Amo-te!

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– Amo-te!

Disse-lhe ela, num dia em que o sol andava escondido e as nuvens se abraçavam no céu, esculpindo lindas estátuas brancas, que mais pareciam castelos encantados. E foi, nesse dia, tão lindo como outro qualquer, que ela deixou que do seu coração se soltasse todo aquele seu sentimento que vivia dentro de si.  Um sentir tão forte que o atingiu em cheio no peito. 

Uma frase simples e inocente que lhe coloriu o sorriso. Foi com esse sorriso rasgado para além do contorno dos seus lábios, um sorriso que lhe transbordava do rosto, que ele escutou essas palavras, quase mágicas, que lhe ficaram a dançar nos ouvidos. Essas palavras tão simples, que foram como que uma festa inesquecível para a sua alma. Sentiu-as, letra por letra, e foram directas à sua alma, apertando-lhe o coração com muita emoção. Todo ele transpirava, e não era calor, era um arrepio de frio provocado pela intensidade de tudo o que estava a sentir naquele momento.

– Amas-me?

Repetiu ele, numa mistura de medo e de emoção. Como se fosse uma admiração, ou, talvez, pela surpresa da confissão que o tinha deixado sem jeito. Aproximou-se ainda mais dela, queria ter a certeza de que acabara mesmo de escutar aquela declaração de amor. Ainda pensou, que pudesse ser apenas mais um sonho que lhe tinha soprado uma doce ilusão. 

Ele não tinha reparado, que ela tinha dito aquelas palavras de dentro para fora, porque aquelas palavras a andavam a sufocar há demasiado tempo. E depois, de ter soltado aquela bomba doce, ficou simplesmente a olhar para ele, a deliciar-se com toda a emoção que sabia que o estava a assaltar naquele instante. Era como se, de repente, aquelas nuvens brancas e cinzentas com que os artistas divinos decoravam o céu, soltassem sobre ele uma chuvada de amor. Uma chuvada que o deixou alagado com a paixão dela. Ela até conseguia ver corações a voarem em redor do seu corpo.

A frase tinha-o apanhado de surpresa. E a surpresa, foi tanta que o amor o despiu ali mesmo, deixando-lhe a descoberto toda a paixão que também existia nele, por mais que tentasse ocultar. Estava tão emocionado que mal reparou que a sua mão estava entrelaçada na dela desde que da sua boca se tinha soltado a primeira palavra. Sim, porque ele podia desmaiar a qualquer momento tanta era a emoção que existi naquele corpo indefeso a quem o amor atingiu por completo. Assim, com a mão entrelaçada na dela, se caísse, caiam os dois juntos.

-Sim, Amo-te!

Repetiu-lhe ela, num tom de voz ainda mais atrevido, para que ele não tivesse qualquer dúvida do que estava a sentir e que sem medo ela lhe acabara de confessar.

– Amo-te, como nunca sonhei que seria possível amar de alguém!

Ele, desta vez escutou tudo o que ela lhe tinha dito. Escutou tão bem, que encurto a distância entre eles. Não queria que nada os pudesse afastar. Queria escutar tudo o que ela tinha para lhe dizer. 

Mas, ela apenas lhe sorriu e o sorriso disse-lhe ainda mais do que tudo o que já tinha escutado antes. Disse-lhe o que ele sonhava escutar há tanto tempo. O que ele queria dizer e não se atrevia. E no meio daquele silêncio, ruidoso, procurou pelos seus lábios e desenhou-lhe o mais lindo dos sorrisos, que a poesia do amor haverá de escrever. Disse-lhe ali em silêncio o que já milhões de vezes tinha sentido e desejado, sem que a sua voz se fizesse ouvir. Disse-lhe o quanto a amava, sem que jamais lhe tivesse confessado.

Ali, naquele dia sem sol e com as nuvens a viajarem pelo céu, eles renderam-se ao sabor dos sentimentos e entenderam que a paixão que os unia podia vestir dois corpos, com o mesmo vestido, e que, mesmo assim, no calor do seu sentir eles se sentiriam despidos pela proximidade do amor.

Ali, ela perdeu a sua timidez e confessou-lhe tudo o que já tinha sentido antes. E ele, sem relutância, respondeu-lhe com o beijo que há tantas vidas sonhava dar-lhe. Assim é o amor, feito com a simplicidade do sentir, colorindo com inocência a paixão de dois corpos que se amam .

 

@angela caboz