Escrevi-te um poema ….

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Um dia deixei de te escrever os meus poemas. 

Prometi que te iria rasgar de forma audaz essa capa de timidez onde todos os dias te escondias. Queria ver-te um dia todo nu, com os sentimentos que reprimias, ali perto dos meus pés. Queria ver como reagias a uma tempestade de paixão que não te deixasse pensar e te fizesse refém de um desejo incontrolável.

Deixei de te escrever, como fazia há tantos anos. Todos os dias te oferecia uma nova poesia. Naquele dia apenas passei por ti e te sorri, dizendo-te  com um olhar poemas que só o teu coração entendia.

Naquele dia passei por ti nem sequer te sorri, apenas te pisquei o olho e depois de passar por ti reparei que me seguias. Percebi que me acompanhavas todos os movimentos e que lias o desejo que se soltava de mim, como  se fosse a rima mais ousada em que o teu sorriso se podia esconder.

Troquei-te as voltas e não saí pela porta da frente, como tu esperavas. Espreitei pelo canto do olho e vi que ainda ali estavas, a olhar para mim na esperança de que eu te fizesse sinal. 

Então, entrei no nosso quarto e desfiz a cama, que tu já tinhas feito. 

Atirei todas as roupas que encontrei para um canto e chamei-te com um assobio., enquanto me livra também dos trapos que me cobriam o corpo.

Sentia-te o cheiro do lado de fora, estavas escondido no canto da porta, olhando para a safadez dos meus movimentos e para a ousadia com que tirava do caminho todas as roupas que encontrava.  

Soltei um leve gemido, que nada te disse, mas que te fez estremecer. Chamei por ti sem te falar e vi-te a correr até mim naquela madrugada estéril em que brincamos ao jogo da tentação e tu ficaste rendido ao meu silêncio.  Naquela madrugada em que as horas foram poucas para te mostrar tudo o que queria mostrar, por mais que tu já soubesses.

Entraste de rompante no quarto, libertaste-te de toda a timidez e eu acenei-te com a última peça de roupa que ainda tinha no meu corpo, umas minúsculas cuecas que voaram para bem longe da nossa cama. Implorei  para que te deitasses ali ao meu lado. Nem sequer te atrevestes a contestar a minha ordem e quando te olhei vi que a paixão brilhava no teu olhar e que já não conseguias reprimir todo o desejo que te corria nas veias.

Despi-te peça a peça, com a calma de quem sabe que é dona do tempo e não teme uma madrugada fria. Fui deixando as minhas palavras espalhadas pelo teu corpo. Senti as rimas a agitarem-se de cada vez que as minhas mãos voam silenciosamente pelas tuas sedosas curvas que estavam em brasa, gritando que queriam mais emoção. A paixão cegava-te naquele momento, eu podia dizer-te tudo, que tu, nada vias, tu eras a imagem do desejo que te tinha tomado conta do corpo.

Despi-te até ficares só com a poesia da paixão que se soltava de ti.  Beijei-te então com o último verso desse poema que te levou até ao paraíso. Quando de olhei-te de novo vi que o meu sorriso brilhava nos teus lábios e nos meus olhos ainda havia o brilho das espirais de tentação que soaram mais alto que a nossa respiração naquele quarto em que o frio de Dezembro se transformou em ondas de calor que deixaram os nossos corpos a transpirar.

Então, e para que o frio não voltasse a pisar a madrugada, disse-te ao ouvido a partir de hoje serias a página onde todos os dias iria escrever a poesia da vida e tu numa ousadia que até então desconhecia recitaste-me o mais curto e apaixonado poema que um amante pode dedicar à sua amada, um curto e sonoro amo-te que ficou nos meus ouvidos como se fosse um eco do nosso amor.

 

@angela caboz

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