Virei as costas à tristeza

 

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Atirei a tristeza para trás das costas.

Vou fingir que te tenho aqui, vestir-me com o melhor dos meus sorrisos.

Quero esquecer o que não foi [o que não é] bom na nossa história.

Quero apagar todas as lágrimas, ou melhor, fazer delas a tinta que irá colorir os nossos dias. Acrescentar a cada uma delas a cor dos bons momentos que já vivemos e assim reescrever uma história onde a tristeza não terá entrada. Escrever uma história nova onde o sofrimento ficará à porta e se irá aborrecer, por não ter quem lhe dê atenção.

Vou juntar cada pedacinho das tuas recordações e fazer com eles o vestido, com que me vestirás quando o corpo sentir frio e só as tuas mãos o souberem cobrir pelo calor de um sentimento.

Vou juntar-te ao que sou, ao que sobrou de mim e adicionar-lhe o que sempre faltou.

Vou fazer-te à imagem do que és e do que eu sonho que poderás ser. Fazer da nostalgia do passado o mote perfeito para a poesia de continuarmos a ser dois corpos sedentos de amor, que se encontraram à beira de uma ribeira ressequida e que conseguiram que no outono nela voltasse a correr água.

Não ter aqui não quer dizer que não faças parte de mim, que não pertences à minha vida.

Não quer dizer que não vivas dentro de mim.

A distância física não separa corações. A distância é a ilusão de quem nunca se cruzou com o amor. Os corações têm asas e voam até onde o amor os levar.

Que importância têm umas centenas de quilómetros, quando o mais importante de ti mora de dentro de mim. Que importância têm saber-te do outro lado do mundo, se na verdade estás sempre abraçado ao que eu sou. A distância jamais nos separou, aliás devo dizer que foi ela que nos juntou.

Hoje não vou deixar a tristeza sentar-se aqui.

O lugar está guardado só para ti. Hoje o que me abraça não é o sofrimento, é a recordação deste amor que todos os dias desenha rimas de paixão na minha pele. É o amor que faz da nostalgia de um passado, o desejo de o futuro me impeça de ter pesadelos. O desejo que adormece a meu lado para que eu não me sinta sozinha e que me diz baixinho, que o teu sentir que está aí do outro lado do mundo é reciproco.

Hoje foste tu que despertaste comigo.

Tirei-te do sonho e fingi que senti os teus braços à volta da minha cintura.

Senti o teu coração a bater no meu peito e vi-te ali mesmo à minha frente, repetindo as mesmas frase de sempre. Repetindo o nosso poema preferido ” amo-te, sem saber como”. Ainda vamos ter agradecer a Pablo Neruda, por nos ter dedicado este poema.

Hoje eras tu o poeta e eu a leitora.

Despertaste em mim a outra metade de ti. Salvaste-me da tristeza que me perseguia. Sopraste alegria nas asas do vento e eu senti que o teu amor me protegia. A brisa do norte diz-me que tu não te ias demorar, e que em breve irias chegar.

 

@angela caboz

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