Aquilo que sou…

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Aquilo que sou, por vezes não chega para te mostrar tudo o que sinto. Fico procurando palavras para te dizer o que o meu coração sente, e não encontro palavras que sejam o rosto do meu sentimento. Falta-me a coragem para inventar novas palavras que possam acompanhar o grito da minha paixão. Palavras que conheçam a intensidade deste meu amor.

O que sou e não sei esconder mostra-te o quanto te amo. Só faltam as palavras certas para te arrancar do teu canto. Para te fazer correr como um louco na minha direcção.

O que sou agrada-te. Conquista-te. Tu sabes que te amo. Tu amas-me, vejo isso no silêncio de cada olhar teu. Está estampado no ruído do teu sorriso que ilumina a minha vida.

É fácil ler-te os sentimentos. Aprendi isso com o tempo. Aprendi a sentir-te na perfeição. O sentimento existe, mas o teu amor é tímido, esconde-se atrás da sombra do que tu és. O teu amor não quer abraçar o meu. Fica aí num espaço que é só teu. Envias-me o som do teu sentir, através dessa sintonia emocional que criamos os dois, mas ficas aí a amar ao longe. Com medo de te aproximares. Falta-te a coragem de gritar ao mundo que me amas e que nada nos irá separar.

O que sou não chega para te tornar num guerreiro feroz, que me deseje abraçar-me com todo o seu amor. Tens medo de saltar sobre os obstáculos. Sabes, todas as barreiras que existem entre nós estão ao alcance de um simples abraço. Poderás derruba-las com um só passo, só depende de ti. E eu queria ser o teu sorriso aventureiro. O teu olhar destemido, que quer agarrar a nossa paixão, para que ela não nos abandone. Queria ter certezas. Só que olho para ti e apenas sinto esse doce amor de quem me ama e tem medo de lutar.

Quem eu sou, não chega para te transformar na tempestade que o nosso amor precisa. Terei de lutar sozinha. Acredita, eu não vou desistir. O nosso amor não vai morrer. Somos uma ave única. Cada um de nós tem uma asa dessa ave e teremos que aprender a voar juntos. Se tu não lutas, eu lutarei pelos dois. Já li no teu sorriso que me amas e eu não quero perder quem sempre procurei.

Não consigo deixar de te querer, por mais que me doa o silêncio. Sempre te quis, ainda antes de te querer. Estavas em mim ainda antes de te descobrir. Era tua e não sabia. Agora quero-me tua e por vezes apenas encontro o teu lugar. O teu lugar que tem o cheiro do nosso amor, mas onde falta o calor da tua paixão.

 

@angela caboz

Ele raptou-me. 

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Ele raptou-me. 

Sim, ele chegou aqui, pegou em mim e levou-me para longe da minha solidão. Tirou-me daquela negra escuridão e levou-me para os seus sonhos coloridos. Sequestrou-me do meu mundo e apenas me disse anda vem comigo, vamos ser felizes aqui.

Não aceitou desculpas. Disse-me que aquele era o nosso lugar e era ali que tínhamos que viver a nossa história. 

Nunca me imaginei a viver livre, a caminhar para lá da muralha do sofrimento onde me habituei a morar. Jamais pensei que para lá desses muros pudesse existir um lugar para mim.

Eu tinha-me tornado prisioneira de mim mesma e temia dar um passo que fosse nesse terreno onde as plantas eram verdes e as flores floresciam. No meu recanto, atrás da muralha, tudo estava amarelecido e aquelas plantas já não tinham sementes para germinar. Aos poucos tudo ia morrendo naqueles terrenos onde nem o sol já espreitava.

Nunca me imaginei dentro de outro sonho que não fosse o meu. E o meu sonho já nada tinha para me oferecer. Estava refém do passado e amarrada a histórias acabadas. Até os sonhos já começavam a estar limitados ao espaço do meu sofrimento e estavam cansados de serem sonhos sem futuro á vista.

Só que naquele dia, ele ganhou coragem e veio até ao meu mundo e raptou-me. Deu-me boleia numa das suas asas e arrastou-me para a história dele. Levou-me nessa viagem pelo mundo das emoções e fez com que eu descobrisse sentimentos em mim que julgavam que já se tinham perdido no tempo. Despertou-me sensações que nem em sonhos e pensei que um dia poderia vir a viver.

Agora, olho para o mundo através de uma janela que lhe pertence. Agora, também eu lhe pertenço. Sou sua com uma liberdade que me mostra as cores da felicidade.

Não tenho saudades do recanto escuro que era o meu mundo, já o esqueci e quero aproveitar esta luz que o seu mundo me ofereceu. 

Ele ensinou-me a sorrir, desenhou-me um sorriso na face e ainda me pintou o futuro nos olhos.

Ele é um homem que sabe amar e sabe chamar pelo seu amor. Tem uma voz doce, que me grita sentimentos intensos no coração e eu tornei-me numa aprendiz na arte de seduzir um homem apaixonado. 

Já não sou a mulher sem história. 

Sou uma criança crescida que quer fazer todos os disparates que o amor lhe ensinou .

@angela caboz 

Puxa-me para ti

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Puxa-me para ti, leva-me para fora de mim.

Leva esta criança que existe em mim a passear. É urgente que lhe mostres que há sonhos que um dia se  irão tornar em realidades.

Diz-lhe que a vida tem fases e que tudo chega na hora certa.

A vida nunca se atrasa, e o sofrimento um dia acaba.

As tristezas somos nós que as alimentamos, quando negamos a nós mesmos as verdades que a vida nos coloca à frente dos olhos.

Puxa-me para ti e diz-me onde fica tudo o que eu sempre procurei, sem saber que fugia de algo que não me pertencia.

Leva-me até mim, sem que eu deixe de andar por aí.

Olhei há pouco para o relógio da vida e vi que ele marcava hora certa para assumir que te amo. É a hora certa de deixar de negar o que brilha no meu olhar como se fosse o sol a despertar num dia de Verão.

Leva-me até ao Outono sem que se perca a magia da Primavera. Há entre nós o cheiro das flores silvestres que perfumam esta paixão que descobrimos adormecida nos nossos corações.

Há verdades que se impõem antes dos nossos olhos as verem e certezas que nunca serão dúvidas para quem ama.

Puxa-me para dentro do nosso amor.

Há amores assim, amores de poucas palavras, mas que são ricos de emoções.

Os amores de poucas palavras, mas que em silêncio escrevem desejos nas linhas do corpo de quem amam.

São aqueles amores que não perdem tempo com discursos, amores que preferem mostrar com gestos tudo o que sentem.

Tanto para dizer e faltam-me as palavras.

Tanto para te escrever e apenas o silêncio é capaz de caminhar até ao teu ouvido.

Tanto para te dizer e apenas saiu um tímido amo-te.

Tentei juntar palavras e construir frases.

Queria fazer com elas uma ponte que me levasse directa ao teu coração. E apenas a palavra amo-te me fazia viajar na tua direcção. Parecia-me uma palavra demasiado pequena, só que era tão grande que nela cabia todo o sentimento que tenho guardado para ti.

Era a única palavra disponível no dicionário para te dizer o que sinto.

Tu olhaste-me e eu sei o que sentistes. Está escrito nesse sorriso maroto que a paixão também te rouba horas de sono só para me amares.

Puxa-me para ti. Deixa-me voar livremente nas asas desse desejo que não me deixa pousar, mas tão-somente sobrevoar tudo o que estão nos nossos sonhos.
@angela caboz

 

Não te fiques pelas promessas.

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A cama está vazia e tu continuas ali. A vida é feita de partidas e chegadas. 

Só que eu não aceito a ideia de que tenhas partido. A cada novo despertar sinto o teu cheiro. Sinto o teu beijo de bom dia e até o abraço que me davas para que o dia tivesse as tuas cores.

A cama está vazia, mas o meu coração tem o calor das tuas mãos. Ele ainda não percebeu que tu partiste. Continua a bater ao ritmo da nossa paixão. 

Tu foste embora, mas ficaste em mim!

Partiste, mas voltas todos as noites para os meus sonhos. Todas as noites adormeces comigo e ao acordar fico pensar que não está, só porque já saíste, mas que logo à noite voltarás, para vivermos a nossa paixão.

Não te fiques pelas promessas. O meu coração não se alimenta de só de ilusões. Não assumas compromissos, que não estás preparado para cumprir. Não vistas a minha vida com sonhos coloridos, quando tu não conheces a origem dessas cores. Prefiro que os meus dias continuem cinzentos, pincelados com a realidade dos teus sentimentos. Pelo menos assim, vivo e sonho com o que tenho. Não existe pior ilusão para um coração do que alimentar-se com o que não lhe pertence.

De que me valem as fotos que me envias, se a paisagem não existe. Se és apenas a personagem de uma história inventada por um escritor sem horas, para me desenhar sentimentos nas linhas da vida.

Se não amas, porque ficas por aqui. Não me faças juramentos, nem abras portas para que os sofrimentos possam entrar. 

Não me digas com a boca o que o teu coração nega! 

Não prometas o que o teu coração não tem, para que a minha alma não se sinta abraçada pelo teu vazio. 

O amor não se inventa, o amor vive-se. 

Quem inventa amor para oferecer é um idiota que não sabe sê-lo. É um amante sem norte e procura a sua sorte fora da linha da vida. 

Não te fiques pelas promessas. Se me ama avança e se tens dúvidas recua. Não quero ilusões, apenas tenho vontade de viver as minhas emoções.

A cama está vazia, mas o teu perfume continua impregnado nos lençóis a que me abraço para continuar a sonhar com o amor que um dia me prometeste. 

@ angela caboz

Ele voltará um dia [talvez seja tarde]

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Ele voltará um dia.

Voltará para me dizer que eu não estava errada. Quererá mostrar-me tudo o que deixou de viver ao meu lado. Far-me-á recordar as noites frias, passadas junto à lareira. As mãos quentes que me aqueciam o corpo, arrepiado mais pela paixão, do que pelo frio.

Voltará para me dizer, com todo o seu saudosismo, que eu fui o seu único e verdadeiro amor.

E, com ele, voltará a nostalgia dos tempos em que se respirava felicidade dentro destas quatro paredes. Voltarão as saudades do que fomos, que soprarão ao meu ouvido aquelas velhas frases de amor. Palavras que, naquela época, me faziam trepar pelas paredes. Palavras que me consumiam com a dimensão da tentação, que ele punha nelas. Tudo isso é uma memória tão fresca em mim. É uma realidade que jamais a esqueci durante todos estes anos.

Ele voltará um dia. Quando a sedução já não for a sua arma secreta.

Quando o seu sorriso perder o brilho. Quando o seu olhar procurar por uma paixão nas ruas movimentadas da cidade e ninguém reparar nele. Quando se tornar invisível para o universo feminino. Quando o seu perfume de macho deixar de ser o odor que deixava quando caminhava pelas ruas, exibindo o seu corpo musculado que fazia sonhar qualquer gaiata que ainda não conhecia a vida.

Nesse dia, ele virá bater na minha porta. Trazendo com ele a dor do abandono. Mendigando-me um abraço e implorando por um beijo. Irá segurar na minha mão e dizer-me «eu sempre te amei». Irá olhar para o presente, julgando que ainda está a conquistar a miúda que noutros tempos acreditava em todas as suas palavras.

Mas, nesse dia, ele irá ver que a tristeza passou a morar no meu olhar. Que os sofrimentos pintaram de negro o meu sorriso. Que deixei de viver no dia em que ele partiu. Que não sou a mesma amante que ele ali deixou.

Tornei-me num coração solitário. Aprendi a viver sem amor.

A verdade é que ainda não a fiz as pazes com a paixão. Porque, nas minhas veias, juntamente com o sangue, continua a correr a desilusão de ter sido trocada por outro amor. Um amor sem rosto, um amor que já conheceu tantos rostos. O amor que agora conheceu o sabor do desgosto e provou a dor do abandono.

Ele voltará e será nesse dia um coração mais solitário do que o meu. Porque eu, entretanto, aprendi a viver com a solidão e ele não saberá sobreviver longe da perdição. Talvez me peça perdão. Talvez se ajoelhe aos meus pés. Quem sabe se o amor que tenho e que não dividi com mais ninguém não voltará a gritar por ele! Afinal, continuarei viva, por muito que me sinta uma defunta.

Mas o amor poderá querer renascer. Poderá querer voltar a viver os seus momentos. Talvez ele insista. Só não posso prometer que o meu coração o aceite de volta. A ferida não sarou. O coração pode não querer este remédio para o curar.

Ele voltará um dia, mas encontrará a porta, deste velho castelo, trancada. Chamará pela princesa encantada que aqui vivia. Só que ela, entretanto, ficou surda e já mal entende a linguagem do amor. Talvez ele trepe pelas paredes, se as suas pernas ainda tiverem a força de outros tempos, para tentar ver se ainda existe vida neste outro lado do mundo.

Ele voltará, mas terá que aprender a viver com a realidade. Irá perceber que os amores são como as flores. Se não os regarmos, eles irão acabar por secar. E, hoje, eu sou esta flor murcha a quem o tempo roubou as cores da paixão.

@angela caboz

Não acredites no que os teus olhos vêem…

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Se me vires por aí não acredites no que os teus olhos vêem.

Essa que por aí se passeia com o meu corpo é uma cópia minha. Nada do que ela te diga tem o cheiro do meu sentir e naquelas curvas ousadas não encontrarás o que já tiveste e perdeste sem saber.

Se me vires por aí, olha-me bem e escuta que é outro o discurso dessa mulher, que nada mais é do que uma cópia daquela que um dia te conquistou.

Essa que os teus olhos virem, pode ter a ousadia que tu lhe emprestaste, mas falta-lhe a doçura que perdeu no dia em que a abandonaste.

Mesmo assim, se te cruzares com ela, dá-lhe a mão e empresta-lhe um daqueles sorrisos com que a soubeste conquistar. Explica-lhe que a vida não é feita de promessas e de sorrisos marotos de quem lhe indica o caminho da cama.

Sim, é preciso que tu, ou alguém, a faça entender que viver é mais do que uma aventura, que começa ao anoitecer e termina ainda antes do dia nascer.

E já agora, faz-me mais um favor diz-lhe que não és o anjo que ela viu em ti.

Mas, mostra-lhe que, apesar de tudo, tens coração e sabes amar. Conta-lhe aquele segredo que quiseste guardar, e, que depois, usaste como desculpa na hora da despedida. Ensina-lhe a ver o avesso de ti e talvez assim, quem sabe, ela se canse de ser essa cópia de mim.

Se me vires por aí, torna-me no original que um dia se perdeu por ti e não mais se encontrou.

 

@angela caboz

Já toquei em tantos corações. 

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Já toquei em tantos corações.

E há outros tantos corações que me tocaram. Já dei tantos trambolhões, da mesma forma que já tive quem me amparasse nas quedas que tinha para dar. As quedas que me ensinaram a ser sempre quem fui.

Andei por aqui por este mundo, por vezes, demasiado pequeno para mim.

Procurei-me durante tanto tempo, nas horas em que jurei à vida que não tinha tempo para mim. As horas em que gastava todos os minutos procurando-me fora de mim, sem perceber que era cá dentro que estava a resposta para tudo o que sou.

Não serão nunca os outros que me vão ensinar quem sou e o que sinto. Serei sempre eu a fazer essa descoberta. Os outros apenas me acompanham na caminhada.

Desarrumei a minha vida para dar ar aos meus sentimentos, para mudar de lugar as tristezas.

Arrastei as mágoas já envelhecidas para a rua, e fui lá buscar sorrisos coloridos para decorar a minha sala que andava demasiado escura. Abri as janelas para que pudesse entrar o ruído da vida onde só se ouvia o hino da solidão.

Caminhei por estradas cheias de curvas, onde as rectas eram tristezas e as encruzilhadas se apresentavam com sinais de sofrimento.

Andei pelas estradas da vida, porque é ela que nos ensina. Pisei pedras e contornei obstáculos, quando o mundo parecia querer desmoronar aos meus pés.

Toquei todos esses corações de quem se aproximou de mim para partilhar momentos que a vida me deixou viver.

E esses corações abraçaram quem eu sou, mostrando-me que o amor se partilha para que possamos ser felizes em conjunto.

@angela caboz

Escrevi-te um poema ….

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Um dia deixei de te escrever os meus poemas. 

Prometi que te iria rasgar de forma audaz essa capa de timidez onde todos os dias te escondias. Queria ver-te um dia todo nu, com os sentimentos que reprimias, ali perto dos meus pés. Queria ver como reagias a uma tempestade de paixão que não te deixasse pensar e te fizesse refém de um desejo incontrolável.

Deixei de te escrever, como fazia há tantos anos. Todos os dias te oferecia uma nova poesia. Naquele dia apenas passei por ti e te sorri, dizendo-te  com um olhar poemas que só o teu coração entendia.

Naquele dia passei por ti nem sequer te sorri, apenas te pisquei o olho e depois de passar por ti reparei que me seguias. Percebi que me acompanhavas todos os movimentos e que lias o desejo que se soltava de mim, como  se fosse a rima mais ousada em que o teu sorriso se podia esconder.

Troquei-te as voltas e não saí pela porta da frente, como tu esperavas. Espreitei pelo canto do olho e vi que ainda ali estavas, a olhar para mim na esperança de que eu te fizesse sinal. 

Então, entrei no nosso quarto e desfiz a cama, que tu já tinhas feito. 

Atirei todas as roupas que encontrei para um canto e chamei-te com um assobio., enquanto me livra também dos trapos que me cobriam o corpo.

Sentia-te o cheiro do lado de fora, estavas escondido no canto da porta, olhando para a safadez dos meus movimentos e para a ousadia com que tirava do caminho todas as roupas que encontrava.  

Soltei um leve gemido, que nada te disse, mas que te fez estremecer. Chamei por ti sem te falar e vi-te a correr até mim naquela madrugada estéril em que brincamos ao jogo da tentação e tu ficaste rendido ao meu silêncio.  Naquela madrugada em que as horas foram poucas para te mostrar tudo o que queria mostrar, por mais que tu já soubesses.

Entraste de rompante no quarto, libertaste-te de toda a timidez e eu acenei-te com a última peça de roupa que ainda tinha no meu corpo, umas minúsculas cuecas que voaram para bem longe da nossa cama. Implorei  para que te deitasses ali ao meu lado. Nem sequer te atrevestes a contestar a minha ordem e quando te olhei vi que a paixão brilhava no teu olhar e que já não conseguias reprimir todo o desejo que te corria nas veias.

Despi-te peça a peça, com a calma de quem sabe que é dona do tempo e não teme uma madrugada fria. Fui deixando as minhas palavras espalhadas pelo teu corpo. Senti as rimas a agitarem-se de cada vez que as minhas mãos voam silenciosamente pelas tuas sedosas curvas que estavam em brasa, gritando que queriam mais emoção. A paixão cegava-te naquele momento, eu podia dizer-te tudo, que tu, nada vias, tu eras a imagem do desejo que te tinha tomado conta do corpo.

Despi-te até ficares só com a poesia da paixão que se soltava de ti.  Beijei-te então com o último verso desse poema que te levou até ao paraíso. Quando de olhei-te de novo vi que o meu sorriso brilhava nos teus lábios e nos meus olhos ainda havia o brilho das espirais de tentação que soaram mais alto que a nossa respiração naquele quarto em que o frio de Dezembro se transformou em ondas de calor que deixaram os nossos corpos a transpirar.

Então, e para que o frio não voltasse a pisar a madrugada, disse-te ao ouvido a partir de hoje serias a página onde todos os dias iria escrever a poesia da vida e tu numa ousadia que até então desconhecia recitaste-me o mais curto e apaixonado poema que um amante pode dedicar à sua amada, um curto e sonoro amo-te que ficou nos meus ouvidos como se fosse um eco do nosso amor.

 

@angela caboz

Quando me lembrar de nós …

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Quando me lembrar de nós sem chorar saberei que já te perdoei.

E quando te perdoar terei admitido, a mim mesma, que és importante de mais para que um dia te possa esquecer.

Nesse dia, lembrar-me-ei de que o nosso amor não acabou ali, naquele instante, em que tu me disseste adeus e o teu coração me gritou amo-te.

No dia em que o amor que tenho por ti for capaz de secar as minhas lágrimas, terei a certeza de que nada mais existirá que nos possa separar.

A nossa história irá (re)começar nesse segundo em que te vou sentir voltar para o lugar de onde nunca saíste.

Afinal quem nos pertence nunca se vai embora, pode não estar ao nosso lado, mas estará sempre na nossa vida.

Quando me lembrar de nós sem lágrimas, saberei que vives no meu peito para a eternidade.

 

@angela caboz

A vida é tudo o que temos

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A vida é essa estrada que não desenhei.

São todas essas curvas que não sei até onde me irão levar. É essa viagem feitas, tantas vezes, de olhos vendados, que não me deixa ver para além do hoje.

Uma estrada sinuosa que não tem ouvidos para nos escutar, nem sequer está preocupada com a nossa vontade. Leva-nos até onde ela predestinou e não quer saber da nossa opinião.

A vida, por mais que pensemos o contrário, é um passado lembrado e um futuro agendado. Um presente para ser vivido e um ontem que, por vezes, ainda não foi esquecido. São horas que não chegam para todos os sonhos que temos e anos que pedimos para melhor saborear as ilusões que nos conduzem ao futuro que todos os dias nos bate à porta.

A verdade, por mais cruel que nos pareça, é que esta é a única vida que temos para viver.

É um risco feito pelo destino de que não podemos desistir. Uma linha que não podemos pisar, porque o que nos é exigido é que vivamos entre o antes e o depois. Entre uma dor esquecida e um sorriso que está à nossa espera.

Esta vida, que transportamos no coração, é o alimento para a imaginação que multiplica os sonhos pelos desejos, de modo a fazer nascer emoções que nos obrigam a seguir em frente, por caminhos que serão, ou não, os mais certos.

Por vezes, julgaremos que a vida é uma floresta com veredas verdejantes, onde nos perderemos para contemplar os prados verdes e coloridos onde encontraremos as realidades de tudo o que nos está destinado.

A vida é tudo o que temos, é este lugar onde vivemos.

@angela caboz