Não tenho tempo para o passado.

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Hoje acordei com medo do passado. Medo de que ele volte. Medo que ele venha desarrumar as memórias que eu fui arquivando. Sabes, eu não quero lá voltar. Não quero voltar as viver as emoções que já deixaram marcas em mim. Foram momentos que me moldaram e fizeram de mim tudo o que hoje sou.

Sim, é verdade, se não fosse o passado não seria quem sou. Só que o lugar dele é lá mesmo, no passado. Aquele tempo para o qual não existe caminho.

E, hoje tenho tantos outros planos para a minha vida. Já não tenho tempo para o passado. Não posso despir-me desta pele que o tempo vestiu na minha alma, para voltar ao que um dia já fui. Verdade seja dita, o tempo não volta e eu já não sou quem era.

Terá sido só mais um sonho. Ou até talvez, um pesadelo. Um fantasma do passado a tentar assustar-me. Uma lembrança a espreitar pela janela do meu coração. Uma recordação que ainda está fresca. Tantas coisas, mas a realidade é que já não há, em mim, espaço para o passado.

As lembranças não se pagam. Eu, sei bem disso. São tatuagens que ficam na nossa alma. Cicatrizes de dores que o coração com o tempo cura. Saudades que sempre nos irão perfumar os sonhos, em alguns momentos da nossa vida. Mas, tudo isso ficou perdido no tempo. São momentos que não têm asas para voar. Nem têm pés para caminhar. São estátuas que vamos deixando nesta estrada da vida. Sorrisos com que nos vestimos nos instantes em fomos felizes. Lágrimas que lavaram o sofrimento de quem viveu tanto contratempo.

Hoje acordei com medo de ter saudades do passado, porque tenho que continuar o meu caminho. Tenho que viver e não me posso atrasar. É urgente caminhar, rumo ao futuro. É lá que te vou encontrar. O passado será sempre um companheiro amigo que vou lembrar. Mas, acordei nostálgica e estava cansada, e saudade decidiu visitar-me. Ela é a distância que não me permite tocar em tudo o que já vivi.

No entanto, estou consciente de que terei de deixar para trás tudo o que já não me completa. Deixar para trás o que julguei ser à minha medida e que o tempo me mostrou que já não me servia. O que procurei, para me completar e que se mostrou um sentimento incompleto. O vestido que alguém me emprestou e que a vida sempre me disse que não me servia.

E, foram as palavras da vida que me fizeram acordar e procurar algo de novo para me vestir. É urgente cobrir esta alma com o calor de um sentimento. É urgente vestir este coração com um sentimento que lhe dê calor. É preciso aquecer este corpo que sente o frio da solidão na sua pele.

Deixarei para trás todo o passado a que me agarrei durante tanto tempo. Terei que arquivar as marcas de um sentimento que nunca foi meu. De um amor que na realidade nunca me pertenceu. Esse sentimento a que me fui agarrando por medo da solidão. A solidão em que me escondia para não dar ouvidos ao coração. Uma cegueira que me foi acompanhando nesta travessia sem rumo que escolhi fazer. Rios de lágrimas que temei em verter por uma história que, percebo agora, não é minha.

A vida cansou-se de me deixar avisos. De me dar conselhos, só que a cegueira era total e eu nada via. Então, ela resolveu agir. Colocou no meu caminho novos sentimentos, era urgente eu olhar para a minha existência. Era urgente eu viver a minha vida. Olhar de frente para os sentimentos do meu coração. Dar ouvidos à minha alma que estava cansada de sofrer. Deixar de ter medo do passado e sorrir para o futuro.

 

@angela caboz

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