Lembras-te?

Lembras-te?

Havia um olhar teu que me convidava. Um sorriso meu que nos acompanhava. Pequenos silêncios que nos completavam. Grandes desejos que nos consumiam. Frases preenchidas com sentimentos. Palavras inexistentes que eram substituídas por olhares que falavam.

Hoje, há toda esta memória que nos divide. Recordações a que todos os dias juntamos perguntas para as quais não encontramos respostas. O que nos separou? Onde foi que nos perdemos? Hoje, temos um passado que se perdeu no tempo.

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@ angela caboz
(in “confissões de uma miúda gira” – com prefácio de Laura Almeida Azevedo – autora do livro ” Apetece(s)-me” )

Para aproveitares a compra de um exemplar autografado e uma dedicatória especial ( um pequeno poema ou texto escrito para ti, ou para alguém especial a quem queiras oferecer o livro) envia-me uma mensagem.

Vida….

Já vivi tanto. Vi tantos calendários a virarem as suas páginas. Um número infinito de dias a que perdi a conta. Um número de horas que não consigo contabilizar. Uma vida de tantas aventuras e desventuras. Tantos caminhos percorridos onde, por vezes, me senti perdida. Mares onde naveguei sem saber se ia voltar a pisar terra firme. Sonhos por onde viajei sem que tenha tido a oportunidade de tocar a realidade. Senti medo em algumas ocasiões, pânico noutras. Também houve momentos de alegria e felicidade em que a vida me fotografou sorrisos que estão guardados no meu álbum de recordações.

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@ angela caboz
(in “confissões de uma miúda gira” – com prefácio de Laura Almeida Azevedo – autora do livro ” Apetece(s)-me” )

Para aproveitares a compra de um exemplar autografado e uma dedicatória especial ( um pequeno poema ou texto escrito para ti, ou para alguém especial a quem queiras oferecer o livro) envia-me uma mensagem.

Passado….

O passado é hoje uma roupa que já não me serve. Não é mais do que um vestido demasiado justo para minha alma, que com o tempo foi engordando com a quantidade de emoções que foi guardando. É um manto, que me destapou alguns sentimentos. Que me desnudou tantas dores e que foi deixando marcas no meu coração. O passado é essa fotografia que foi amarelecendo com o tempo, onde já não cabe o sentimento de quem sonhou com tudo e não teve nada. A história do livro quem pensou ter lido, e onde estava escrito que tinha abraçado a felicidade. Agora vê-se sozinha e abandonada.

O passado é o tempo que me fechou as portas dos quartos que existiam na minha casa. Aqueles em que ficaram fechadas as recordações que não se apagam, mas que também não podemos corrigir. Tudo o que não voltamos a viver e também não podemos limpar. O erros não se apagam, apenas lhe fechamos a porta para que eles não entrem no avião que tomamos para viajar para o futuro.

@Angela Caboz

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A vida são momentos

Sabes, afinal a vida são todos aqueles momentos em que me desafias para vivermos. Aqueles minutos em que me esqueço dos meus lamentos. Quando a melodia dos teus convites tem um som mais alto do que a minha tristeza.
É quando olho para a foto que me deste e consigo imaginar-te. Quando olho para o vazio da minha imaginação e consigo desenhar cada traço do teu rosto com toda a perfeição. São os desejos, que todos os dias visitam os meus sonhos. Sonhos tão reais, que te vejo sem nunca te ter olhado.
É nos momentos em que escrevo sem destinatário, soltando o mais profundo de mim, que se percebe que o destino já escreveu este livro. Este livro conta a nossa história. Naquelas linhas há espaço para nós dois. Naquelas palavras moram os sentimentos que nos habitam a alma.
As nossas vidas caminham nessa estrada, onde a escuridão do passado foi iluminada pelo clarão dos sentimentos. Essa luz radiosa que nos fez despertar para a vida.
São esses breves segundos, em que passo os olhos pelo que escrevo, sem precisar de ler tudo. Afinal eu já conheço a história, e sei o significado de cada uma daquelas palavras. A surpresa é só a descoberta da vida nas páginas do teu coração. Ler os meus versos, que te fazem cair em tentação. São esses os momentos em que sem dizeres nada me desafias para a perdição.

@angela caboz

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Partir é a melhor escolha

Por vezes, partir é mesmo a melhor escolha. Deixar ir. Deixar que o tempo resolva o que já não tem solução. Tudo aquilo que nós apenas tentamos atrasar, arranjando desculpas para remediar a situação. Sabendo que já nada poderemos mudar. Quantas vezes pedimos «não vás! Por favor, fica», quando o nosso coração grita «vai de uma vez por todas e acaba com este tormento»? Só que essas palavras ficam de tal forma mudas, que a nossa boca não se atreve a pronunciá-las. Seria tão simples como dizer «chega». Uma frase tão curta e tão difícil de dizer nestes casos.

@angela caboz – in “Confissões de uma miúda gira”
Livro já disponivel

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Amar com alma, não é para qualquer um

Amar com alma e coração, ao mesmo tempo, não é para qualquer um. É difícil conquistar o coração, seduzir o corpo e, ao mesmo tempo, tocar a alma de quem amamos.

É tão difícil que a maioria de nós desiste, antes de o ter conseguido. Ama o corpo e não tem força, nem determinação para conquistar a alma. Tudo porque a alma é bem mais seletiva e não se entrega de imediato.

Contigo foi ao contrário. Tu amaste-me a alma. Conquistaste o que ninguém mais conseguiu. Chegaste lá num segundo, sem permissão. O teu problema foi que tu não me conquistaste o coração. Tu disseste-me quem eu era e não me quiseste amar.

Tu não me amaste. Tu tocaste-me a alma, sem nunca me teres visto. Tu despertaste um amor que nunca me tocou. Cantaste-me a música da paixão à distância e eu escutei-te no mais profundo de mim.

Parece estranho, mas tu fugiste do que todos procuram. Tu não procuraste o que aos outros dá prazer. Não fizeste promessas. Não viajaste pelo meu corpo. Não me deste um único beijo. Nem o primeiro, nem o último. Não deixaste o rasto do teu desejo no meu corpo. E, apesar de tudo, são tantas as tuas tatuagens na minha vida, que sem elas tudo deixaria de fazer sentido. Há pedaços de nós em cada uma das páginas do meu livro e sem ti esta história não faria sentido.

Tu desististe de mim, quando percebeste que o passo seguinte era precisamente esse beijo, esse toque, a descoberta do corpo. Tu não quiseste o que outros me imploravam e que eu não lhes dava. A ti eu queria-te dar tudo o que já me tinham pedido. Só que tu fugiste antes.

Em ti, eu encontrei o desejo, que me fez sonhar. O desejo de ti. O desejo de te ter só para mim. E tu, com o teu olhar distante em tons de azul, como se fosses um mar profundo, desviaste a tua rota. Passaste ao lado de tudo o que eu sonhei, apesar de teres feito parte do sonho. Fizeste-me sonhar e depois continuaste a navegar no teu mar, que nos mantém sempre à distância de um sonho.

Deixaste a tua memória e não quiseste acampar na minha vida. Continuaste a tua viagem. Tens as rotas bem definidas para a tua vida e não queres, nem estás disposto a fazer grandes paragens. És um nómada da vida. Não aceitas fazer do amor uma muralha, que te impeça de sentir livremente o perfume do mundo.

Tu és o mundo e não queres abraçar uma só cidade, por muito que gostes dela. Por isso chegaste, viste as vistas interiores e foste andando com a promessa de que até poderias voltar, se um dia te apetecesse, mas sem qualquer compromisso. Pensei, que um dia que tu serias a minha história. Percebi, agora, que tu és só uma parte da história. Vieste para ficar sendo quem és e não porque o amor te possa modificar. O nosso amor é a continuação do que já foi e tem eternidade do que está para chegar.

Tu és a poesia da vida e eu apaixonei-me, pensando que a vida contigo seria essa poesia. Quis escrever o que tu já trazias escrito. Quis rimar os meus sonhos com o teu desejo, sem perceber que somos dois poemas distintos. Somos dois poetas e não uma poesia. Vais ficar, porque nunca partiste. Deixaste-me a lição de que quem ama nunca se esquecerá. Ensinaste-me que os poetas sabem amar a alma, mas nem sempre entregam o coração.

@angela caboz602111_494650770571819_1117908873_n

Do lado de lá do teu coração
Na linha que limita a fronteira
Entre a tua mente e a força da emoção

No ponto exacto em que o teu sentimento
Perde a estribeira
Sem saber o que vai decidir

Entre secar as lágrimas deste lamento
Ou, libertar a paixão que está a sentir…..

Foi ai, no lugar mais secreto do teu pensamento
Que os nossos amores se cruzaram
Sem que tenham sentido o cheiro do tormento

Em que sem saber se amaram

Um coração aprisionado
Que se rendeu a uma paixão libertadora

Um momento que será por ambos lembrado

@angela cabozviagem

Os acasos não existem

Os acasos não existem. As pessoas não se procuram. Há almas que se reconhecem. Há corações que eternamente se amam. Há caminhos que se cruzam, com ajuda da mão divina da vida, que as empurra para as encruzilhadas do destino. Destinos que não são coincidências, mas que, por vezes, alteram as nossas pacatas existências.

Foi assim que a história deles aconteceu!

Ela era uma eterna sonhadora. Ele vivia na sua solidão, sempre com os dois pés assentes no chão. Ela queria voar, mas faltavam-lhe as asas. A vida somente lhe tinha oferecido sonhos e eles não a deixavam voar. Ele era uma ave, um eterno viajante. Os seus pés tinham criado asas para que pudesse percorrer todo o mundo. Ambos sonhavam com o amor. Ambos se questionavam sobre o lugar onde, um dia, se poderiam vir a encontrar. Andaram por aí, pelas ruas largas da vida, pelos becos que, por vezes, pareciam escuros. Percorreram as estradas sinuosas da vida, curando todas as dores com que se cruzaram. No entanto, olhavam para o futuro com um olhar de desconfiança, porque começavam a acreditar que o amor lhes fugia por entre os dias que já não contavam, com receio de que o fim chegasse antes deles se terem encontrado.

Ela foi-se tornando numa sofredora. As dores já não lhe doíam. Ele era um eterno lutador e já nada lhe metia medo. O mundo era pequeno demais para ele e seria capaz de ir até ao fim do mundo atrás de um sonho. Ela, já sem forças, começava a baixar os braços, porque as asas teimavam em não lhe nascer e o peso da solidão não a deixava erguer-se. Ele fingia que era um homem forte, para que a tristeza não o agarrasse nas madrugadas em que queimava cigarros, sentado na varanda, enquanto falava com os seus sonhos. Queimava as horas, juntamente com os cigarros, para não aceitar que o tempo estava a avançar e que a distância entre eles parecia cada vez maior.

Ela sonhava, mas escondia os seus sonhos da madrugada, com medo que a madrugada não deixasse o sol amanhecer, para com um sorriso a convidar a enfrentar mais um dia. Ela tinha medo que a madrugada lhe levasse a pouca esperança que lhe restava. Tinha medo que a noite se prolongasse e para sempre o amor lhe fugisse, por entre os dedos das mãos, que já não sabiam escrever o que o coração sentia.

Um dia, porém, a vida fez da noite um belo dia e da madrugada a estrada perfeita para ele chegar até ela. A vida disse-lhe, ou melhor ordenou-lhe, que ele batesse naquela porta e que pedisse água para saciar a sua sede.

Ela abriu-lhe uma janela, para que o calor pudesse entrar por ali a dentro. E foi, quando ela abriu essa janela, que viu que ele estava a bater na porta principal do seu coração. Ela olhou-o, ainda antes de ele ter tido tempo de a ver. Olhou para ele e não viu nele um desconhecido. Aquele era o amor que lhes estava prometido, mas mesmo assim teve medo do inesperado. E foi vestida com esse medo que abriu a janela, mas isso foi o suficiente para a refrescar de todo o calor que aquela visão lhe tinha provocado.

Despiu-se, então, do medo que vivia agarrado a ela. Foi a correr abrir a porta, antes que ele se fosse embora. Ele olho-a e (re)viu-se naquele olhar. Estava ali a parte que lhe faltava. Estava ali o amor que, sem saber, ele procurava. Ela era a outra parte dele. Ele a metade que lhe faltava a ela.

Ela deu-lhe água, deixou-o beber na fonte do amor. Ele refrescou-lhe a tentação. Juntos saciaram a sede que lhes provocava tanta secura nas suas duras existências. Ele não disse tudo o que o coração lhe pedia, mas ela escutou os seus gritos de amor, que a ensurdeceram e fizeram com que começasse a viver na cegueira dum amor.

Ela abriu-lhe os braços e ele desenhou-lhe as asas. Caminharam juntos nas pegadas que ele tinha deixado pelo mundo. Viajaram por aí sem qualquer rota, entregues ao amor que a vida lhe emprestou. Vão continuando a ser felizes, sem pensar no que está para vir. Afinal, na vida não há acasos, nem prazos. Tudo acontece quando tem que acontecer, no momento certo em que a vida faz o milagre acontecer.

@angela caboz

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