Destinos invertidos

Ana era sonhadora!

Procurava-se no avesso do sofrimento, para se poder despir de todos os seus lamentos.

Era uma mulher que distribuía amor aos outros. Procurava a emoção de sentir na sua pele um arrepio quente provocado pela tentação de uma paixão correspondida.

António estava habituado a espalhar a tentação por onde passava. Costurava promessas de amor com as palavras a que dava cor para atrair as mulheres por quem o seu corpo gritava.

Não conhecia o significado da palavra amor, mas tão somente a inquietação que o desejo lhe provocava, a ponto de não resistir a lançar-se na conquista de quem o seu olhar escolhia.

Ana andou pelas ruas da vida procurando por um sonho colorido e acabou nos braços desse bandido que lhe cantou uma melodia que ela nunca tinha escutado.

Foram uma história inacabada, para a qual a vida não escreveu um final!

Eram almas opostas. Eram corações que nãos se escutaram. Dois corpos que se vestiram com o desejo dele e que não se encontraram nos sonhos dela.

Foram uma ilusão que em pouco tempo ficou (des)colorida. O vento quente dele empurrou para longe toda a fantasia que ela tentou costurar para os (des)tapar quando o seu olhar se perdeu nas curvas dela.

Depois do calor do momento aqueles corpos imperfeitos ouviram as suas almas sábias e perceberam que a paixão tinha gerado um amor intemporal, que a tempestade do destino se encarregou desfazer.

Partiram de uma tentação, que poderia ser uma história nascida num tempo (in)certo que tropeçou num sentimento que não existia. Uma tentação que ele estava habituado a alimentar, mas a que ela não quis dar asas, preferindo continuar a sonhar sozinha.

Aqueles dois nasceram antes do tempo e viveram histórias que foram interrompidas por acasos que não estavam escritos naquele livro que ela escrevia e que ele não foi capaz de ler, por estar escrito num idioma que ele não entendia. Eram capítulos de história diferentes e destinos por (re)definir.

@angela caboz

A dor vai passar

Maria, vai ficar bem!
Ela sabe que o sofrimento não a vence e que a tristeza jamais a convence.
As lágrimas que lhe vejo neste momento são o pó da mágoa por recordar uma despedida. São a água que irá lavar cada um dos lamentos que ali se querem instalar.
É sempre desta forma que a vida nos mostra o quanto somos fortes.
É nesses momentos dolorosos, em que pensamos em baixar os braços, para nos entregarmos ao desgosto, que entendemos que há uma luz azul [ só porque quero ser diferente] que desenha ondas de esperança nos nossos sorrisos.
Nessas horas aparecem aqueles braços invisíveis, filhos de um destino em que sem sabermos como acreditamos, e do nada somos empurrados para a frente. Somos obrigados a continuar a viver esta vida que ainda têm tanto para nos surpreender.
Maria vai ficar bem, por mais que a razão lhe diga o contrário.
Ela olha para trás, para o passado que dividiu com esse de quem só lembra o nome. Procura por uma última (in)certeza que possa ter lá ficado esquecida. E de repente ouve uma voz interior que lhe grita dizendo que a sua força é maior do que a dor que um falso amor lhe ofereceu na despedida.
Ela vai ficar bem porque nada lhe compensa continuar ali a chorar, deixando que eu lhe veja o sofrimento a soltar-se dos seus olhos, quando a vida se reinventa à sua volta.
Não lhe compete a ela antecipar tudo o que está para chegar acreditando que foi feita para sofrer. Resta-lhe a gratidão de viver e aproveitar tudo o que lhe pertence, esquecendo quem quis ficar nesse passado em que foi feliz.
E agora, é o perfume dessa felicidade que vai fazer com que as memórias que estão a nascer seja algo que não quer esquecer.
Tudo vai ficar bem com Maria, porque a dor que a feriu ficou no passado em que um adeus colocou o ponto final num amor que ela queria arrastar até ao futuro.
Chorar nunca será a solução para calar aquele sofrimento que irá morrer com o tempo.
Maria voltará a sorrir e entenderá que a vida nunca lhe fecha a porta, porque sempre deixa uma janela entreaberta para que o amor possa voltar trazendo-lhe motivos para sorrir.

@angela caboz

Sorri-te mulher

Sorri-te mulher
Pelas muitas memórias que carregas em ti!
Por todas as cicatrizes que não precisas de curar.
Pelos imensos sorrisos com que arrasas as tristezas
e pelas melodias que vais cantando
enquanto o sofrimento te ronda…

Sorri-te
Pelos que decidiram ficar pelo caminho
Uns por força do destino, outros por vontade própria
Pelos que riscaste da tua história
e pelos que te quiseram apagar da memória.

Sorri e não esperes
que eles voltem desse passado
que tantas vezes já quiseste apagar.
Olha-te
e apaixona-te por ti…

Tens em ti tudo o que precisas para sorrir
até para quem deixou de gostar de ti,
dizendo-te com desprezo
que os anos te pesam
ou que, as tuas curvas já não seduzem.
Ainda tens toda essa beleza na alma,
A beleza que poucos vêem e só alguns sentem
e por isso mesmo sorri
até mesmo quando te apetece chorar.
Olha para o teu lado
e lá estará quem nunca deixa de te amar.

@angela caboz