O passado já passou

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O passado já passou. Ele é isso mesmo, um tempo que já não volta. 

São momentos que vivemos. Horas que jamais se irão repetir. É uma história que ficou lá atrás. São anos que já passaram e horas que a memória arquivou.

Hoje, neste momento exacto, em que os meus olhos te vêem a passar naquela rua, é outra a história que tenho para viver. Naquela mesma rua onde os nossos pés já caminharam. No mesmo compasso em que  os nossos corpos já se uniram num abraço. Na esquina onde já te roubei um beijo e também já te provoquei tanto desejo. Tudo mudou entretanto, o tempo voou e com ele desapareceu o nosso encanto.

Agora, tento enganar o meu coração. Digo-lhe, com toda a convicção, que tu já nada significas para mim. Tento convence-lo de que é  outro o que acabou de passar à frente dos meus olhos. Tento fugir dessas emoções antigas. Tento pensar em momentos felizes. Quem sabe sentir o perfume dos nossos sonhos quando éramos petizes.

Fico aqui parada. Tu passas e eu fico embasbacada.

És mesmo tu, o mesmo de sempre! O amor que o meu coração sente. Algo em ti mudou, estás diferente e, mesmo assim, não consigo enganar a minha paixão.

O passado é passado, mas o coração não quer ser enganado. Ele continua a ter a mesma reacção. Olha para ti e volta a só ver tentação.

O passado devia ser uma história arquivada na memória. Só que o coração quer fazer dele a história de cada dia. Para o meu coração o amor não se adia. O amor vive todos os dias.

Desculpa, mas já passou tanto tempo, que aquilo que foste já me parece demasiado antigo. O nosso sentimento já devia ter envelhecido e o amor já deveria estar esquecido. Deverias ser apenas uma lembrança sem emoção. Uma pedra imóvel que se perdeu com o passar dos dias. Sei que ela existiu, mas agora é fogo que já se extinguiu.

Desculpa-me, mas de repente, lembro-me das tuas mãos e volta o calor da paixão. Não encontro lugar para os sentimentos frios e sem movimento. As tuas lembranças espalham sobre mim o que resta desse sentimento. O que existiu entre nós envelheceu, é verdade, mas os nossos corpos não o esqueceram.

Lembro-me de como gostava  dos teus beijos e amassos. De toques profundos e dos abraços prolongados. Dos beijos que espalhavam desejo e das mãos ousadas que descobriam novos caminhos. De palavras sem sentido que escreveram tentação no meu corpo. Dos olhares com perdição que me chamavam para junto de ti.

E agora, que já nada disso existe em ti, o que faço com esta vontade que não se quer ir embora. Se já nada disso existe em nós, como calo este amor que continua a respirar. 

Olho-te e o teu sorriso já nada me diz. O teu olhar deixou de ser a luz dos meus dias. Olho-te e procuro o caminho silencioso do desejo que existia nos corpos dos amantes. O silêncio que para o amor vale por mil palavras. As palavras que o amor inventa para descrever a paixão que lhe corre nas veias.

Desculpa, mas tudo isso morreu. Só que o meu coração não quer entender que o nosso amor acabou. Não fechar a porta ao passado. Continua aqui à janela, à tua espera e diz-me que já pediu ao um futuro para te pode trazer de volta. Só que eu olho para ti e já não te reconheço. Olhou para ti e tu és o rosto do passado, enquanto os teus olhos me dizem que eu sou a imagem de um futuro a que tu não pertences.

@angela caboz

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