Não te fiques pelas promessas.

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A cama está vazia e tu continuas ali. 

A vida é feita de partidas e chegadas. 

Só que eu não aceito a ideia de que tenhas partido. 

A cada novo despertar sinto o teu cheiro. Sinto o teu beijo de bom dia e até o abraço que me davas para que o dia tivesse as tuas cores.

A cama está vazia, mas o meu coração tem o calor das tuas mãos. Ele ainda não percebeu que tu partiste. Continua a bater ao ritmo da nossa paixão. 

Tu foste embora, mas ficaste em mim!

Partiste, mas voltas todos as noites para os meus sonhos. Todas as noites adormeces comigo e ao acordar fico pensar que não está, só porque já saíste, mas que logo à noite voltarás, para vivermos a nossa paixão.

O meu coração não se alimenta de só de ilusões. 

Não assumas compromissos, que não estás preparado para cumprir. 

Não vistas a minha vida com sonhos coloridos, quando tu não conheces a origem dessas cores. Prefiro que os meus dias continuem cinzentos, pincelados com a realidade dos teus sentimentos. Pelo menos assim, vivo e sonho com o que tenho. 

Não existe pior ilusão para um coração do que alimentar-se com o que não lhe pertence.

De que me valem as fotos que me envias, se a paisagem não existe. Se és apenas a personagem de uma história inventada por um escritor sem horas, para me desenhar sentimentos nas linhas da vida.

Se não amas, porque ficas por aqui. Não me faças juramentos, nem abras portas para que os sofrimentos possam entrar. 

Não me digas com a boca o que o teu coração nega! 

Não prometas o que o teu coração não tem, para que a minha alma não se sinta abraçada pelo teu vazio. 

O amor não se inventa, o amor vive-se. 

Quem inventa amor para oferecer é um idiota que não sabe sê-lo. É um amante sem norte e procura a sua sorte fora da linha da vida. 

Não te fiques pelas promessas. Se me ama avança e se tens dúvidas recua. Não quero ilusões, apenas tenho vontade de viver as minhas emoções.

A cama está vazia, mas o teu perfume continua impregnado nos lençóis a que me abraço para continuar a sonhar com o amor que um dia me prometeste.  

 

@angela caboz

Ele não a amava!

 

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Ela era uma mulher sofrida que vivia embrulhada nos seus sonhos. Ele era um homem vivido que lhe soube fechar os olhos perante as realidades. 

Ela arrastava-se numa vida onde a única cor que existia nos seus dias era o sorriso, com que ela se vestia para que o mundo não a visse chorar.

Foi a esse detalhe que ele se agarrou. Sendo um homem sabido a quem a vida já tinha ensinado muito, soube ler o que ela não escrevia e usou as suas palavras para a conquistar. Pegou em cada uma das frases sentidas que ela escrevia, no diário da sua vida, para a fazer tropeçar num amor que não tinha. 

De história em história, com momentos que foi inventando e que se entrelaçavam em factos vividos, ele soube tornar-se num herói que ela cegamente julgou conhecer. Um ser que se dizia abandonado pelo destino a quem ela estendeu os braços para lhe oferecer o amor puro e ingénuo que sempre tinha guardado dentro de si. Já tinha sofrido tanto, que um dia prometeu a ela mesma que nunca mais se renderia ao amor, entretanto a habilidade dele levou-a por estrada escuras onde ela se perdeu, sem ver o que estava a acontecer. 

Contou-lhe tanto sobre si que desnudou perante o seu maior inimigo. Aquele que tinha chegado preparado para semear mais sofrimento nos seus terrenos já alagado pelas lágrimas de todos os dias chorava escondida. 

Deixou que ele a visse para lá de tudo o que escondia do mundo e ele usou a sua inocência para a atirar ao chão.

Acordou um dia para a realidade e viu-se embrulhada nos braços de um traidor. De alguém que usou a sua história para a destruir um pouco mais. Se já era uma mulher sofrida naquele instante sentiu-se um zero, aquilo a que todos chamam o zero à esquerda. Estava ali estendida naquele chão frio, onde nem o sorriso cruel dela a poderia aquecer. Sentia-se sem força para caminhar e quando se tentou levantar sentiu uma dor no peito que a fez desfazer em lágrimas.

Ele partiu certo de que se tinha tornado um herói, mas sem se lembrar que a vida tem boa memória e um dia lhe vai oferecer o troféu por tudo o que ele acabou de fazer. A vida sabe quem são os bons e castiga os cruéis. 

Depois de ter amado sem medida, quem não a merecia ela ficou ainda com mais cicatrizes da vida, mas a razão sussurrou-lhe ao ouvido que tinha uma teia preparada onde em breve ele iria ficar preso. Ele iria provar o sabor amargo de amar e de ser abandonado por alguém que não sabe com que sentimento se escreve a palavra amor.

Ela a mulher sofrida, iria renascer daquelas cinzas e tornar-se-ia uma guerreira destemida. Já ele, um dia acordaria na berma de uma estrada escura onde só a solidão o iluminaria. 

 

@angela caboz

Virei as costas à tristeza

 

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Atirei a tristeza para trás das costas.

Vou fingir que te tenho aqui, vestir-me com o melhor dos meus sorrisos.

Quero esquecer o que não foi [o que não é] bom na nossa história.

Quero apagar todas as lágrimas, ou melhor, fazer delas a tinta que irá colorir os nossos dias. Acrescentar a cada uma delas a cor dos bons momentos que já vivemos e assim reescrever uma história onde a tristeza não terá entrada. Escrever uma história nova onde o sofrimento ficará à porta e se irá aborrecer, por não ter quem lhe dê atenção.

Vou juntar cada pedacinho das tuas recordações e fazer com eles o vestido, com que me vestirás quando o corpo sentir frio e só as tuas mãos o souberem cobrir pelo calor de um sentimento.

Vou juntar-te ao que sou, ao que sobrou de mim e adicionar-lhe o que sempre faltou.

Vou fazer-te à imagem do que és e do que eu sonho que poderás ser. Fazer da nostalgia do passado o mote perfeito para a poesia de continuarmos a ser dois corpos sedentos de amor, que se encontraram à beira de uma ribeira ressequida e que conseguiram que no outono nela voltasse a correr água.

Não ter aqui não quer dizer que não faças parte de mim, que não pertences à minha vida.

Não quer dizer que não vivas dentro de mim.

A distância física não separa corações. A distância é a ilusão de quem nunca se cruzou com o amor. Os corações têm asas e voam até onde o amor os levar.

Que importância têm umas centenas de quilómetros, quando o mais importante de ti mora de dentro de mim. Que importância têm saber-te do outro lado do mundo, se na verdade estás sempre abraçado ao que eu sou. A distância jamais nos separou, aliás devo dizer que foi ela que nos juntou.

Hoje não vou deixar a tristeza sentar-se aqui.

O lugar está guardado só para ti. Hoje o que me abraça não é o sofrimento, é a recordação deste amor que todos os dias desenha rimas de paixão na minha pele. É o amor que faz da nostalgia de um passado, o desejo de o futuro me impeça de ter pesadelos. O desejo que adormece a meu lado para que eu não me sinta sozinha e que me diz baixinho, que o teu sentir que está aí do outro lado do mundo é reciproco.

Hoje foste tu que despertaste comigo.

Tirei-te do sonho e fingi que senti os teus braços à volta da minha cintura.

Senti o teu coração a bater no meu peito e vi-te ali mesmo à minha frente, repetindo as mesmas frase de sempre. Repetindo o nosso poema preferido ” amo-te, sem saber como”. Ainda vamos ter agradecer a Pablo Neruda, por nos ter dedicado este poema.

Hoje eras tu o poeta e eu a leitora.

Despertaste em mim a outra metade de ti. Salvaste-me da tristeza que me perseguia. Sopraste alegria nas asas do vento e eu senti que o teu amor me protegia. A brisa do norte diz-me que tu não te ias demorar, e que em breve irias chegar.

 

@angela caboz

Estive a ensaiar um adeus….

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Hoje estive a ensaiar um adeus. Pensei nas palavras que podia usar. Ou quem sabe, se seria melhor usar o silêncio. O silêncio frio de um olhar que nada te diz e tudo pode demonstrar. Poderia também suprimir o sorriso e ele dir-te-ia que algo não estava bem.

Hoje pensei em tanta coisa, que pudesse resultar num adeus que eu te queria dizer. E pensei tanto que descobri que não te quero dizer adeus.

Olhei para o lado de lá do tempo. Viajei nos anos que se passaram, desde o dia em que nos encontramos e eu não reparei em ti. Lembrei-me dos meses que gastaste para que a muralha da minha indiferença fosse derrubada. Passei por tantos momentos que mostraram como tudo foi difícil, no inicio a nossa aproximação, e de que com, depois nós soubemos transformar essas diferenças em algo que ficou em nós.

Lembrei dos momentos de conquista que vivemos, como se não houve amanhã. Desencontros que nós programávamos e que os nossos corações contrariavam. Foram anos de aventuras e desventuras.

Foram anos de amor, que o ódio nunca conseguiu vencer. Foram tempos de gargalhadas com cheiro a felicidade que tantas vezes se cruzaram com as lágrimas salgadas pelo perfume da desilusão. Foram gritos de paixão, a que depois se seguiram silêncios de ausências presentes, gritos ruidosos que nada diziam.

Foram anos de nós, daquilo que somos e do que sentimos. Dos sentimentos que (de)mostramos um ao outro, das emoções que nunca nos deixaram mentir. Foram anos em que me revoltei, misturando abraços com guerras interiores. Foram anos em que procurei por (a)braços que me fizeram falta e que jamais recebi. (A)braços sem correspondência de que nunca me arrependi.

Hoje, fiz todo esse ensaio para te dizer adeus, mas tudo foi em vão. O ensaio não deu em nada.

Somos tão opostos, quanto os nossos amores são próximos. Somos tão diferentes que nos tornamos iguais. Por isso, não consegui escrever-te o meu discurso de despedida.

A palavra adeus não se encaixa no que nos une. Teremos sempre as nossas brigas, que por certo sempre irão acabar em noites escaldantes de amor. Teremos as nossas noites de silêncios, que nos gelam para que depois nos possamos aquecer em abraços calorosos, que dirão tudo o que nos vai no coração.

Seremos sempre este amor diferente, que nos une e onde o adeus não se conseguirá intrometer.

 

@angela caboz

Eu queria ficar e vida puxava-me!

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Eu queria ficar ali. Não queria sair dos teus braços por nada.

Tudo o que me fazia sentido nesta minha vida estava preso ao que tu eras para mim. Tudo me prendia a ti, como se este amor fosse uma teia. E por isso, os teus braços pareciam-me o sítio perfeito para viver. Aquele era o último lugar onde eu podia sonhar.

A vida bem que me tentava puxar. Tentava mostrar-me que aquele caminho não tinha saída. Que aquele chão não dava uva. A vida, em silêncio, tentava apagar os meus sonhos.

Enquanto eu, teimosamente fechava os olhos e seguia em frente, ignorando os sinais. Pisava a muralha, levava à frente todos obstáculos que se interpunham entre nós, eu queria derruba-los todos. Tentava uma e outra vez, eu teimava em continuar. Eu não aceitava desistir. Os meus olhos continuavam fechados, não viam nada mais que não fosse o teu abraço. Aquele amor tornara-se numa cegueira, uma cortina que eu puxava, para não ver a realidade.

Apenas tu eras a minha realidade.

Acordava sozinha. Adormecia com a solidão. Virava-me para o outro lado, enganando a insónia e via-te a sorrir para mim, no lugar que estava vazio na cama, que já não te pertencia.

Via-te o rosto lindo e sereno, enquanto sonhava com futuros que julgam que nos iriam pertencer. Sentia-te o cheiro, que já tinha sido o perfume da minha pele. Regressava todas as noites à vontade louca de te tocar ou ao desejo de te amar. Revirava-me vezes sem conta naquela cama procurando por ti, e juro que te sentia ali. 

Eu não queria sair dali. Era a tua voz que ditava o diário dos sentimentos, que todos os dias escrevia. Eram as tuas mãos que me empurravam para a vida e os teus pés que caminhavam por mim.

Era a loucura de procurar a outra metade de mim que me fazia viver encantada com tudo o que eu imaginava que tu eras. A loucura de me sentir incompleta que me fazia procurar pelo teu abraço, que nos meus sonhos me pertencia. 

Bem que a razão me gritava que o teu tempo na minha história já tinha terminado. Mas, os meus sonhos teimavam em convencer o coração de que o calor do amor ainda nem sequer tinha começado.

Fechava os olhos e tudo continuava igual. O nosso amor não poderia ter um ponto final. Seria como se a nossa história tivesse começado no fim. Para mim a nossa história nunca iria terminar. Eu não escutava a vida e virava as costas à razão. Eu não me queria sentir esquecida por ti. Agarrava-te todos os dias, com se tu continuasses ali, no espaço apertado do nosso abraço. 

Eu enlouquecia todos os dias, sem perceber que já estava a amar sozinha. Tu tinhas partido e só eu não queria ver essa realidade.

 

@angela caboz

Um dia acordei sozinha…

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Um dia acordei sozinha. Olhei à minha volta e tu já não estavas ali. Já não tinha o teu abraço, faltava-me o teu beijo. Até o teu olhar era uma miragem, que de repente, também tinha desaparecido. Estava sozinha, entregue a mim mesma.

Aquele lugar que tu, até então ocupavas, estava agora vazio. No teu lugar morava a saudade.

Um dia acordei e não tinha os teus passos para me guiarem. Já não existia o teu amor, que era o meu refúgio em todas as horas do dia. Eu, que sempre tinha caminhado a medo nesta vida, agora não sabia para onde ir, sem a tua orientação. Os fantasmas tinham voltado a atormentar-me. Gritavam-me dúvidas e inseguranças aos ouvidos e toda eu tremia. Eu tentava dar um passo em frente e logo de seguida recuava dois, com medo do mundo que sempre me tinha assustado.

Eu queria avançar, mas o medo fazia-me recuar.

Sempre assim fora, só quando tu aqui chegaste é que eu consegui sentir o vento da esperança, que me empurrava para a frente. Senti que a coragem me vestia e que o futuro existia. É verdade, contigo tornei numa mulher lutadora. Ousei contrariar a mente e ouvir apenas a voz do coração. Percebi que era dona de mim e nada devia temer.

Só que a má sorte sempre me persegue, e quando eu começava a estar mais forte voltou o vento norte e levou-te. Levou-te sem deixar qualquer explicação.

E então, acordei sozinha e abandonada, como afinal sempre tinha vivido. A cama estava fria e eu não tinha companhia.

Era sempre assim, a vida dava-me e tirava-me tudo  que eu mais queria.

Estava novamente sozinha, mas não vou chorar por ti, não posso lamentar a partida de quem não me pertence. Não posso reclamar amor a quem nunca foi meu. Amor é algo que se partilha e entre nós ele nunca existiu.

Agora que só conto comigo, escuto o barulho que o tempo faz. O ruído que no meu peito define o ritmo de tudo o que vivo. Ouço o tic-tac das emoções que não pedem permissão ao tempo para chegarem. É esse o maior contratempo da minha vida.

Ando ao sabor desse tempo, que todos crêem infinito, o tempo que nos limita em simples círculos, onde dois ponteiros tontos rodam e me contam a nossa vida. Vinte e quatro longas horas, que em certos dias até são curtas, para sonhar com tudo o que eu queria ter vivido. Sessenta minutos que se repetem continuamente e que são demasiado longos, mas quando não me convêm que eles seja recordação da eternidade de tudo o que não vivemos.

Desde de que deixei de te ter comigo, já tentei travar longas batalhas com este terrível guerrilheiro. Já lhe virei as costas tentando passar ao lado desta guerra louca, que é a nossa rápida passagem por este mundo. Mas, ele sempre me recorda de quem manda neste mundo é ele. Mostra-me que tudo se contabiliza em tempo, os bons e os maus momentos. Tudo na vida tem um tempo e tudo o tempo resolve. Até resolveu um dia roubar-te de mim, deixando que tu seguisses noutro sentido, que em tudo é contrário ao meu.

Um dia acordei sozinha, mas nem mesmo assim, perdi a minha vontade de viver. Não te tenho, mas recuso-me a sofrer. Faço das lembranças, que talvez sejam só sonhos, a força de que preciso para continuar em frente.

 

@angela caboz

Apetecias-me!

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O que me apetece agora?

Amor não me faças essa pergunta. Tu sabes que a resposta está escrita no meu olhar. Bastava que me olhasses agora e saberias tudo o que me apetece neste instante.

Está lá escrito que o que mais queria era voar para os teus braços. Era aí que me queria desencontrar do tempo, para assim poder ter uma eternidade de me sentir amada.

Apetecia-me ficar esquecida no teu abraço e sentir a batida acelerada desse coração que desespera por mim. Queria ficar fechada na tua vida e prisioneira do amor que nos liberta todas estas emoções.

Apetecia-me quebrar a distância e lançar-me no mar da paixão. Encontrar-te numa curva apertada onde só o desejo pudesse falar por nós. Onde o amor fosse o nosso porto de abrigo, longe do mundo que nos mantém separados, em que nós por determinação nos sentimos juntos.

Sinto-me nos braços da saudade, enquanto vou desenhando silêncios que falam por mim. Sinto os teus braços que em sonho deslizam sobre a minha pele. Maldita seja esta saudade que cresce nesse caminho longo que existe entre nós.

Estou longe do teu olhar, é verdade, mas escuto todos os lamentos do teu coração que imploram por mim a cada segundo que passa por ele, sem que ele me possa agarrar. Estou longe de ti, mas o teu desejo chama por mim e escuto todos esses gritos que já não consegues calar dentro de ti.

O que agora me curava todas estas dores de amor eram as tuas mãos. As tuas mãos que se poderiam perder numa viagem sem fim.

É verdade, o que preciso mesmo é de ti.

Agora mesmo, apetecias-me …..

@angela caboz

A vida sabe o que faz!

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A vida faz-nos, em determinadas fases da nossa existência, um resumo do que vale a pena. Ao mesmo tempo, também apaga dos rascunhos da nossa vida tudo aquilo que já nada nos acrescenta. Deixa ali, bem visível, tudo o que é importante, para que os olhos do nosso coração não tenham dúvidas de quem deveremos convidar para seguir viagem connosco.

Existem alguns  momentos que o coração vai lamentar. Parecerão aos nossos olhos desencontros. Talvez se libertem algumas lágrimas, pensando que poderão eventualmente existir remédios que nos salvem daquela separação. Iremos durante alguns dias sonhar que os nossos caminhos se podem voltar a cruzar. Tudo isso não passará de uma mera ilusão. Tudo isso será em vão, o que a vida resolver separar, jamais se voltará a unir.

A vida sabe o que faz. Sabe quem tira e quem põe no nosso caminho. As decisões dela são definitivas. Ali não existem segundas oportunidades. Quem não nos pertence jamais seguirá pelo nosso caminho. Teremos que ser realistas e aceitar essa decisão de quem tem o poder divino de decidir.

A vida é mestre, temos que aprender as suas lições. A vida ensina-nos e quando não queremos aprender ela dá-nos ordens que não podemos rejeitar. A vida não aceita reclamações.

Por isso existem, pessoas que passam por nós e não ficam no nosso mundo. Pessoas que passam à história. Pessoas que nos ensinam e seguem noutra direcção. Pessoas que nos deixam a sua lição. Não deveremos teimar em segui-las, a vida não nos deixará faze-lo. Essas pessoas são passageiros de outra viagem.

Foi isso que a vida fez contigo, mando-te seguir o teu caminho. Ordenou-te que não olhasse para trás, porque eu saberia aprender a viver sem ti. E eu guardei-te em mim, como quem guarda uma memória. Ficaste ali fazendo parte da minha história. Passaste a ser tudo o que eu nem sabia ao certo quem eras. E na incerteza de tudo continuaste a ser apenas a ilusão de algo que nem sequer tive tempo de viver. Passaste a ser a ilusão de um amor que talvez nunca terá existido, provavelmente nunca foste mais do que um sonho.

Não tenho fotos tuas. No entanto sempre estiveste tão presente no meu dia-a-dia que, por vezes, te julgava a viver aqui, neste meu mundo. O mundo que em tudo difere do teu. O mundo onde só me tinha a mim e que tu vieste ocupar, tirando o lugar à solidão, que agora não tenho onde acomodar.

Imaginei-te e desenhei-te à minha imagem. Fiz um rabisco do teu rosto, que nunca saberei se tem, ou não, semelhanças contigo. Quem tu és é apenas um detalhe, quando comparado com o valor da lição que aqui deixaste.

As lágrimas que todos os dias verto por ti são o mar de mágoas em que quase decidi naufragar. São a estátua do sofrimento, que se desfaz com o calor do desgosto de te saber longe dos nossos sentimentos. Chorar é a forma que encontrei de purgar esta dor que me abraçou no dia em que tudo entre nós terminou.

São lágrimas sem medida. São uma mar revolto, sem que se veja nele ondas.

A ondulação, criei-a eu, no dia em que cultivei expectativas num amor que só eu plantei. Esta paixão que só eu vi florescer, e que agora parece um matagal, coberto de ervas daninhas em que eu tropeço.

Foi com as lágrimas que me vesti, no dia em que acordei sozinha numa realidade que era só minha, que tive que aprender a viver. Ali não existia o amor que eu julgava ver. Ali não havia o carinho onde me sonhava confortar. Ali ninguém me amava e a vida mostrou da forma mais dolorosa, que aquele nunca tinha sido o meu caminho. Eu tinha amado sozinha e aprendi muito com a dor que colhia por ter ousado sonhar pelos dois.

 

@angela caboz

Sinto-te chegar

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Sinto-te chegar, enquanto as horas fogem de mim.

Sinto-te chegar para contrariar o tempo que não nos ajuda a viver o nosso amor, sem que tenhamos que estar limitados pelas horas que passam aceleradas.

Ainda tenho, por vezes, dúvidas sobre onde acabar o sonho e começa a realidade. É que tudo chegou como se fosse um sonho e ainda não sei em que momento deixei de sonhar para passar a viver a realidade. Tudo parece tão perfeito que me perco nessa perfeição de te amar, sem entender o que me faltava e que agora me sobra.

Acordei tão rápido, que não percebo onde terminou o passado e onde começou o futuro.

Acordei sem me lembrar quando deixei de chorar, para começar a amar. Acordei e o teu amor era uma parte de mim como se sempre até ali tivesse vivido. Olhava à minha volta e nada me fazia sentido sem ti. Não havia antes, nem depois, havia apenas o nosso amor e a certeza de que só ele me poderia fazer feliz.

Deixei de pensar no tempo que já tinha passado e no que estaria para chegar, só tinha tempo para te amar. Não entendia como tudo tinha acontecido e também não procurava explicações.

Não te procurei e tu encontraste-me.

Não chegaste, vindo de um lugar qualquer, tu fazias parte de mim. Chegaste no silêncio ruidoso de quem não se faz anunciar, mas em que reparamos porque traz tudo o que nos faz falta.

Não entendo como, mas agora sei que me sinto completa. A cada palavra que fica por escrever à uma história que ninguém vai ler. A cada palavra que escrevemos juntos e que ninguém será capaz de entender há um amor que só nós sabemos escutar. Cada pensamento nosso vive abraçado a este amor que a vida aqui fez nascer.

 

@angela caboz

Amar-te foi um presente da vida!

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Nas ruas estreitas do sonho há sempre lugar para mais uma ilusão apertada, que se esconde no peito de quem procura o avesso de um amor perdido nos becos escuros do tempo. 

Aí nesse espaço sem linhas encontramos sempre lugar para fantasiar uma paixão com ele nos sorri e promete ajudar-nos  a viver com mais emoção.

Tantas vezes andei por esse mundo que um dia me desencontrei da realidade e julguei que te amava. Deixei que a minha ilusão te encontrasse enquanto eu me perdia de amores por ti. Deixei que o amor gritasse todas as palavras que eu sempre abafei.

Encontrei-te desencontrada e talvez por isso não tenha reparado que aquele não era o comboio que iria levar rumo ao futuro que me estava prometido. Vesti-me com as promessas que me fizeste e não percebi que estava a caminhar nua pelo meio das ruas por onde passava, fazendo com que todo voltasse o seu rosto para reparar naquele fantasma que por ali desfilava. Compreendo agora todos os sorrisos aqueles que comigo se cruzavam.

Eu estava a ser enganada e na minha inocência julgava-me amada.

Senti-te a desenhar desejo na minha pele. Ofereci-te a minha ousadia, toda aquela sedução que eu própria desconhecia. Adormeci nos teus braços nus, que me abraçaram fazendo-me viajar pelos mares do prazer. 

Senti que o céu tinha descido à terra, naqueles momentos em que um amo-te teu fez iluminar a minha eterna escuridão.

Fui feliz, e essa felicidade tu não me conseguiste roubar. 

Sim, no dia em que partiste levaste comigo muito do que eu descobri, mas a felicidade de me ter sentido amada, essa não levaste. Essa memória é tudo o que me faz guardar a imagem do teu rosto e ser capaz de dizer que valeu a pena ter amado, para poder descobrir a magia do amor.

Voltaste para o teu mundo colorido, colorido com as mentiras que tu costuras para enganar corações frágeis. Voltaste para o mundo que tu não conheces e que, por isso, dizes que é cruel e levaste contigo a certeza que eu fiquei mais forte depois de ti.

Amar-te foi um presente da vida e perder-te foi uma lição aprendida.

@angela caboz