Amar-te não era fácil

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Se o amor fosse fácil nunca te teria amado. 

Não me teria deixado levar pelo encanto de querer acordar nos teus braços para descobrir os mistérios que tu escondias e que deixavam a minha alma aos saltos.

Amei-te por que senti o cheiro forte da emoção. As tuas palavras despertavam o meu coração. Porque tudo em ti me deixava com vontade de avançar mais um passo a tua direcção. O mistério que te envolvia era a magia que eu precisava para acordar do pesadelo que até então não se descolava da minha vida.

Fui levada por essa tentação que me fez seguir por este caminho sem ter medo das pedras pontiagudas que por ali vi. Tive consciência que podia ferir os meus pés, mas mesmo assim não desisti. O difícil sempre me seduziu. Tu parecias o rei da sedução, portanto nunca poderia deixar de querer experimentar tudo o que o teu olhar misterioso escondia.

E com o teu, nosso, amor vieram as recordações que eu tinha tentado esconder. Tu chegaste sem avisar, mas conseguiste revirar muita coisa que eu julgava que já não funcionava. De mim soltaram-se, de repente, gritos ousados de quem sente o amor à flor da pele. Nasceram emoções que me fizeram ter vontade de voltar a amar.

E então, descobri que o amor que eu há tanto tempo queria calar, afinal sabia gritar e foram esses gritos que chegaram até ti e te mostraram a tempestade que existia em mim.

De um momento para o outro olhei-me e não me reconheci. Era outra mulher. Procurava o outro lado de mim e encontrava apenas uma mulher apaixonada. Aquela era eu em busca de um amor que me renovava. Era a mulher com desejos que se entregava ao amor sem medo do tempo que já tinha passado e do tempo que ainda estava para chegar.

Quis escolher e não receei o que a vida me estava a entregar. O meu fado, de repente, passou a se amar-te de olhos fechados.

E quando se fecha os olhos só se vê a luz do amor e isso era tudo o que em ti me seduzia. Deixei-me de cânticos triste e passei a cantar só o hino da paixão.

Amar-te não era fácil, e eu tinha consciência disso, mas aquele desejo fazia-me sentir o frio da tentação que me aquecia o coração e me levava até ao céu em breves segundos.

Amar-te era desafiar a vida e fazer com que ela tivesse sentido. Era (re)novar-me com tudo o que o passado me tinha tirado. 

Os dias nasciam agora com sol e as noites embelezavam-se com a lua, que nos faziam companhia. Nunca a vida me tinha feito tanto sentido, e o amor tinha-me posto a flutuar, agora só me apetecia voar.

E o difícil tinha sabor a fácil , por isso não podia desistir de ti!

Acredita, não te esqueci.

Via-te na alma o peso da tua sina!Uma cruz pesada que carregavas nos ombros,mas, tinhas no teu coração a adrenalinade quem todos os dias renasce dos escombros!Podias adormecer nos braços da tristezamas, despertavas t(63).png

 

Se pensas que te esqueci, não me conheces. Tu és uma eternidade, tão eterna quanto a minha vida. Não há espaço para ti no meu esquecimento. Não há borracha que te apague do coração. Nem tempo que te afaste de mim.

Se te deixei partir foi só para te dar espaço. Deixei-te escapar da gaiola quando percebi que eras uma ave que gostava de voar. Não te podia cortar as asas. De nada me valeria segurar-te entre os meus braços, se me fugias por entre os dedos das mãos. De que servia caminharmos lado a lado, se tu olhas para trás para veres outra paisagem.

Foi só por isso que te deixei fugir. Deixei de correr atrás de ti. Cansei-me de te procurar em recantos proibidos. Em terrenos que não eram meus. Fartei-me de pisar o mesmo chão que outras pisavam.

Mas acredita, não te esqueci. 


Apenas te guardei na minha memória, para que sempre pudesses fazer parte da minha vida. A mesma vida que ficou vazia com a tua partida. Só que deixaram de existir sobressaltos e desilusões. Guardei-te nos meus sonhos já sonhados. Aqueles que todos os dias serão lembrados. A eles nada mais se pode acrescentar. São a memória dos bons momentos vividos. É essa a imagem que tenho de ti, a época em que eramos felizes. Por isso te deixei partir, para não sujar a imagem que tinha de ti.

Não te esqueci. Apenas te libertei de um amor a que já não pertencias. Tu voaste nesse céu deixando o rasto da tua felicidade. Eu fiquei aqui plantando as memórias no meu jardim, que apesar de ter menos uma flor continua muito colorido.

Haverá um dia em que vais perceber que nem sempre seguiste o caminho certo. Irás ver então claramente que não era aquele o caminho que devias ter escolhido. Que te enganaste na encruzilhada. Foste levado pela tentação e não soubeste escolher. Olhaste para o céu, mas naquela hora era a estrela errada que te iluminava.

Irás então lembrar-te da nossa história. A história que eu não esqueci. Só que será demasiado tarde para voltares a fazer parte dela. O tempo terá passado. Será um passado de que eu arquivei e nos arquivos do nosso coração não se deve voltar a mexer.

Acredita, que não te esqueci, apenas continuei o meu caminho. 

@angela caboz

A nossa vida poderia ter sido diferente? 

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A nossa vida poderia ter sido diferente?

Claro que sim. Poderíamos não estar aqui agora a chorar, cada qual para seu lado. Poderíamos não estar vertendo rios de lágrimas, que não afogam os nossos erros do passado. Poderíamos não lamentar tudo que deixamos de viver e que não poderemos mudar agora. Por isso, de nada nos adianta gastar o nosso tempo a chorar pelo que fizemos e não podemos corrigir.

Eu errei. Tu erraste. Tu falaste, eu não escutei. Eu pedi a tua atenção e tu espalhaste em mim a solidão. Tu não reparaste na minha tristeza e eu não soube conquistar o teu coração. São as histórias de um passado que nos pertence e que não podemos modificar. Eu tinha tantos sonhos. E tu sempre arranjavas maneira de voar noutro céu.

Hoje dizes-me que a tua vida é um pesadelo.

Então, olha para o passado e vê se me encontras lá chorando por ti. Vê se encontras o pesadelo em que eu vivi. Por certo vais entender o que sentes hoje. E nesse momento, terás o meu perdão. Sei, que vais entender a minha desilusão.

Depois, limpa as lágrimas. Olha em frente e vais ver-me a acenar-te. A enviar-te um beijo com a mão. Será a minha despedida. Sim, eu estou de partida. Vou apanhar boleia do futuro e procurar outra história para viver. Cansei-me de esperar. Cansei-me de te abrir os braços e ficar à espera dos teus abraços que não chegavam.

Não chores o passado, pois ele não volta. Não me mostres a tua revolta. Sabes bem que eu já não estou nessa batalha. Saí antes do duelo final, estava já cansada de lutar. Por isso, agora serás vencedor ou derrotado, dependendo do teu ponto de vista. Quando a tua guerra terminar, eu já não estarei aí. Estarei bem longe de ti. Apenas serei uma pequena marca na tua vida. Pequena mas eterna, jamais te esquecerá que um dia fui tua. Tens o nosso amor tatuado na tua pele. Uma eternidade que não se apaga. Quero que saibas que te amei, mesmo que me tenhas perdido.

Fui sempre a palavra errada na frase que parecia certa. O sorriso tímido de quem não encontrou o amor na estrada que escolheu.

Tudo poderia ter sido diferente? Sim, podia. Mas, a vida quis assim. Fica aqui a minha mensagem eu sigo viagem. Vou procurar a felicidade. Vou procurar quem me saiba amar. Fica com a tua verdade.

@angela caboz

Viver não passa por perder tempo

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Podia desaparecer da tua vida, por um minuto. Podia tentar esquecer-te, durante um dia. Podia prometer que iria partir da tua vida, dentro de um mês. Mas, de que valeriam todos os meus juramentos, se tu sabes que moro dentro de ti há mais de um ano, há mais de uma vida.

Posso dizer-te que vou, mas tu sabes que nem sequer chego a partir. Não aprendi a dizer-te adeus.

A vida só me ensinou a dizer-te “Olá, vim para ficar e não me vais mandar embora”.

Esquecer-te não consta do dicionário que a vida me emprestou, para poder entender aquelas palavras, que por vezes, nos trazem dilemas. E adeus, é uma palavra que eu apaguei desse livro, onde estão anotadas todas as palavras de que preciso para construir a minha felicidade.

Nunca te direi adeus, não gosto de despedidas, já devias saber. Despedidas sabem-me a portas abertas para entrarem feridas. Não gosto de passados relembrados, com gosto a desilusões. Alimento-me de momentos, de dias preenchidos com momentos intensos que me fazem despertar para quem eu sou.

Por isso, te ofereço o meu abraço, para que o nosso amor não tenha prazo, apenas desejo de se repetir a cada minuto, a cada dia, a cada mês que passe por nós sem que reparemos neles. O tempo não nos pertence, ele é filho da vida. Nós apenas lhe vamos dando boleia nesta viagem, em que ele fica a contar quanto tempo já gastou ao nosso lado.

O amor tornou-se um abrigo para as nossas vidas e uma despedida não é algo que se possa encaixar entre nós dois. Eu sei que te pertenço e não duvido que és meu. Não vivemos longe um do outro. Não posso desaparecer, não te posso esquecer. Temos algo mais importante para fazer, precisamos sem demora de viver. Esse sim é o nosso compromisso. Esse é o juramento que fizemos um ao outro.

Viver não passa por perder tempo a pensar no que está a acontecer. A vida é o que acontece enquanto nós perdemos tempo a sonhar. Deixemos que os sonhos sejam a vida e não a deixemos comprometida nas mãos do tempo. Sejamos nós o tempo que temos para viver.

@angela caboz  

Eles acreditam no amor

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Eles continuavam a acreditar no amor. Eles ainda acreditam que o amor pode unir dois corpos, num sentimento que julgam ser único. Acreditam que o amor é divino, que tem a mesma magia da poesia. Que o amor se escreve com gestos que passam para além da fantasia da palavra.

Eles acreditam que o amor pode mudar o mundo. Que pode calar o grito louco da razão que, tantas vezes, nos (des)controla o coração. Que o amor apaga sofrimentos e faz do desejo o seu único alimento.

Eles ainda acreditam que podem os dois escrever um poema, que ninguém saberá ler sozinho. Eles gritam ao mundo que ninguém ama sozinho e o amor deles é pura poesia. É um balde de água fresca numa manhã de Verão e um chá quente numa tarde de Inverno. É chocolate quente numa noite amena de um Outono tardio. Numa noite em que juntos acendem a lareira antes do tempo, só para poderem ficar a ver o fogo que lhes ilumina a paixão que lhes veste o coração e lhes despe os corpos, que sem pudor se amavam ali mesmo.

Eles sabem que poderão ser os últimos a acreditar no amor. Ela sente o calor da mão dele que se perde entre os seus dedos frágeis dela, procurando respostas num olhar meigo de quem quase nada precisa dizer para deixar transparecer a paixão que sente. Ele cala-lhe as dúvidas com um beijo quente, que lhe escreve a poesia do amor nos lábios sedentos de aventura. E ficam ali, perdidos, entre o ontem que lhes trouxe este amor e o amanhã que lhes promete novos sonhos.

São apenas dois resistentes que jamais se darão por vencidos. O amor vive entre eles e nunca é esquecido. Nada prometeram um ao outro. Não fizeram juramentos, nem assinaram compromissos. Não precisam de alianças, nem de assentos de casamento. Não terão que justificar ao mundo aquele amor que lhes pertence. Não sentem necessidade de dar justificações, para emoções que são só deles e que não precisam de partilhar com quem não faz parte da história.

Eles acreditam no amor e procuram pela eternidade, que lhes permita acreditar que nunca conhecerão a separação. O amor existe naquela casa, onde a poesia vive entre eles num espaço apertado de um abraço, que nunca é negado. O abraço que trocam todos os dias ao anoitecer, quando se despedem com um até já, sem que se separem, mas apenas porque deixam que os seus corpos adormeçam por umas horas.

O amor é esse castelo em que eles se tornam réis. Eles acreditam no amor e não há dor que lhes chegue. Estão convictos de que a história deles é muito mais do que um conto de fadas. É mais uma realidade que não receiam viver, porque quem se alimenta de amor jamais pensa em sofrer.

@angela caboz  

Outono

 

 

 

outono.jpgO Outono chegou
Tingiu as folhas das árvores,
que vão ficando despidas.
Há folhas caídas, por este chão que piso.
Há silêncio nas ruas por onde caminho.
Faltam as gargalhadas das crianças.
Faltam as cores
dos sonhos sonhados nas tardes de Verão,
e nas noites em que o calor da ilusão
nos fazia acreditar
que nunca seria Inverno nas nossas vidas.

O Outono chegou,
fechou a porta do calor.
Trancou a janela, por onde saltava o amor.
E a vida, ficou despida ,entregue à solidão.

A flor secou. O silêncio gritou.
A lágrima transforma-se em chuva.
O vento frio traz com ele o medo.
Rouba-nos a coragem.
Faz-se desta estrada o fim da viagem.

A casa está cheia, mas já não é Verão.
A casa está cheia daqueles
que com o tempo também partirão.

E, eu olho-me no espelho e vejo o Outono.
Há rugas no meu rosto
Folhas deste meu viver espalhadas pelo chão.
Há medo naquela face
Memórias de quem já viveu
e hoje se deixa levar pela solidão.

Batem-me na porta.
Deve ser o Inverno. Não vou abrir.
Ainda é cedo para ele chegar.
Ainda não aceitei a chegada do Outono!
Já ele quer entrar.
Que vá dar uma volta e regresse mais tarde.
As minhas gargalhadas ainda não adormeceram
e o Inverno vai mesmo ter que aguardar.

Quero que seja Outono, até o medo me matar.
Quero que seja Outono
Sem nunca me conformar que o tempo um dia vai acabar…

@angela caboz

A vida vive-se agora

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A distância entre nós dois é tão grande que quando me abraças me sinto a viajar entre dois mundos. Navego entre a minha insegurança e o teu medo; fujo dos meus fantasmas e encontro-me com a tua frieza. Quando finalmente os nossos mundos se tocam eu vejo surgir um fogo-de-artifício que desenha no céu escuro corações coloridos, com as cores intensas do nosso amor.

E da distância se faz a proximidade, naquele instante eu sou tua e perco na imensidão do teu abraço que se torna pequeno para a dimensão da minha paixão. Vejo marcas vermelhas do meu bâton espalhadas na tua pele, desenhando o percurso dos meus lábios no labirinto dos músculos do teu corpo.

São pequenas tatuagens feitas com a tinta das emoções que saltam do meu corpo à velocidade do desejo que tu lhes provocas, só por ficares ali imóvel olhando para a minha alma que te recita a poesia dos sentimentos.

Sorris, com aquela malícia de quem sente a felicidade em todos os poros da sua pele, quando sentes as minhas mãos impacientes procurando pelo teu corpo já sem roupa, uma tempestade de sensações demasiado forte que voam na tua direcção.

E tu ficas ali à espera para veres saltar de mim a mulher atrevida e ousada que eu sempre tentei esconder. Aquele pequeno diabinho que mora neste corpo de que tu tanto gostas, e que sabes que sempre aparece depois de tu o teres abraçado.

Tu sabes, sabes que me provocas mais desejo quando ficas à espera de que eu te surpreenda, fazes-me viver a ilusão de não precisar de sonhar, porque a vida se vive daqueles de momentos de felicidade em que tu estás junto de mim.

A vida vive-se agora, agora que te sinto nos meus braços.

 

@angela caboz

Esquina do tempo

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Encontrei o teu abraço na esquina do tempo.

Quando dois braços me trouxeram todo conforto que me faltava. Senti-me a estremecer quando me olhaste e sem uma única palavra me pediste para escutar o que o teu coração tinha para me dizer.
Nessa tarde, o dia esticou-se para além do tempo, e até o gato preto, que vivia escondido no teu quarto, resolveu ir passear para não ter que ouvir os nossos gritos silenciosos.
Nessa tarde, que nunca chegou a ser noite, tu viajaste por tudo o que eu sou e perdeste-te em cada curva, para escutar todas emoções que pediam para ser ouvidas pelas tuas mãos, que andavam perdidas na minha pele arrepiada.
Nesse dia, que já procurei no calendário que o tempo me roubou, aprendi a magia de me sentir amada.
Ali, naquela esquina do tempo a vida deu uma trégua ao meu sofrimento, deixando que o teu amor me fizesse sentir uma princesa. No trono da tua paixão fechei os olhos às minhas dores e deixei que me entregasses o amor com que sempre sonhei.
Já voltei a essa esquina, mas nada lá encontrei, nem sequer as migalhas desse amor que ficou entranhado em mim, quando partiste.
Talvez tenha sido só um sonho e nunca as tuas mãos me tenham tocado.

 

@angela caboz

Amar-te é não dar espaço à saudade

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Saudade é mais do que recordar o teu abraço. Ou, lembrar-me do sabor do teu beijo. Saudade é acordar a meio da noite sozinha e sentir-te ali comigo. Não te ver na cama e sentir as tuas mãos à volta da minha cintura.

Saudade é às três da manhã sentir-me perseguida por uma insónia, que me tortura e me rouba o sono. E num acto de loucura, vestir a primeira roupa que encontrar no roupeiro, sem me preocupar se estou bem ou mal vestida. Fechar a porta à pressa, sem verificar se apaguei as luzes, que fui acendendo por onde passei. Entrar sem saber como no carro. Lembrar-me de que nem coloquei perfume, mas a saudade já não dá tempo de volta a casa. Seguir sem rumo certo pelas ruas desertas da cidade, em que os normais dormem o sono da beleza. Enquanto eu, vou para onde a loucura me leva. De repente olhar para o número 10 de uma rua, de que nem sei o nome e saber como estou em frente da tua casa. Olhar para a porta e perceber que tu já a abriste, ainda antes de eu ter chegado. Sair do carro e não fechar a porta, tanta é a urgência em te abraçar.

Saudade é isso, esta urgência de não sentir saudade. A urgência de matar esta vontade de te beijar. Esta vontade de gritar ali mesmo à porta da tua casa que te amo loucamente. Não ter receio de acordar os teus vizinhos a meio da madrugada. Voltarmos juntos para fechar a porta do carro, perdendo a conta ao número de beijos que demos pelo caminho. Regressar ao teu colo, sem ter a noção de ter subido os degraus da escada, por estar distraída com as promessas de amor que te ia fazendo ao ouvido.

Saudade é amarmo-nos no teu quarto, que de repente me parece pequeno demais para o tamanho do nosso amor. Mas que importa isso, se o que quero mesmo é ficar ali no espaço apertado do teu abraço. Ficar ali a escutar o teu coração a bater no meu peito e respirar o teu ar que desenha remoinhos de paixão na minha pele.

Saudade é acordar com o cheiro da tua pele na minha roupa, que está espalhada pela casa. Sentir o perfume do nosso amor por todas as divisões e, quem sabe até no jardim lá fora. Vestir-me com o meu melhor sorriso, descer as escadas descalça, seguindo o cheiro do café que tu estás a preparar para nós dois. Sentar-me à mesa, disfarçando a minha nudez com a flor que coloco no cabelo, a rosa azul, que foste comprar na florista ao final da rua e que me querias oferecer ao pequeno-almoço.

Saudade nunca poderá um sentimento triste, porque ela me lembra que o nosso amor existe.

Saudade é não ter tempo para sentir saudade. É escutar um amo-te, ainda antes de eu ter tempo de sair para trabalhar, com a roupa amarrotada que trouxe ontem. Reparar que as calças não condizem com a camisola e que as sandálias não são o calçado perfeito para uma manhã de Inverno, mas já não me sobrar tempo para passar em casa. E sem alternativa, terei que ir trabalhar com a loucura do amor ainda estampada no meu rosto.

Saudade é receber uma mensagem tua, quando acabo de fechar a porta com um convite para que logo à noite a loucura se repita. Amar-te é isso, é não ter espaço para que existam saudades entre nós dois.

 

@angela caboz

Tens saudades minhas?

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Tens saudades minhas? É isso que o teu amor tem para dizer ao meu coração?

Então diz-me, porque te escondes por entre as teias da saudade. Para que dás asas ao tempo para que eu não me lembre de ti.

Partes e fechas a porta atrás de ti. Não deixas que eu corra na tua direcção. Não deixas rasto na estrada, para que eu te possa seguir. Não fazes sinais de fumo para que eu descubra onde estás.

Tens saudades minhas?

E porque não viras as costas ao mundo, que não te faz sorrir, para vires ao meu encontro. Deixa esse mundo que te prende e não te faz feliz. Deixa de viver amarrado ao tempo que não te permite voares.

Amar não é ter saudades. Amar é suicidar as saudades. Rasgar as lembranças. Apagar as memórias. Amar é pintar desejo na pele de quem amamos. É não dar espaço a outras opções. Amar é viver para o amor.

Se tens saudades minhas, não fiques aí a olhar para a minha foto. Ela é apenas uma tela com a minha imagem. Vem provar o sabor desse sorriso, que te aviva a memória de cada vez que olha para a foto. Vem perder-te nos braços que estão esticados na tua direcção. Não deixes que eles se esqueçam da dimensão do nosso abraço.

Faz o sonho acontecer. Enterra os fantasmas no jardim da tristeza. Vem ter comigo. Eu digo-te ao ouvido como podemos acabar com as tuas saudades.

Sim eu digo-te, mas é segredo. Só pode ser dito ao ouvido. Vem, vamos acabar com as tuas saudades. Vamos viver as nossas realidades.

Sou tua. Ama-me. Sacia o teu desejo de mim. Alimenta-te desse amor que transborda de ti. Serei tua. A tua companheira nessa paixão que te atacou como se fosse uma tempestade. Serei capaz de morrer por ti. De morrer de amor por ti. O amor é isso mesmo. Ser capaz de morrer, só para não te perder.

Sou tua. O amor é tudo o que temos. É esta fome de que sofremos. A minha vida é o sonho de a partilhar contigo. O desejo de que me aqueças nos dias frios e me arrefeças nas noites escaldantes. Sou tua. Sou o vento forte que sopra sobre as tuas emoções. A brisa que te gela o corpo e que te faz implorar pelo calor da minha pele.

Sim, eu sou a eterna tempestade que te atormenta. Sou como que um vulcão. Tudo em mim é mau tempo. A minha alma é um mar revolto, onde as ondas da paixão são o único alimento deste corpo.

E eu, estou grávida do amor que sinto crescer dentro de mim, este furação que chama pelas tuas mãos. É como dar vida a um desejo, que faz bater o teu coração a esse ritmo tão acelerado. Uma paixão que tu não sabes calar e que eu só quero aproveitar.

Tens saudades minhas? Então porque esperas, pára de olhar para a foto. Ganha coragem e viaja até aos meus braços.