Estive a ensaiar um adeus….

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Hoje estive a ensaiar um adeus. Pensei nas palavras que podia usar. Ou quem sabe, se seria melhor usar o silêncio. O silêncio frio de um olhar que nada te diz e tudo pode demonstrar. Poderia também suprimir o sorriso e ele dir-te-ia que algo não estava bem.

Hoje pensei em tanta coisa, que pudesse resultar num adeus que eu te queria dizer. E pensei tanto que descobri que não te quero dizer adeus.

Olhei para o lado de lá do tempo. Viajei nos anos que se passaram, desde o dia em que nos encontramos e eu não reparei em ti. Lembrei-me dos meses que gastaste para que a muralha da minha indiferença fosse derrubada. Passei por tantos momentos que mostraram como tudo foi difícil, no inicio a nossa aproximação, e de que com, depois nós soubemos transformar essas diferenças em algo que ficou em nós.

Lembrei dos momentos de conquista que vivemos, como se não houve amanhã. Desencontros que nós programávamos e que os nossos corações contrariavam. Foram anos de aventuras e desventuras.

Foram anos de amor, que o ódio nunca conseguiu vencer. Foram tempos de gargalhadas com cheiro a felicidade que tantas vezes se cruzaram com as lágrimas salgadas pelo perfume da desilusão. Foram gritos de paixão, a que depois se seguiram silêncios de ausências presentes, gritos ruidosos que nada diziam.

Foram anos de nós, daquilo que somos e do que sentimos. Dos sentimentos que (de)mostramos um ao outro, das emoções que nunca nos deixaram mentir. Foram anos em que me revoltei, misturando abraços com guerras interiores. Foram anos em que procurei por (a)braços que me fizeram falta e que jamais recebi. (A)braços sem correspondência de que nunca me arrependi.

Hoje, fiz todo esse ensaio para te dizer adeus, mas tudo foi em vão. O ensaio não deu em nada.

Somos tão opostos, quanto os nossos amores são próximos. Somos tão diferentes que nos tornamos iguais. Por isso, não consegui escrever-te o meu discurso de despedida.

A palavra adeus não se encaixa no que nos une. Teremos sempre as nossas brigas, que por certo sempre irão acabar em noites escaldantes de amor. Teremos as nossas noites de silêncios, que nos gelam para que depois nos possamos aquecer em abraços calorosos, que dirão tudo o que nos vai no coração.

Seremos sempre este amor diferente, que nos une e onde o adeus não se conseguirá intrometer.

 

@angela caboz

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