Ando por aí

Eu ando por aí!

Viajo pelo mundo que não me quer entender.

A vida vai, entretanto, passando, nem sempre com a rapidez que eu desejava. Contrariamente há outras alturas em que é tão rápida que eu nem sequer dou pelas horas a passarem. O certo é que continuo a ter a certeza de que pelo meio vou deixando muito por viver.

Há tantas coisas que me vão passando ao lado, detalhes em que só reparo quando já não posso voltar atrás.

Não sou de pensar muito, no entanto quando me sento no degrau da memória e olho um pouco para trás, vejo tantos momentos que não soube aproveitar. Vejo escolhas que poderiam ter sido ligeiramente diferentes, e essas pequenas diferenças poderiam ter alterado tudo.

Serão só saudosismos de quem tropeçou muitas vezes nos seus próprios pensamentos e que assim acabou por cair aos pés das suas decisões.

Diz, quem sabe mais do que eu sobre a vida, que tinha que ser assim. Sem quedas não se aprende, e só à medida que vamos aprendendo é que vamos subindo os degraus da espiral da vida. Sem quedas não há evolução e quem não evolui não aprende a viver.

Ando por aí!

Provavelmente não tenho tudo o que sonhei, ou talvez tenha sonhado mais do que devia.

Não será ainda tempo para fazer esse balanço. Já tenho muita história vivida, mas ainda me falta muito por viver. Não contesto o que vivi. Não reclamo do passado que me fez sofrer. O que passou já o tempo levou, mas posso sempre continuar a sonhar.

E é verdade que é de sonhos que eu sou feita e enquanto tiver um sonho para sonhar sempre haverá em mim espaço para pedir à vida mais um dia nesta caminhada.

Os sonhos vão-se multiplicando, mas tu tens entrada em todos eles. Tens livre passe para viajares nas ruas do meu mundo, sem que eu tenha de me questionar sobre o que fazes ou vais fazer. Tu andarás por aí por esse universo onde eu também viajo e se a vida assim o permitir um dia haveremos de nos encontrar.

Ando por aí, sem espaço para mais passado. Esse que vou deixando na gaveta da memória, num formato de lembrança, para que sempre exista espaço para mais uma aventura na minha vida.

@angela caboz

Opostos

Ela era sonhadora!

Procurava-se no avesso do sofrimento, para se poder despir de todos os seus lamentos.

Era uma mulher que distribuía amor aos outros. Procurava a emoção de sentir na sua pele um arrepio quente provocado pela tentação de uma paixão correspondida.

Ele estava habituado a espalhar a tentação por onde passava. Costurava promessas de amor com as palavras a que dava cor para atrair as mulheres por quem o seu corpo gritava.

Não conhecia o significado da palavra amor, mas tão somente a inquietação que o desejo lhe provocava, a ponto de não resistir a lançar-se na conquista de quem o seu olhar escolhia.

Ela andou pelas ruas da vida procurando por um sonho colorido e acabou nos braços desse bandido que lhe cantou uma melodia que ela nunca tinha escutado.

Foram uma história inacabada, para a qual a vida não escreveu um final!

Eram almas opostas. Eram corações que nãos se escutaram. Dois corpos que se vestiram com o desejo dele e que não se encontraram nos sonhos dela. Foram uma ilusão que em pouco tempo ficou (des)colorida.

O vento quente dele empurrou para longe toda a fantasia que ela tentou costurar para os (des)tapar quando o seu olhar se perdeu nas curvas dela.

Depois do calor do momento aqueles corpos imperfeitos ouviram as suas almas sábias e perceberam que a paixão tinha gerado um amor intemporal, que a tempestade do destino se encarregou desfazer.

Partiram de uma tentação, que poderia ser uma história nascida num tempo em (in)certo que tropeçou num sentimento que não existia. Uma tentação que ele estava habituado a alimentar, mas a que ela não quis dar asas, preferindo continuar a sonhar sozinha.

Aqueles dois nasceram antes do tempo e viveram histórias que foram interrompidas por acasos que não estavam escritos naquele livro que ela escrevia e que ele não foi capaz de ler, por estar escrito num idioma que ele não entendia.

Eram capítulos de história diferentes e destinos por (re)definir.

@angela caboz

A vida

17353220_1370542309651536_3554964768141478116_n
A vida não são ontens!
A vida é hoje e agora. Essa é uma verdade nua e crua.
A vida é para ser comida à mão sem qualquer formalidade. Só assim ela será uma realidade e não um desperdício.
A vida é a lei do destino. Uma história onde não existem rascunhos. Tudo é uma peça de teatro sem qualquer encenação.
Escuta-me por isso vida, dá-me esse tempo de que tanto preciso para viver este amor, que chegou talvez ainda a tempo, de saciar o coração que estava com fome de amar.
Deixa-me saborear cada segundo desta paixão que me fez descobrir que afinal sou um corpo com vida que ainda sente desejo.
@angela caboz

Vai …

portrait of woman wearing multicolored blouse and beige hat
Photo by Gustavo Almeida on Pexels.com

 

Podias, muito bem, ter partido sem mas explicações porque já tinha compreendido que nunca estiveras ali de alma e coração.

Eu tinha estado sempre sozinha, naqueles meses em que nem os sonhos me faziam companhia. Tinha deixado tudo para trás, até mesmo os meus sonhos, para te poder amar e agora estava ali a chorar. Estava a gastar as minhas últimas lágrimas por alguém que não me merece.

Fica aí, deixa-te ficar na tua história.

Não me digas que voltaste para o teu passado, porque não existe comboio que nos leve de volta para esse tempo e não há porta para que aí possas entrar de novo.

Não te desculpes com o passado, nem digas que apenas vieste espreitar no meu jardim, para te relembrares de como era bom viver com emoções, é que elas um dia podem te fazer falta e nesse passado não as vais encontrar, aí vais apenas ficar amarrado.

Sabes ninguém procura outro telhado se a sua casa for confortável e tu sentias no corpo o frio de não amar. Talvez tenha sido isso que te fez vir até aqui procurar-me, sem nunca teres pensado que me irias fazer sofrer ao iludires-me com este teu falso sentir. E agora como se nada tivesse acontecido queres voltar ao sitio que dizes que sempre te pertenceu.

Sabes quando o lugar onde moramos deixa de nos aquecer o coração já não há nada que nos faça voltar lá. Tu enganaste-me a mim e estás a enganar-te a ti mesmo.

Vai, podes ires embora, mas essa tua volta ao passado é uma história fora de horas, tudo porque não te irás encontrar naquela rua de onde um dia fugiste .

Hoje és outro. (Re)encontraste-te com o amor e nunca mais saberás voltar a viver na escuridão de não amar.

@angela caboz

Chove lá fora!

48407454_972871566233383_4104657947949268992_n

 

Chove lá fora!

Vejo a chuva bater na minha janela e ouço o vento a fustigar as árvores. Está frio e as flores não querem sorrir. Chove lá fora porque uma tempestade anda por aí à solta.

Mas sabes meu amor, também chove cá dentro.

Chovem saudades dentro do meu pobre coração que está aqui oprimido entre o medo e a saudade. Ele tem medo que a tempestade te empurre para outros lados, que te leve de volta ao passado. E eu tenho saudades dos teus abraços, vontade de voltar a ouvir as tuas palavras de amor que me ensinaram como se cura uma dor.

Estou aqui enrolada num cobertor, recordando todas as promessas que me fizeste. O vento da saudade traz-me o som daquelas palavras ternas com que sempre me embalavas antes de dormir. Sinto o cheiro da rosa branca que me prometeste, dizendo que elas se pareciam comigo por serem tão bela e puras quanto a minha alma.

Neste dia frio, olho pela janela e procuro o teu olhar lá fora. Procuro-te no meio do nada, sem saber se voltas ou se fico aqui abandonada, entregue à solidão que sempre me castigou. E na incerteza sobre o que será o futuro, escuto o teu silêncio que não me quer falar. O sofrimento cresce à medida que o pensamento duplica a saudade que dorme aqui mesmo ao meu lado. A saudade é o rosto dos nossos sonhos de futuro que agora são apenas lembranças que andam nas mãos da tempestade que corre lá fora. 

A tempestade empurra-te e eu tento segurar-te, mas sinto que na realidade estou a ficar sem forças, tudo porque sei que estou a lutar sozinha.

Lá fora chove, mas é dentro de mim que a tua ausência alaga a minha esperança de poder ser feliz. O vento do sofrimento é mais forte cá dentro do que lá fora. Ele esvazia tudo o que o teu amor coloria e agora que as noites vão voltar a ser escuras, tão escuras que não irei saber por onde os meus pés andam enquanto caminho ao acaso por esse mundo onde te procuro sem saber onde te encontrar. Esse mundo onde me desencontro e te continuo a amar.

Serei louca, talvez mas é sempre assim que ficam as mulheres que provam a magia de serem amadas e um dia acordam despidas e sem as mãos do seu amante. Assim são as mulheres a quem o amor foge por entre os dedos das mãos dizendo-lhes que vão até ao passado porque deixaram lá algo que lhes pertencia. Loucas são estas mulheres que amam desesperadamente e a quem o amor não as quer. 

Chove lá fora meu amor, mas é no meu coração que mora a dor. A dor que tu não quiseste calar, no momento em que com poucas palavras suicidaste a esperança que ainda me alimentava a possibilidade de ser feliz. 

Sou agora uma moribundo que o mundo vê a andar nas ruas escuras onde nem a chuva quer chegar. O fantasma do sofrimento de que todos fogem e que se vai sentar num beco solitário onde só a lua irá espreitar, dizendo-lhe a sorrir que o amor o voltou a enganar.

E sabes amor, tudo alimenta esta saudade que traz de volta a tua voz. A chuva que me lembra o teu sorriso e o vento que te levou de improviso. Esta paixão que me sufoca pedindo-te que voltes para os meus braços.

Mas não te esqueças meu amor, não te esqueças que partiste e deixaste aqui um pouco de ti. Deixaste aqui tudo o que tu és e que faz falta para me fazer sorrir como uma gaiata apaixonada. 

Eu sei, sei que um dia vais voltar porque ninguém é feliz tentando remendar o passado. Um dia tu vais olhar para o tempo já vivido e vais quer voltar e  a saudade vai-te dizer que eu estou aqui a chorar por ti.
  

@angela caboz

Aprender a amar

31732055_2536031339955708_4635460633800736768_n
É fácil soltar um amo-te a meio de um sonho!
É fácil viajar no mundo dum amor enquanto passeamos as nossas fantasias pelos momentos coloridos em que sorrimos e assistimos a histórias com finais felizes.
É fácil amar quando nada mais precisamos dizer que não seja um amo-te e em que tudo parecer perfeito e feito à medida exacta dos nossos sonhos.
Só que a realidade é um pouco diferente dessa ilusão e só aprendemos a amar quando cortamos as asas à fantasia que não pára de galopar.
Quando olhamos olhos nos olhos do nosso amor e o vemos com a realidade de viver um amor, traduzindo para o nosso idioma todas as emoções que aquele ser que ali está à nossa frente sente.
Aprender a amar é aprender a tocar no corpo de quem amamos e sermos capazes de sentir com a mesma intensidade a dores daquela alma e os desejos daquele coração que do nada começa a bater acelerado só porque está ali à nossa frente à espera de um abraço que lhe complete a vida.
Amar alguém é aprender a tornar realidade as imperfeições de quem amamos e a quem no primeiro olhar só encontrarmos qualidades.
Amar é tornar a imperfeição do outro num dos pilares para segurar a relação. É saber que a nossa fantasia tem uma identidade e já não é só a foto de um corpo perfeito que nos sonhos nos dizia tudo o que queríamos ouvir.
O amor nasce no momento em que quem nos abraça escuta o nosso pensamento e faz daquele amor a sua razão de viver.
Quando nos despimos das ilusões que os sonhos nos deram e entendemos que amar alguém é aprender a vestir as dores e as alegrias do outro para podermos partilhar o mesmo sorriso.
Sonhar com o amor é fácil, mas é na dura realidade da vida que encontramos a magia que o amor traz. Depois de aprendermos a amar nada mais voltará a ser o mesmo. E um simples amo-te passará a ser mais do que um sonho.
@angela caboz
#iloveyou# #amor# #sonhos# #(in)realidades#

Imensidão

woman-3456673_960_720

Trago a imensidão
escondida
num sonho projectado
a partir de desejos encontrados
por entre os espinhos da vida.
São pétalas de flores
por semear
nascidas em terrenos áridos
onde a tristeza não pisou
e a esperança acreditou
na existência de horas felizes
em que viveríamos
tudo o que não procuramos.
Abro
as gavetas da ilusão
e apenas encontro as migalhas
O que restou
das gargalhadas frias
a que o Inverno roubou
o espaço desse abraço
tão sonhado
que seria capaz de dar calor.
São esperanças esquecidas
de (a)braços de quem me fez feliz
sem ter medo do futuro.
@angela caboz

Espero-te ….

86669080_2372691856164247_1646000418955722752_n

 

Lembraste daquele dia em que me vieste dizer adeus, no intervalo de algumas lágrimas que tentavas segurar para eu não as ver a soltarem-se de ti. Foi nesse dia que eu descobri que te amava para lá do tempo que a vida me estava a emprestar.
Foi nesse dia que consegui perceber a dimensão do meu amor por ti. E é verdade que partiste, mas nunca sairás do meu coração.
Podes voltar passados dez anos e eu vou pensar que apenas tinhas saído um pouco, para comprar tabaco. Terei passado todo esse tempo a sonhar com o exacto segundo em que vais voltar a abrir aquela porta gritando “amor cheguei”. E de seguida, sei que me vou levantar deste sofá onde fiquei a ler um dos meus livros preferidos e vou a correr para os teus braços.
Jamais poderei esquecer o som da tua voz, aquela voz rouca que tantas vezes me repetiu a palavra “amo-te”. Então sorrirás para mim e perceberás que continuo a cantar a nossa canção preferida. Os anos terão passado mas o nosso amor continua igual. Nada em nós terá mudado.
Amei-te tanto que no dia que partiste percebei que te tinha começado a amar e então passei a contar as horas que me faltariam para que tu regressasses a casa, como se nunca tiveste partido.
Eu sei que tu vais regressar, porque no teu adeus ficou algo por contar. Aquelas lágrimas escondidas não eram choro de quem se cansou de amar. Eram lágrimas de quem parte sem ter uma explicação e por isso tu voltarás para me dar razão.
Talvez, fique um pouco revoltada no dia em que regressares, talvez tente soltar tudo o que oprimi nestes anos. Posso gritar que já te esqueci, mas serão apenas argumentos de quem quase morreu de saudades tuas, por não ter encontrado uma desculpa certa para justificar a tua partida.

@angela caboz

O amor não é passageiro

 

28577180_807309439468143_4886326399234650904_n

 

Não me parece que existam amores passageiros. Emoções voláteis, sentimentos instantâneos.
Nada existe em nós que aconteça e que de seguida possamos apagar. Não há borrachas capazes de eliminar sentimentos, nem tintas que possam ocultar recordações de momentos que vivemos.
Somos feitos de vivências. De instantes em que partilhamos com outros emoções que nos são comuns. Momentos em que dividimos o nosso desejo com outros desejos que nos procuraram e a quem nós emprestamos os nossos sentimentos.
Não parece que estes voos pelo mundo dos sonhos e pelas estradas da realidade se possam dissipar no ar que respiramos. Que depois possamos afirmar que nada sentimos. Que nada se passou.
A verdade é que em nós ficaram migalhas de tantas alegrias. Alguns pedaços de tristezas. Retalhos de sonhos que ainda queremos viver. Aquela parte de uma tela, chamada vida, que ainda não está concluída.
Portanto nada é passageiro. Haverá sempre em nós os vapores que se vão libertado do tempo que vamos vivendo e que nos acompanham juntamente com as lembranças que ninguém apagará das nossas vidas.
Ninguém rouba recordações. Ninguém queima amores. Ninguém anula sentimentos. Fomos o que fomos no passado e esse é o reflexo da nossa imagem no presente.

@angela caboz

Encontro de almas

50571615_2092038277583615_1020819026525290496_n

 

Ela procurava-o nas ruas movimentadas de uma cidade desconhecida.
Procurava-o no meio de uma multidão, onde todos os rostos lhe pareciam iguais.
Não se lembra se fazia frio, ou se estava um calor abrasador. Não sabe dizer que dia da semana seria, nem sequer se lembra do mês.
Para que se iria ela preocupar com esses pequenos detalhes se o que procurava era um grande amor. Para que iria continuar a pensar em pequenos nadas como aqueles em que se habituara a viver, sem que reparasse nela, se tudo o que sonhava era ter um amor que a amasse pelo que ela não mostrava a ninguém. Que importância poderia ter o clima ou calendário quando tudo o que a movia era o rasto de tudo o que lhe faltava na vida.
Hoje até poderia ser o último dia da história do mundo onde ela vivia. Podia chover de noite e dia. Podiam secar-se todos os rios e até podiam nascer aves nos jardins e flores exóticas no céu.
Nada disso a iria impedir de seguir em frente no rasto da sua intuição que lhe dizia que ele estava próximo. Estava decidida a procurar por todos os recantos naquele dia. Tinha decidido que iria até ao fim do mundo e voltaria, se preciso fosse, por ter a certeza de que iria encontrar o amor.
Os seus pés sabiam que terreno pisava, eles já estavam habituados às feridas que a vida lhes tinha feito, desenhando-lhe cicatrizes que escreviam a sua história. Nada mais ela temia, e por isso, tinha deixado o seu espaço de conforto para procurar algo que lhe pertencia, esse amor que ela ainda desconhecia.
Seguiu por ali, no rasto do amor que lhe acenava de longe, mostrando-lhe onde estava o que lhe faltava. E foi ao encontro desse sentimento que ela partiu. Havia uma ilusão que lhe vestia o coração e com um simples abraço, feito de palavras, com que sempre sonhou, seguiu a sua ilusão e foi por aí.
Deixou no seu canto amordaçada a razão, que tantas as vezes a ensurdeceu, deixando a sua alma louca. Tantas vezes a razão lhe disse que tinha nascido para sofrer e que jamais tocaria no amor. A razão que lhe jurava que o amor não queria nada com ela e que o melhor era acostumar-se ao sofrimento. Insatisfeita ela virou as costa ao certo e partiu rumo ao incerto. Se o destino lhe tinha dito em sonhos que o amor existia e esperava por ela, não seria agora que iria desistir de o encontrar.
Olhou à sua volta e o vento do desconhecido soprava-lhe contra a cara. Havia nuvens de incertezas e ondas de desespero à sua volta. O vento tinha-a arrastado para aquela estrada onde as migalhas de dúvidas lhe cobriam agora os pés.
Olhou à sua volta e a coragem disse-lhe:
– Vai em frente mulher forte, depois de dares o primeiro passo a dor desaparece!
Sim se ali estava e já lhe sentia o cheiro era porque o amor estava cada vez mais próximo dela.
Os rostos pareciam-lhe todos iguais, os corpos eram ligeiramente diferentes. Uns mais altos e outros mais baixos, uns mais gordos e outros demasiado magros.Era tudo uma questão de imagem e não era isso que ela procurava. Ela sabia que a sua intuição não a iria enganar e que quando as suas almas se olhassem nada mais os iria separar.
Deu alguns passos para a direita, depois mais alguns para a esquerda. Caminhou sem sentido pelas largas avenidas da quais nem sequer se lembra do nome. Dormiu ao relento e conversou com a noite, discutiu com a lua e pediu ajuda às estrelas. Perdeu a conta aos dias que se passaram e a fome fez-lhe esquecer muitas das suas agonias.
Procurava um corpo que fosse a imagem perfeita para o amor, um corpo ainda sem nome e sem rosto.
E mais uma vez, a vida a surpreendeu porque foi numa tarde sem sol, enquanto andava distraída por uma rua sem saída que o amor lhe apareceu à frente.
Ficou ali a olha-la enquanto ela dormitava cansada na soleira da porta de uma casa que já não tinha dono. Estava exausta de procura-lo e nem sequer reparou que a vida o tinha plantado ali à sua frente.
Acordou antes da lua ter nascido e os seus olhos verdes perderam-se na intensidade do olhar do amor que a cumprimentou, tal como ela costumava ver nos seus sonhos. Quem estava ali à sua frente não era um desconhecido qualquer, era o amor que ela procurava e que agora a observava surpreendido com a pureza do seu sentir.
Olharam-se sem falar e falaram tudo sem nada dizer. Deixaram que o destino acontecesse, tal qual estava escrito.
Amaram-se ao ritmo do amor que traziam em si desde que se conheciam. Não pensaram na felicidade, apenas quiseram viver aquela realidade.
A história um dia irá dizer se foram ou não felizes para sempre, por agora eles apenas querem viver o amor que tanto procuravam.

 

@angela caboz