos braços desse bandido que lhe cantou uma melodia que ela nunca tinha escutado.

Foram uma história inacabada, para a qual a vida não escreveu um final!

Eram almas opostas. Eram corações que nãos se escutaram. Dois corpos que se vestiram com o desejo dele e que não se encontraram nos sonhos dela. Foram uma ilusão que em pouco tempo ficou (des)colorida.

O vento quente dele empurrou para longe toda a fantasia que ela tentou costurar para os (des)tapar quando o seu olhar se perdeu nas curvas dela.

Depois do calor do momento aqueles corpos imperfeitos ouviram as suas almas sábias e perceberam que a paixão tinha gerado um amor intemporal, que a tempestade do destino se encarregou desfazer.

Partiram de uma tentação, que poderia ser uma história nascida num tempo em (in)certo que tropeçou num sentimento que não existia. Uma tentação que ele estava habituado a alimentar, mas a que ela não quis dar asas, preferindo continuar a sonhar sozinha.

Aqueles dois nasceram antes do tempo e viveram histórias que foram interrompidas por acasos que não estavam escritos naquele livro que ela escrevia e que ele não foi capaz de ler, por estar escrito num idioma que ele não entendia.

Eram capítulos de história diferentes e destinos por (re)definir.

@angela caboz