Meu amor, a vida não é eterna

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Tu sabes o que é a eternidade?

Sabes que há sentimentos que passam para lá do tempo. E tal como eu, tens dúvidas sobre o que o tempo é e o que podemos fazer com ele. Então, tu também sabes que não podes fugir eternamente. Não podes continuar a esconder-te, por entre as sombras dos nossos dias. Não podes querer fechar os olhos, ao que o teu coração já viu. A esse sentimento, a que tu teimas em não dar voz. A esse calor, que te deixa a transpirar de desejo, até nos dias frios de Inverno.

Eu sei, que quando acordas, sentes o apelo da alma. Há uma voz que te chama e um sentimento que te empurra. Não entendo, porque teimas em seguir em sentido contrário. Se já viste que todos os outros vão para o lado oposto ao que tu escolheste.

Olha ali à frente. Vês aquela encruzilhada larga, com uma rotunda apertada. Lá mesmo no centro há uma placa, que te mostra o caminho do meu coração. É a estrada que te leva ao mais profundo de mim. Lá poderás encontrar tudo o que eu escondo do mundo e que guardei só para ti. Lá mora este amor, que nos está destinado pela vida, e do qual não teremos como fugir.

Eu sei, e, tu também sabes, que não escolheste o ritmo certo. Que não é essa a dança que queres dançar. Sei que olhas para os sonhos dos outros, que seguem em sentido contrário ao que teu, e que sentes perdido. Que não te identificas com eles. E tu, sabes onde está o que procuras. Sabes qual é o sentido que deves tomar.

Então, meu amor, a vida não é eterna, por mais que nós sonhemos com isso. O tempo é algo que nos incomoda, mas de que não podemos fugir. O destino deu-nos um número limitado de horas, e tu, continuas a gastá-las para compor uma música que não é tua. Consomes minutos preciosos com dúvidas que só existem na tua mente. Dás ouvidos a uma razão que a todo o instante te mente.

Anda, faz inversão de marcha no sentido dessa vida que nada nos acrescenta. Anda, o amor a vida só faz sentido quando nos toca a alma. Vem fazer sentido aos meus sonhos. Vamos dar sentido ao hino cantado por esta paixão, que grita aos nossos ouvidos. A voz secreta do nosso amor que só nós escutamos.

Anda, espero-te na rotunda do nosso amor, não te demores meu amor! Temos tanto para viver, que todos os segundos são poucos.

@angela caboz

Tu mudaste a minha vida

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Fiquei a olhar o calendário. Desfolhei todas as suas páginas uma a uma. Dei por mim a pensar em que dia, mês e ano te comecei a amar. Que horas marcariam no relógio naquele momento magico em que nos cruzamos e que eu sem perceber me apaixonei pelo teu sorriso e me encantei pelo teu olhar.

Não me recordo se fazia sol. Se chovia. Se era Primavera ou Verão, porque o teu olhar me deixou cega e tudo em meu redor deixou de existir.

Olhei-te e de repente senti-me uma parte de ti. A outra metade de mim. A gota de ousadia que me faltava. A partícula de timidez que te sobrava, estava tudo ali. Tu eras tudo o que eu não tinha e eu tinha tu o que tu procuravas. Eras a eternidade que eu nunca tive e que procurava nos sonhos que ainda não sonhei.

Esse foi o momento exato em que te amei, ainda sem saber. Sem perceber que sem ti nada mais voltaria a fazer sentido.

E, hoje olho-te e sinto-me a projecção do teu pensamento. A exclamação no final de cada uma das tuas frases. O ponto de interrogação nas horas em que tens dúvidas e eu te dou explicações. As reticências sobre o será o futuro dos nossos sentimentos.

Olho-te e lá estou eu, sempre incluída na tua vida.

Vejo as minhas mãos no teu rosto, a limparem as lágrimas de angústia transportadas de outro passado. O meu sentimento a secar os pingos de tristeza que em tempos eram a chuva da solidão que te visitava todos os dias.

E, agora já não choras amor, agora sorris e escreves sorrisos nos meus lábios. Também tu vieste dar cor aos meus dias. Deixaram de rolar por este rosto gotas salgadas de sofrimento que manchavam o meu viver.

Os sentimentos que foste escrevendo no meu coração eram tão fortes e intensos que nem precisei de passa-los para o papel, para que fosse necessário guarda-los na minha memória.


Eram uma tatuagem feita na minha alma e que ficou guardada no meu coração. Datas e momentos que não precisaram de agendas para que sejam recordados. Pois, eles são uma recordação viva, de instantes de felicidade pintados no meu corpo que jamais serão esquecidos. 

Tu és a memória viva do sonho que me arrisquei a viver, uma recordação do que amo, de alma e de coração, a história que fica para a eternidade.

@angela caboz   

Amo-te!

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– Amo-te!

Disse-lhe ela, num dia em que o sol andava escondido e as nuvens se abraçavam no céu, esculpindo lindas estátuas brancas, que mais pareciam castelos encantados. E foi, nesse dia, tão lindo como outro qualquer, que ela deixou que do seu coração se soltasse todo aquele seu sentimento que vivia dentro de si.  Um sentir tão forte que o atingiu em cheio no peito. 

Uma frase simples e inocente que lhe coloriu o sorriso. Foi com esse sorriso rasgado para além do contorno dos seus lábios, um sorriso que lhe transbordava do rosto, que ele escutou essas palavras, quase mágicas, que lhe ficaram a dançar nos ouvidos. Essas palavras tão simples, que foram como que uma festa inesquecível para a sua alma. Sentiu-as, letra por letra, e foram directas à sua alma, apertando-lhe o coração com muita emoção. Todo ele transpirava, e não era calor, era um arrepio de frio provocado pela intensidade de tudo o que estava a sentir naquele momento.

– Amas-me?

Repetiu ele, numa mistura de medo e de emoção. Como se fosse uma admiração, ou, talvez, pela surpresa da confissão que o tinha deixado sem jeito. Aproximou-se ainda mais dela, queria ter a certeza de que acabara mesmo de escutar aquela declaração de amor. Ainda pensou, que pudesse ser apenas mais um sonho que lhe tinha soprado uma doce ilusão. 

Ele não tinha reparado, que ela tinha dito aquelas palavras de dentro para fora, porque aquelas palavras a andavam a sufocar há demasiado tempo. E depois, de ter soltado aquela bomba doce, ficou simplesmente a olhar para ele, a deliciar-se com toda a emoção que sabia que o estava a assaltar naquele instante. Era como se, de repente, aquelas nuvens brancas e cinzentas com que os artistas divinos decoravam o céu, soltassem sobre ele uma chuvada de amor. Uma chuvada que o deixou alagado com a paixão dela. Ela até conseguia ver corações a voarem em redor do seu corpo.

A frase tinha-o apanhado de surpresa. E a surpresa, foi tanta que o amor o despiu ali mesmo, deixando-lhe a descoberto toda a paixão que também existia nele, por mais que tentasse ocultar. Estava tão emocionado que mal reparou que a sua mão estava entrelaçada na dela desde que da sua boca se tinha soltado a primeira palavra. Sim, porque ele podia desmaiar a qualquer momento tanta era a emoção que existi naquele corpo indefeso a quem o amor atingiu por completo. Assim, com a mão entrelaçada na dela, se caísse, caiam os dois juntos.

-Sim, Amo-te!

Repetiu-lhe ela, num tom de voz ainda mais atrevido, para que ele não tivesse qualquer dúvida do que estava a sentir e que sem medo ela lhe acabara de confessar.

– Amo-te, como nunca sonhei que seria possível amar de alguém!

Ele, desta vez escutou tudo o que ela lhe tinha dito. Escutou tão bem, que encurto a distância entre eles. Não queria que nada os pudesse afastar. Queria escutar tudo o que ela tinha para lhe dizer. 

Mas, ela apenas lhe sorriu e o sorriso disse-lhe ainda mais do que tudo o que já tinha escutado antes. Disse-lhe o que ele sonhava escutar há tanto tempo. O que ele queria dizer e não se atrevia. E no meio daquele silêncio, ruidoso, procurou pelos seus lábios e desenhou-lhe o mais lindo dos sorrisos, que a poesia do amor haverá de escrever. Disse-lhe ali em silêncio o que já milhões de vezes tinha sentido e desejado, sem que a sua voz se fizesse ouvir. Disse-lhe o quanto a amava, sem que jamais lhe tivesse confessado.

Ali, naquele dia sem sol e com as nuvens a viajarem pelo céu, eles renderam-se ao sabor dos sentimentos e entenderam que a paixão que os unia podia vestir dois corpos, com o mesmo vestido, e que, mesmo assim, no calor do seu sentir eles se sentiriam despidos pela proximidade do amor.

Ali, ela perdeu a sua timidez e confessou-lhe tudo o que já tinha sentido antes. E ele, sem relutância, respondeu-lhe com o beijo que há tantas vidas sonhava dar-lhe. Assim é o amor, feito com a simplicidade do sentir, colorindo com inocência a paixão de dois corpos que se amam .

 

@angela caboz

Decidi deixar de olhar para trás

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Cheguei a meio do rio; pisei a linha invisível das águas da vida. Olhei à minha volta, havia água em todos os lugares que os meus olhos alcançavam por mais distantes que estivessem. 

Uma vida que parecia alagada. Uma vida engolida pelas águas coloridas, que engoliam os meus sorrisos. As mesmas águas onde os sonhos se afundaram e que sem saberem nadar não tiveram pés para caminhar para terra firme.

Hoje, neste dia em que perdi a noção do tempo, mergulhei nas histórias da minha existência.

Fui ao fundo de quem sou; remexi na lama das recordações, as que me fizeram chorar e aquelas que agora eu tenciono recuperar, para começar a construir  o futuro.

Mexi em tudo, revoltei este mar tenebroso. Era tempo de tentar salvar o barco que ameaçar afundar-se, por estar ao abandono e tomado de assalto pelo sofrimento. Era preciso dar outra vida ao marinheiro, que já sem alento não queria continuar a viagem.

Era tempo de lhe mostrar a rota dizendo que era urgente voltar a navegar para que a vida fizesse sentido. 

Tinha estado tempo demais a olhar para o nada, sem ver que o sol continua no horizonte, lá bem longe onde o futuro me acenava.

Era portanto tempo de voar sobre estas águas e fazer-me à vida, levando apenas o meu melhor sorriso, para que a vida não me pesasse muito. Não poderia continuar a carregar mágoas que me estavam a afundar a cada passo que me recusava a dar. 

Hoje, a meio do caminho, decidi deixar de olhar para trás com medo. Só quero seguir em frente e abraçar o que a vida me oferece, sem tentar encontrar desculpas para me recusar a viver.


@angela caboz 

Silêncio, que o amor chegou…

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E de repente escutei a tua voz, sem que tenhas dito uma única palavra. 

Escutei-te naquele silencioso caminhar com que chegaste até mim. 

Não dei pelos teus passos, mas tu estavas ali, olhando para mim [olhando por mim]. 

Tu escutavas o meu sentir e percebi que também me aproximava de quem tu és. Até que a sombra do destino me deixou ver que estavas ao meu lado. 

E aí sem dúvidas convidei-te para entrar. 

Dei-te a mão e disse-te entra esta casa já é tua. Não te faças de desentendido, porque já li nesse olhar tudo o que as minhas palavras ainda não te souberam dizer. 

Entra neste sentimento que se está a completar. O sentimento que completa as nossas vidas desde que tocamos na linha do destino.

Vi-te o olhar trémulo, como se o mundo tivesse começado a girar ao contrário. 

Percebi que tinhas o corpo a transpirar e não era de calor, era o frio do sentimento que te desenhava espirais de desejo na pele. Era o frio da paixão que te fazia estremecer. Era o amor a tocar-te no mais profundo de ti.

Podia jurar que até tinha escutado um amo-te, mas não deve ter sido porque tu continuavas ali,em silêncio, a olhar para mim. Apenas se ouvia a tua respiração acelerada, de tal forma acelerada que parecias um puto que tinha acabado de descobrir a magia de se sentir apaixonado. Tudo em ti era agora leveza e desejo de me abraçar.

Subitamente duas vidas tinham-se invertido. 

Subitamente o incerto da vida passou a ser a certeza de termos descoberto um amor dividido unilateralmente. 

Tu caminhaste até mim e eu encontrei-te onde me tinha julgado perdida, num beco que afinal tinha saída. 

E foi nesse imprevisto, que não contava, que tu dançaste a música do amor. 

Foi nesse meio tempo, que nem sequer contamos, que o amor tomou conta de nós e nos fez olhar para a vida com a certeza de que vale sempre a pena amar.


@angela caboz

Os sonhos não morrem!

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Os sonhos não morrem!

Os sonhos existem para nos darem sentido à vida. 

Os sonhos são o alimento da alma. A forma exacta de ela nos dar conselhos. A maneira certa de ela nos mostrar o que queremos viver e não assumimos perante o mundo. 

É nos sonhos que vivemos sem medos. Ali não existem fantasmas que nos assustam. Nada nos trava e tudo pode acontecer. Ali sempre seremos felizes.

Os sonhos não morrem, mas por vezes a alma precisa de adormece-los. Precisa de travar a nossa necessidade de sentir alguns sentimentos mais intensos. 

O nosso impulso para transportarmos para o sonho desejos que ainda não chegaram ao seu tempo. A alma adormece-os para que possam aparecer no momento oportuno. Na hora em a vida os deixe de considerar futuros e lhe abra a porta para eles saírem. 

Sim, porque a vida não nos deixam antecipar futuros.

Os sonhos existem em nós e nós não deixaremos de os procurar. Sem eles a vida deixará de ter sentido. A vida apenas os calendariza, coloca-lhes um rótulo com a data e hora de nascimento. E eles têm de esperar. Tudo tem o seu tempo, até os sonhos. 

Quantas vezes não vivemos realidades que já passaram por nós em sonhos. E outras em que desejamos que os sonhos fossem realidades. 

Quantas vezes nos questionamos sobre cenas que julgamos já ter vividos e que não passam de sonhos de andavam esquecidos.

Já sonhamos com amores que não encontramos. Também já encontramos amores com sonhamos. Realidades tão evidentes que por vezes até duvidamos. 

Os sonhos são eternos e somos nós que lhe damos vida!

@angela caboz 

Eu sabia que existias …

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Cai e levantei-me, a vida ensinou-me e eu aprendi. É chegada a hora de caminhar em frente e conquistar novas emoções.

Pode haver a incerteza na escolha da rota certa para as emoções. Podem existir dúvidas sobre o que será o futuro do meu coração, que só conhece o caminho das lágrimas sofridas de quem se sente uma metade incompleta, que todos os dias indaga a vida perguntando se isto é que é viver.

Sinto-me uma alma incompleta. Vestida com o meio sentimento de quem procura a teia, onde fico presa a outra metade da sua sombra.

Ainda não tinhas um nome e não te conhecia o rosto, mas já me fazias sentido. Eu sabia que eras o sentido. O único sentido possível nesta estrada de duas vias que é a vida, em que eu caminhava para encontrar o amor que me estava destinado.

Procurava-te em silêncio nos meus sonhos. Esperando ouvir as tuas palavras que eu sabia que iria reconhecer de imediato

Havia um vento violento que todos os dias açoitava a minha vida. Aquela tempestade que não deixava que os meus sonhos seguissem o seu caminho. Uma trovoada que fazia estremecer os meus sentimentos, que sentiam que sobre eles se fazia sentir a maldição do fantasma da solidão.

Eu própria conseguia escutar os gritos aflitivos de uma alma, que se sentia aprisionada e amarrada a um passado sem futuro e a um presente que já era passado. Um corpo mutilado pela tristeza, que se arrastava ao sabor do vento que o mundo fazia soprar no meu rosto de menina abandonada.

Quantas vezes, implorarei pelos anjos da guarda. Eu sabia que habitavam os céus, porque os meus olhos os avistavam nos momentos em que me sentia perdida. Não tinha dúvidas de que existiam uns braços amigos à minha espera.

 

@angela caboz