Encontro de almas

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Ela procurava-o nas ruas movimentadas de uma cidade desconhecida.
Procurava-o no meio de uma multidão, onde todos os rostos lhe pareciam iguais.
Não se lembra se fazia frio, ou se estava um calor abrasador. Não sabe dizer que dia da semana seria, nem sequer se lembra do mês.
Para que se iria ela preocupar com esses pequenos detalhes se o que procurava era um grande amor. Para que iria continuar a pensar em pequenos nadas como aqueles em que se habituara a viver, sem que reparasse nela, se tudo o que sonhava era ter um amor que a amasse pelo que ela não mostrava a ninguém. Que importância poderia ter o clima ou calendário quando tudo o que a movia era o rasto de tudo o que lhe faltava na vida.
Hoje até poderia ser o último dia da história do mundo onde ela vivia. Podia chover de noite e dia. Podiam secar-se todos os rios e até podiam nascer aves nos jardins e flores exóticas no céu.
Nada disso a iria impedir de seguir em frente no rasto da sua intuição que lhe dizia que ele estava próximo. Estava decidida a procurar por todos os recantos naquele dia. Tinha decidido que iria até ao fim do mundo e voltaria, se preciso fosse, por ter a certeza de que iria encontrar o amor.
Os seus pés sabiam que terreno pisava, eles já estavam habituados às feridas que a vida lhes tinha feito, desenhando-lhe cicatrizes que escreviam a sua história. Nada mais ela temia, e por isso, tinha deixado o seu espaço de conforto para procurar algo que lhe pertencia, esse amor que ela ainda desconhecia.
Seguiu por ali, no rasto do amor que lhe acenava de longe, mostrando-lhe onde estava o que lhe faltava. E foi ao encontro desse sentimento que ela partiu. Havia uma ilusão que lhe vestia o coração e com um simples abraço, feito de palavras, com que sempre sonhou, seguiu a sua ilusão e foi por aí.
Deixou no seu canto amordaçada a razão, que tantas as vezes a ensurdeceu, deixando a sua alma louca. Tantas vezes a razão lhe disse que tinha nascido para sofrer e que jamais tocaria no amor. A razão que lhe jurava que o amor não queria nada com ela e que o melhor era acostumar-se ao sofrimento. Insatisfeita ela virou as costa ao certo e partiu rumo ao incerto. Se o destino lhe tinha dito em sonhos que o amor existia e esperava por ela, não seria agora que iria desistir de o encontrar.
Olhou à sua volta e o vento do desconhecido soprava-lhe contra a cara. Havia nuvens de incertezas e ondas de desespero à sua volta. O vento tinha-a arrastado para aquela estrada onde as migalhas de dúvidas lhe cobriam agora os pés.
Olhou à sua volta e a coragem disse-lhe:
– Vai em frente mulher forte, depois de dares o primeiro passo a dor desaparece!
Sim se ali estava e já lhe sentia o cheiro era porque o amor estava cada vez mais próximo dela.
Os rostos pareciam-lhe todos iguais, os corpos eram ligeiramente diferentes. Uns mais altos e outros mais baixos, uns mais gordos e outros demasiado magros.Era tudo uma questão de imagem e não era isso que ela procurava. Ela sabia que a sua intuição não a iria enganar e que quando as suas almas se olhassem nada mais os iria separar.
Deu alguns passos para a direita, depois mais alguns para a esquerda. Caminhou sem sentido pelas largas avenidas da quais nem sequer se lembra do nome. Dormiu ao relento e conversou com a noite, discutiu com a lua e pediu ajuda às estrelas. Perdeu a conta aos dias que se passaram e a fome fez-lhe esquecer muitas das suas agonias.
Procurava um corpo que fosse a imagem perfeita para o amor, um corpo ainda sem nome e sem rosto.
E mais uma vez, a vida a surpreendeu porque foi numa tarde sem sol, enquanto andava distraída por uma rua sem saída que o amor lhe apareceu à frente.
Ficou ali a olha-la enquanto ela dormitava cansada na soleira da porta de uma casa que já não tinha dono. Estava exausta de procura-lo e nem sequer reparou que a vida o tinha plantado ali à sua frente.
Acordou antes da lua ter nascido e os seus olhos verdes perderam-se na intensidade do olhar do amor que a cumprimentou, tal como ela costumava ver nos seus sonhos. Quem estava ali à sua frente não era um desconhecido qualquer, era o amor que ela procurava e que agora a observava surpreendido com a pureza do seu sentir.
Olharam-se sem falar e falaram tudo sem nada dizer. Deixaram que o destino acontecesse, tal qual estava escrito.
Amaram-se ao ritmo do amor que traziam em si desde que se conheciam. Não pensaram na felicidade, apenas quiseram viver aquela realidade.
A história um dia irá dizer se foram ou não felizes para sempre, por agora eles apenas querem viver o amor que tanto procuravam.

 

@angela caboz

A vida …

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O tempo protege os apaixonados. 

O relógio fica a contempla-los e as horas deixam de fazer sentido. O tempo que se crê infinito deixa de ter valor para quem está apaixonado. 

Apaixonei-me por ti, na primeira vez que nos cruzamos. 

E quando foi isso, perguntas-me tu. 

Que importa isso agora se te amo desde sempre. São apenas dois números e uma palavra a que chamam data. Serão quatro algarismos que determinam uma hora. Mas, eu olhei-te e apaixonei-me e partir dai o tempo deixou de fazer sentido.

O mundo que todos dizem ser redondo tem a forma que o amor lhe dá. O amor não gosta de cantos e perde-se nas curvas arredondadas do corpo por quem se apaixona. 

Esse mundo que deixou de ser interessante no dia em que te encontrei. Tu passaste a ser a flor mais linda do meu jardim e o meu jardim passou a ser um mar de flores onde cada uma tem o nome que lhe quisermos dar. 

A vida já removeu tantas pessoas do meu caminho. Já os fez seguir outros destinos. 

A vida já me mostrou que só está comigo quem quer. Os que me confortam e os que eu quero confortar. Os que  me amam e os que eu quero amar. 

A vida faz-se com estas pessoas que são o meu porto de abrigo. A vida planta essas flores lindas no meu jardim, e afasta os outros como se fossem ervas daninhas. Como se fossem uma praga que pode destruir este paraíso.Mas, no meio do meu jardim estás tu. Tu que és uma flor diferente, uma flor que se distingue de todas as outras. 

E eu olho-te, e o teu olhar abraça-me. Eu sonho-te e os teus sonhos amam-me. 

E quando te tento tocar. Quando te procuro para te abraçar, tu foges. O teu corpo está lá, mas a alma, essa anda a milhas de distância. Eu escuto o teu coração que me fala em amor. Escuto o seu silêncio, tão próximo que até dá para ouvir a tranquilidade da tua alma que vive em união de facto com quem eu sou. As nossas almas entendem-se na perfeição.

Só que existe entre nós o ruído da razão que te afasta sempre que eu me aproximo. O vento das palavras que não dizes e que são a tempestade do que não vivemos. Este amor que sentimos e que tu empurras para onde eu não consigo chegar. e que acaba por se perder nas horas que nos impedem de viver tudo o que eu sempre sonhei.

A vida avisa-me, e eu que não escuto os seus avisos. A vida diz-me que este caminho não foi feito à minha medida. E eu feita tola digo-lhe que não tenho tempo a perder porque tenho que te amar. 

@angela caboz

Foste o beijo perfeito…

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Foste o beijo perfeito…
Foste o beijo perfeito que, na realidade, ainda não tinha dado!
O beijo com que sempre sonhei, julgando que não seria mais do que uma ilusão, plantada por uma criança no jardim da vida. Foste o beijo que me despertou para a vida, fazendo daquela gaiata sonhadora uma mulher ousada; a mulher que provou o sabor do amor, ainda antes de te ter beijado.
Serás o amor certo, que chegou, enquanto eu distraída, procurava pelo meu passado nas ruas do futuro.
Serás o amor que se fez presente, sem que eu tenha reparado na sua chegada.
O amor que me encontrou na esquina onde o meu medo sempre morou, e foi esse amor que afastou todos os fantasmas que me impediam de ver o sol que brilhava no outro lado do mundo.
Acasos que são certezas validadas pela vida, em momentos que nos encontramos sem nada procurar.
Foste a realidade que me esperava na porta de um sonho que já não me pertencia.
Um sonho que partilhamos, no instante em que o teu abraço me provou que a vida não dorme.
Somos nós, que por vezes já cansados desta batalha, deixamos de lutar e então a vida empurra-nos para o meio da arena onde a batalha continua à nossa espera.
Foi por isso, que um dia ele lhe disse:
– Quantas coisas já perdeste por medo?
E ela pensou, e em silêncio respondeu-lhe:
– Chegou a hora de usares a tua chave para abrires estas algemas!
Ele olhou-a, olhos nos olhos e disse-lhe carinhosamente:
– Tens a certeza de que queres ser livre?
Em silêncio ela deu um passo em frente e abraçou-o.
Ele entendeu a sua resposta, e sem mais perguntas, agarrou-lhe a mão.
– Anda a vida espera por nós.
Tenho um beijo guardado para ti à uma eternidade, chegou o momento certo para o receberes.
@angela caboz

Doces (in)realidades!

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Todas as palavras que pensei, um dia, dizer-te me parecem agora poucas.

Todas as frases, que ensaiei durante meses, agora já não me fazem sentido. O sentimento de ontem, tem hoje uma intensidade diferente, e por tudo isso, o que tinha pensado dizer-te hoje, depois do nosso primeiro abraço, deixou de estar actualizado.

Tinha pensado dizer-te que te amava. Só que dizer-te que te amo era pouco, e agora já nada adianta. Essa era uma frase de ontem, a que hoje nada tenho para acrescentar. Era uma frase para te surpreender, e afinal, fui eu que me surpreendi. São assim os sentimentos. Eles, de repente, superam-se. Uns minutos a mais e parecer que o amor desaparece. É como viver um novo capítulo da nossa história que a vida está constantemente  escrever por nós.

Acabei de abraçar! Finalmente chegou a nossa hora. E agora, o abraço que há tanto tempo estava prometido, nada mais é do que um passado esquecido.

Finalmente o nosso primeiro abraço. Esperei tanto tempo por ele, que agora, que me vesti com os teus braços, refrescando-me com o calor da paixão que me ardia no corpo, descobri que o que nos une é apenas o frio da ausência.

Vesti-me com o teu abraço e desenhei-te um beijo eterno nos lábios, para que não restem dúvidas de que a tua boca um dia chegou a ser minha, por mais que saiba que este foi o primeiro e o último beijo das nossas vidas.

Fiquei tua, por breves segundos e sozinha para a eternidade.  Tive nos braços a liberdade de sentir o amor a percorrer todo o corpo, para de seguida sentir na pele a chuva fria de uma despedida.

Senti-te meu, na proximidade desse sentimento, que durante meses a fio me prometeste. Fomos vidas perpendiculares, que finalmente se cruzaram, para logo de seguida escolherem rumos diferentes. Estiveste a meu lado e senti-te dentro de mim. Contigo encontrei a paz e o desassossego.

Assim são, por vezes, os amores, chegam sem vontade de ficar. Fazem-nos correr para ponte da ilusão, fazem-nos acreditar que vamos directos para a sala das realidades, e depois mostram-nos a porta de saída. Agora que toquei o amor, agora que lhe sentir o sabor e que me vestir com as suas cores, posso dizer que sei o que dói amar sozinha e acordar, sem vontade, para a triste realidade de não te sido amada.

Chegaste e o pedido era para que não partisses, mas tu, sem uma única palavra disseste um adeus que me deixou o coração a sangrar.

Todas as palavras que fui guardando para ti, não são agora necessárias. Para quê? Para te dizer tudo o que sinto, e que o teu coração não quer escutar.  Afinal são apenas frases de ilusão, que nunca se irão  tornar em doces realidades.

 

@angela caboz

Esta, sou eu, só assim sei amar.

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Eu sou assim, tal e qual como os teus olhos me vêem. Simples e complicada ao mesmo tempo. Insegura e pura, mas por vezes sensual e atrevida.

Transformo-me consoante o chão que piso, para não ser pisada pelo mundo que não me compreende. É este o meu jeito de ser. É esta a mulher que a tua alma entendeu, ainda antes de os teus olhos a terem contemplado.

Esta, sou eu, sem tirar nem pôr. Vivo assim, à minha maneira. Vivo ao ritmo dos meus sentimentos. Escuto a voz do coração, ouço a música dos meus sonhos.

Tento fazer com ela uma equação que me mostre o caminho certo para chegar a quem sorri para mim, sem que lhe conheça o rosto. A quem me estica os braços, num gesto de conforto, para que os meus dias deixem de ser cinzentos. A quem me protege dos ventos gélidos do sofrimento, escondendo-me num abraço de almas que se conhecem desde sempre.

Aprendi a moldar o meu coração, deixando que seja ele a ter a última palavra. A decisão final é sempre dele. Mas eu ensinei-lhe que só devemos compartilhar sorrisos com quem nos empresta abraços. Que as lágrimas se dividem com quem nos oferece um ombro para chorar. É isso, que faz com que cada momento seja único. Que cada segundo valha a pena viver, para podermos compartilhar a vida com quem nos quer acompanhar.

Esta, sou eu, só assim sei amar.

Descobri um dia que as noites não tinham de continuar a ser tristes. Que nelas também pode existir emoção. Que podemos escutar os cânticos da felicidades se souber dar as mãos aos nossos sonhos e desenhar a rota certa para o futuro.

Quem nunca pecou, não sabe o que é o amor. Jamais viveu. É apenas um defunto que se arrasta pela vida.

Só quem não provou o gosto do amor, pensa que amar é crime. É com essa esperança que caminho pelos prados da vida, onde o amor me espera. Esta, sou a que para o amor nasceu!

@angela caboz 

Amar-te não era fácil

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Se o amor fosse fácil nunca te teria amado. 

Não me teria deixado levar pelo encanto de querer acordar nos teus braços para descobrir os mistérios que tu escondias e que deixavam a minha alma aos saltos.

Amei-te por que senti o cheiro forte da emoção. As tuas palavras despertavam o meu coração. Porque tudo em ti me deixava com vontade de avançar mais um passo a tua direcção. O mistério que te envolvia era a magia que eu precisava para acordar do pesadelo que até então não se descolava da minha vida.

Fui levada por essa tentação que me fez seguir por este caminho sem ter medo das pedras pontiagudas que por ali vi. Tive consciência que podia ferir os meus pés, mas mesmo assim não desisti. O difícil sempre me seduziu. Tu parecias o rei da sedução, portanto nunca poderia deixar de querer experimentar tudo o que o teu olhar misterioso escondia.

E com o teu, nosso, amor vieram as recordações que eu tinha tentado esconder. Tu chegaste sem avisar, mas conseguiste revirar muita coisa que eu julgava que já não funcionava. De mim soltaram-se, de repente, gritos ousados de quem sente o amor à flor da pele. Nasceram emoções que me fizeram ter vontade de voltar a amar.

E então, descobri que o amor que eu há tanto tempo queria calar, afinal sabia gritar e foram esses gritos que chegaram até ti e te mostraram a tempestade que existia em mim.

De um momento para o outro olhei-me e não me reconheci. Era outra mulher. Procurava o outro lado de mim e encontrava apenas uma mulher apaixonada. Aquela era eu em busca de um amor que me renovava. Era a mulher com desejos que se entregava ao amor sem medo do tempo que já tinha passado e do tempo que ainda estava para chegar.

Quis escolher e não receei o que a vida me estava a entregar. O meu fado, de repente, passou a se amar-te de olhos fechados.

E quando se fecha os olhos só se vê a luz do amor e isso era tudo o que em ti me seduzia. Deixei-me de cânticos triste e passei a cantar só o hino da paixão.

Amar-te não era fácil, e eu tinha consciência disso, mas aquele desejo fazia-me sentir o frio da tentação que me aquecia o coração e me levava até ao céu em breves segundos.

Amar-te era desafiar a vida e fazer com que ela tivesse sentido. Era (re)novar-me com tudo o que o passado me tinha tirado. 

Os dias nasciam agora com sol e as noites embelezavam-se com a lua, que nos faziam companhia. Nunca a vida me tinha feito tanto sentido, e o amor tinha-me posto a flutuar, agora só me apetecia voar.

E o difícil tinha sabor a fácil , por isso não podia desistir de ti!

Acredita, não te esqueci.

Via-te na alma o peso da tua sina!Uma cruz pesada que carregavas nos ombros,mas, tinhas no teu coração a adrenalinade quem todos os dias renasce dos escombros!Podias adormecer nos braços da tristezamas, despertavas t(63).png

 

Se pensas que te esqueci, não me conheces. Tu és uma eternidade, tão eterna quanto a minha vida. Não há espaço para ti no meu esquecimento. Não há borracha que te apague do coração. Nem tempo que te afaste de mim.

Se te deixei partir foi só para te dar espaço. Deixei-te escapar da gaiola quando percebi que eras uma ave que gostava de voar. Não te podia cortar as asas. De nada me valeria segurar-te entre os meus braços, se me fugias por entre os dedos das mãos. De que servia caminharmos lado a lado, se tu olhas para trás para veres outra paisagem.

Foi só por isso que te deixei fugir. Deixei de correr atrás de ti. Cansei-me de te procurar em recantos proibidos. Em terrenos que não eram meus. Fartei-me de pisar o mesmo chão que outras pisavam.

Mas acredita, não te esqueci. 


Apenas te guardei na minha memória, para que sempre pudesses fazer parte da minha vida. A mesma vida que ficou vazia com a tua partida. Só que deixaram de existir sobressaltos e desilusões. Guardei-te nos meus sonhos já sonhados. Aqueles que todos os dias serão lembrados. A eles nada mais se pode acrescentar. São a memória dos bons momentos vividos. É essa a imagem que tenho de ti, a época em que eramos felizes. Por isso te deixei partir, para não sujar a imagem que tinha de ti.

Não te esqueci. Apenas te libertei de um amor a que já não pertencias. Tu voaste nesse céu deixando o rasto da tua felicidade. Eu fiquei aqui plantando as memórias no meu jardim, que apesar de ter menos uma flor continua muito colorido.

Haverá um dia em que vais perceber que nem sempre seguiste o caminho certo. Irás ver então claramente que não era aquele o caminho que devias ter escolhido. Que te enganaste na encruzilhada. Foste levado pela tentação e não soubeste escolher. Olhaste para o céu, mas naquela hora era a estrela errada que te iluminava.

Irás então lembrar-te da nossa história. A história que eu não esqueci. Só que será demasiado tarde para voltares a fazer parte dela. O tempo terá passado. Será um passado de que eu arquivei e nos arquivos do nosso coração não se deve voltar a mexer.

Acredita, que não te esqueci, apenas continuei o meu caminho. 

@angela caboz

A nossa vida poderia ter sido diferente? 

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A nossa vida poderia ter sido diferente?

Claro que sim. Poderíamos não estar aqui agora a chorar, cada qual para seu lado. Poderíamos não estar vertendo rios de lágrimas, que não afogam os nossos erros do passado. Poderíamos não lamentar tudo que deixamos de viver e que não poderemos mudar agora. Por isso, de nada nos adianta gastar o nosso tempo a chorar pelo que fizemos e não podemos corrigir.

Eu errei. Tu erraste. Tu falaste, eu não escutei. Eu pedi a tua atenção e tu espalhaste em mim a solidão. Tu não reparaste na minha tristeza e eu não soube conquistar o teu coração. São as histórias de um passado que nos pertence e que não podemos modificar. Eu tinha tantos sonhos. E tu sempre arranjavas maneira de voar noutro céu.

Hoje dizes-me que a tua vida é um pesadelo.

Então, olha para o passado e vê se me encontras lá chorando por ti. Vê se encontras o pesadelo em que eu vivi. Por certo vais entender o que sentes hoje. E nesse momento, terás o meu perdão. Sei, que vais entender a minha desilusão.

Depois, limpa as lágrimas. Olha em frente e vais ver-me a acenar-te. A enviar-te um beijo com a mão. Será a minha despedida. Sim, eu estou de partida. Vou apanhar boleia do futuro e procurar outra história para viver. Cansei-me de esperar. Cansei-me de te abrir os braços e ficar à espera dos teus abraços que não chegavam.

Não chores o passado, pois ele não volta. Não me mostres a tua revolta. Sabes bem que eu já não estou nessa batalha. Saí antes do duelo final, estava já cansada de lutar. Por isso, agora serás vencedor ou derrotado, dependendo do teu ponto de vista. Quando a tua guerra terminar, eu já não estarei aí. Estarei bem longe de ti. Apenas serei uma pequena marca na tua vida. Pequena mas eterna, jamais te esquecerá que um dia fui tua. Tens o nosso amor tatuado na tua pele. Uma eternidade que não se apaga. Quero que saibas que te amei, mesmo que me tenhas perdido.

Fui sempre a palavra errada na frase que parecia certa. O sorriso tímido de quem não encontrou o amor na estrada que escolheu.

Tudo poderia ter sido diferente? Sim, podia. Mas, a vida quis assim. Fica aqui a minha mensagem eu sigo viagem. Vou procurar a felicidade. Vou procurar quem me saiba amar. Fica com a tua verdade.

@angela caboz

Viver não passa por perder tempo

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Podia desaparecer da tua vida, por um minuto. Podia tentar esquecer-te, durante um dia. Podia prometer que iria partir da tua vida, dentro de um mês. Mas, de que valeriam todos os meus juramentos, se tu sabes que moro dentro de ti há mais de um ano, há mais de uma vida.

Posso dizer-te que vou, mas tu sabes que nem sequer chego a partir. Não aprendi a dizer-te adeus.

A vida só me ensinou a dizer-te “Olá, vim para ficar e não me vais mandar embora”.

Esquecer-te não consta do dicionário que a vida me emprestou, para poder entender aquelas palavras, que por vezes, nos trazem dilemas. E adeus, é uma palavra que eu apaguei desse livro, onde estão anotadas todas as palavras de que preciso para construir a minha felicidade.

Nunca te direi adeus, não gosto de despedidas, já devias saber. Despedidas sabem-me a portas abertas para entrarem feridas. Não gosto de passados relembrados, com gosto a desilusões. Alimento-me de momentos, de dias preenchidos com momentos intensos que me fazem despertar para quem eu sou.

Por isso, te ofereço o meu abraço, para que o nosso amor não tenha prazo, apenas desejo de se repetir a cada minuto, a cada dia, a cada mês que passe por nós sem que reparemos neles. O tempo não nos pertence, ele é filho da vida. Nós apenas lhe vamos dando boleia nesta viagem, em que ele fica a contar quanto tempo já gastou ao nosso lado.

O amor tornou-se um abrigo para as nossas vidas e uma despedida não é algo que se possa encaixar entre nós dois. Eu sei que te pertenço e não duvido que és meu. Não vivemos longe um do outro. Não posso desaparecer, não te posso esquecer. Temos algo mais importante para fazer, precisamos sem demora de viver. Esse sim é o nosso compromisso. Esse é o juramento que fizemos um ao outro.

Viver não passa por perder tempo a pensar no que está a acontecer. A vida é o que acontece enquanto nós perdemos tempo a sonhar. Deixemos que os sonhos sejam a vida e não a deixemos comprometida nas mãos do tempo. Sejamos nós o tempo que temos para viver.

@angela caboz  

Eles acreditam no amor

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Eles continuavam a acreditar no amor. Eles ainda acreditam que o amor pode unir dois corpos, num sentimento que julgam ser único. Acreditam que o amor é divino, que tem a mesma magia da poesia. Que o amor se escreve com gestos que passam para além da fantasia da palavra.

Eles acreditam que o amor pode mudar o mundo. Que pode calar o grito louco da razão que, tantas vezes, nos (des)controla o coração. Que o amor apaga sofrimentos e faz do desejo o seu único alimento.

Eles ainda acreditam que podem os dois escrever um poema, que ninguém saberá ler sozinho. Eles gritam ao mundo que ninguém ama sozinho e o amor deles é pura poesia. É um balde de água fresca numa manhã de Verão e um chá quente numa tarde de Inverno. É chocolate quente numa noite amena de um Outono tardio. Numa noite em que juntos acendem a lareira antes do tempo, só para poderem ficar a ver o fogo que lhes ilumina a paixão que lhes veste o coração e lhes despe os corpos, que sem pudor se amavam ali mesmo.

Eles sabem que poderão ser os últimos a acreditar no amor. Ela sente o calor da mão dele que se perde entre os seus dedos frágeis dela, procurando respostas num olhar meigo de quem quase nada precisa dizer para deixar transparecer a paixão que sente. Ele cala-lhe as dúvidas com um beijo quente, que lhe escreve a poesia do amor nos lábios sedentos de aventura. E ficam ali, perdidos, entre o ontem que lhes trouxe este amor e o amanhã que lhes promete novos sonhos.

São apenas dois resistentes que jamais se darão por vencidos. O amor vive entre eles e nunca é esquecido. Nada prometeram um ao outro. Não fizeram juramentos, nem assinaram compromissos. Não precisam de alianças, nem de assentos de casamento. Não terão que justificar ao mundo aquele amor que lhes pertence. Não sentem necessidade de dar justificações, para emoções que são só deles e que não precisam de partilhar com quem não faz parte da história.

Eles acreditam no amor e procuram pela eternidade, que lhes permita acreditar que nunca conhecerão a separação. O amor existe naquela casa, onde a poesia vive entre eles num espaço apertado de um abraço, que nunca é negado. O abraço que trocam todos os dias ao anoitecer, quando se despedem com um até já, sem que se separem, mas apenas porque deixam que os seus corpos adormeçam por umas horas.

O amor é esse castelo em que eles se tornam réis. Eles acreditam no amor e não há dor que lhes chegue. Estão convictos de que a história deles é muito mais do que um conto de fadas. É mais uma realidade que não receiam viver, porque quem se alimenta de amor jamais pensa em sofrer.

@angela caboz