Um dia acordei sozinha…

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Um dia acordei sozinha. Olhei à minha volta e tu já não estavas ali. Já não tinha o teu abraço, faltava-me o teu beijo. Até o teu olhar era uma miragem, que de repente, também tinha desaparecido. Estava sozinha, entregue a mim mesma.

Aquele lugar que tu, até então ocupavas, estava agora vazio. No teu lugar morava a saudade.

Um dia acordei e não tinha os teus passos para me guiarem. Já não existia o teu amor, que era o meu refúgio em todas as horas do dia. Eu, que sempre tinha caminhado a medo nesta vida, agora não sabia para onde ir, sem a tua orientação. Os fantasmas tinham voltado a atormentar-me. Gritavam-me dúvidas e inseguranças aos ouvidos e toda eu tremia. Eu tentava dar um passo em frente e logo de seguida recuava dois, com medo do mundo que sempre me tinha assustado.

Eu queria avançar, mas o medo fazia-me recuar.

Sempre assim fora, só quando tu aqui chegaste é que eu consegui sentir o vento da esperança, que me empurrava para a frente. Senti que a coragem me vestia e que o futuro existia. É verdade, contigo tornei numa mulher lutadora. Ousei contrariar a mente e ouvir apenas a voz do coração. Percebi que era dona de mim e nada devia temer.

Só que a má sorte sempre me persegue, e quando eu começava a estar mais forte voltou o vento norte e levou-te. Levou-te sem deixar qualquer explicação.

E então, acordei sozinha e abandonada, como afinal sempre tinha vivido. A cama estava fria e eu não tinha companhia.

Era sempre assim, a vida dava-me e tirava-me tudo  que eu mais queria.

Estava novamente sozinha, mas não vou chorar por ti, não posso lamentar a partida de quem não me pertence. Não posso reclamar amor a quem nunca foi meu. Amor é algo que se partilha e entre nós ele nunca existiu.

Agora que só conto comigo, escuto o barulho que o tempo faz. O ruído que no meu peito define o ritmo de tudo o que vivo. Ouço o tic-tac das emoções que não pedem permissão ao tempo para chegarem. É esse o maior contratempo da minha vida.

Ando ao sabor desse tempo, que todos crêem infinito, o tempo que nos limita em simples círculos, onde dois ponteiros tontos rodam e me contam a nossa vida. Vinte e quatro longas horas, que em certos dias até são curtas, para sonhar com tudo o que eu queria ter vivido. Sessenta minutos que se repetem continuamente e que são demasiado longos, mas quando não me convêm que eles seja recordação da eternidade de tudo o que não vivemos.

Desde de que deixei de te ter comigo, já tentei travar longas batalhas com este terrível guerrilheiro. Já lhe virei as costas tentando passar ao lado desta guerra louca, que é a nossa rápida passagem por este mundo. Mas, ele sempre me recorda de quem manda neste mundo é ele. Mostra-me que tudo se contabiliza em tempo, os bons e os maus momentos. Tudo na vida tem um tempo e tudo o tempo resolve. Até resolveu um dia roubar-te de mim, deixando que tu seguisses noutro sentido, que em tudo é contrário ao meu.

Um dia acordei sozinha, mas nem mesmo assim, perdi a minha vontade de viver. Não te tenho, mas recuso-me a sofrer. Faço das lembranças, que talvez sejam só sonhos, a força de que preciso para continuar em frente.

 

@angela caboz

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