Ela amou-o

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Helena amou-o por tudo o que quis ver nele. Amou-o à sua maneira, numa paixão que crescia ao sabor das promessas que Bruno deixava no ar. Ela ouvia declarações de amor onde só o vento soprava e acreditava que os silêncios dele eram gritos de amor.

Aquele era um amor quase (im)perfeito com ela tinha sonhado e que a vida lhe emprestava para que ela por breves momentos pudesse saborear uma paixão que lhe calava a razão.

Ela amou-o como sabia. Amou-o como sentia que se deve amar alguém. Amou-o como podia e como desejava ser amada.

O amor que dava a Bruno era o eco de tudo o que o seu coração gritava. Aquele amor era a voz do seu corpo, que em silêncio lhe implorava por emoção. Por isso é que ela ouvia em cada palavra que ele lhe sussurrava ao ouvido um grito de amor que nada mais era do que o desejo que o fazia perfeito aos olhos de quem o amava e não via a transparência da realidade.

Bruno não a amava. Bruno desejava-a. Ele queria saciar o seu desejo naquele corpo que o tinha seduzido. Queria nadar naquele mar de emoções e ensinar-lhe o que é ousadia e atrevimento.

Ele queria despertar-lhe tentação e fazer dela uma mulher sem pudor que o amasse, noite após noite até que ele se cansasse daquela paixão.

Ele vivia para se divertir e aproveitava a vida sem pensar em nada, nem em ninguém. Nada lhe prometeu, foi ela que leu sentimentos nas frases que ele sempre usava para levar as suas conquistas à perdição.

Foi assim que o amor lhe deu asas, levando-a por caminhos que ela não conhecia. Perdeu-se numa história que jamais esquecerá e ele ficou até ao dia em que ela lhe perdeu o rasto. Até ao dia que procurou por ele e encontrou a sua cama vazia. No dia em que o procurou pela casa e sentiu que já só existia o sonho de um amor que tinha o nome e o perfume dele.

Ainda hoje não sabe para onde ele foi, nem sequer sabe ao certo em que dia ele partiu. A única coisa que sabe é que aquela paixão lhe fez uma ferida, mas o amor ensinou-lhe o que era sentir-se amada.

Continua a alimentar a ilusão de que um dia ele pode regressar, para continuar a amá-la. Se esse dia chegar ela vai mostrar-lhe o que é ser ousada e atrevida e vai agradecer-lhe por tudo o que ele foi, sem saber que era.

Pode parecer controverso mas Helena sofreu por amor e ao mesmo tempo aprendeu o que era amar, enquanto Bruno um mestre na arte de seduzir terá muito que aprender sobre a simplicidade de amar. Talvez por isso ela alimente a ilusão de que ele vai voltar para lhe poder ensinar que o amor são os pequenos gestos que tornam a felicidade possível.

@angela caboz

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