Eu queria ficar e vida puxava-me!

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Eu queria ficar ali. Não queria sair dos teus braços por nada.

Tudo o que me fazia sentido nesta minha vida estava preso ao que tu eras para mim. Tudo me prendia a ti, como se este amor fosse uma teia. E por isso, os teus braços pareciam-me o sítio perfeito para viver. Aquele era o último lugar onde eu podia sonhar.

A vida bem que me tentava puxar. Tentava mostrar-me que aquele caminho não tinha saída. Que aquele chão não dava uva. A vida, em silêncio, tentava apagar os meus sonhos.

Enquanto eu, teimosamente fechava os olhos e seguia em frente, ignorando os sinais. Pisava a muralha, levava à frente todos obstáculos que se interpunham entre nós, eu queria derruba-los todos. Tentava uma e outra vez, eu teimava em continuar. Eu não aceitava desistir. Os meus olhos continuavam fechados, não viam nada mais que não fosse o teu abraço. Aquele amor tornara-se numa cegueira, uma cortina que eu puxava, para não ver a realidade.

Apenas tu eras a minha realidade.

Acordava sozinha. Adormecia com a solidão. Virava-me para o outro lado, enganando a insónia e via-te a sorrir para mim, no lugar que estava vazio na cama, que já não te pertencia.

Via-te o rosto lindo e sereno, enquanto sonhava com futuros que julgam que nos iriam pertencer. Sentia-te o cheiro, que já tinha sido o perfume da minha pele. Regressava todas as noites à vontade louca de te tocar ou ao desejo de te amar. Revirava-me vezes sem conta naquela cama procurando por ti, e juro que te sentia ali. 

Eu não queria sair dali. Era a tua voz que ditava o diário dos sentimentos, que todos os dias escrevia. Eram as tuas mãos que me empurravam para a vida e os teus pés que caminhavam por mim.

Era a loucura de procurar a outra metade de mim que me fazia viver encantada com tudo o que eu imaginava que tu eras. A loucura de me sentir incompleta que me fazia procurar pelo teu abraço, que nos meus sonhos me pertencia. 

Bem que a razão me gritava que o teu tempo na minha história já tinha terminado. Mas, os meus sonhos teimavam em convencer o coração de que o calor do amor ainda nem sequer tinha começado.

Fechava os olhos e tudo continuava igual. O nosso amor não poderia ter um ponto final. Seria como se a nossa história tivesse começado no fim. Para mim a nossa história nunca iria terminar. Eu não escutava a vida e virava as costas à razão. Eu não me queria sentir esquecida por ti. Agarrava-te todos os dias, com se tu continuasses ali, no espaço apertado do nosso abraço. 

Eu enlouquecia todos os dias, sem perceber que já estava a amar sozinha. Tu tinhas partido e só eu não queria ver essa realidade.

 

@angela caboz

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