Amar com alma, não é para qualquer um

Amar com alma e coração, ao mesmo tempo, não é para qualquer um. É difícil conquistar o coração, seduzir o corpo e, ao mesmo tempo, tocar a alma de quem amamos.

É tão difícil que a maioria de nós desiste, antes de o ter conseguido. Ama o corpo e não tem força, nem determinação para conquistar a alma. Tudo porque a alma é bem mais seletiva e não se entrega de imediato.

Contigo foi ao contrário. Tu amaste-me a alma. Conquistaste o que ninguém mais conseguiu. Chegaste lá num segundo, sem permissão. O teu problema foi que tu não me conquistaste o coração. Tu disseste-me quem eu era e não me quiseste amar.

Tu não me amaste. Tu tocaste-me a alma, sem nunca me teres visto. Tu despertaste um amor que nunca me tocou. Cantaste-me a música da paixão à distância e eu escutei-te no mais profundo de mim.

Parece estranho, mas tu fugiste do que todos procuram. Tu não procuraste o que aos outros dá prazer. Não fizeste promessas. Não viajaste pelo meu corpo. Não me deste um único beijo. Nem o primeiro, nem o último. Não deixaste o rasto do teu desejo no meu corpo. E, apesar de tudo, são tantas as tuas tatuagens na minha vida, que sem elas tudo deixaria de fazer sentido. Há pedaços de nós em cada uma das páginas do meu livro e sem ti esta história não faria sentido.

Tu desististe de mim, quando percebeste que o passo seguinte era precisamente esse beijo, esse toque, a descoberta do corpo. Tu não quiseste o que outros me imploravam e que eu não lhes dava. A ti eu queria-te dar tudo o que já me tinham pedido. Só que tu fugiste antes.

Em ti, eu encontrei o desejo, que me fez sonhar. O desejo de ti. O desejo de te ter só para mim. E tu, com o teu olhar distante em tons de azul, como se fosses um mar profundo, desviaste a tua rota. Passaste ao lado de tudo o que eu sonhei, apesar de teres feito parte do sonho. Fizeste-me sonhar e depois continuaste a navegar no teu mar, que nos mantém sempre à distância de um sonho.

Deixaste a tua memória e não quiseste acampar na minha vida. Continuaste a tua viagem. Tens as rotas bem definidas para a tua vida e não queres, nem estás disposto a fazer grandes paragens. És um nómada da vida. Não aceitas fazer do amor uma muralha, que te impeça de sentir livremente o perfume do mundo.

Tu és o mundo e não queres abraçar uma só cidade, por muito que gostes dela. Por isso chegaste, viste as vistas interiores e foste andando com a promessa de que até poderias voltar, se um dia te apetecesse, mas sem qualquer compromisso. Pensei, que um dia que tu serias a minha história. Percebi, agora, que tu és só uma parte da história. Vieste para ficar sendo quem és e não porque o amor te possa modificar. O nosso amor é a continuação do que já foi e tem eternidade do que está para chegar.

Tu és a poesia da vida e eu apaixonei-me, pensando que a vida contigo seria essa poesia. Quis escrever o que tu já trazias escrito. Quis rimar os meus sonhos com o teu desejo, sem perceber que somos dois poemas distintos. Somos dois poetas e não uma poesia. Vais ficar, porque nunca partiste. Deixaste-me a lição de que quem ama nunca se esquecerá. Ensinaste-me que os poetas sabem amar a alma, mas nem sempre entregam o coração.

@angela caboz602111_494650770571819_1117908873_n

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s