Outono

 

 

 

outono.jpgO Outono chegou
Tingiu as folhas das árvores,
que vão ficando despidas.
Há folhas caídas, por este chão que piso.
Há silêncio nas ruas por onde caminho.
Faltam as gargalhadas das crianças.
Faltam as cores
dos sonhos sonhados nas tardes de Verão,
e nas noites em que o calor da ilusão
nos fazia acreditar
que nunca seria Inverno nas nossas vidas.

O Outono chegou,
fechou a porta do calor.
Trancou a janela, por onde saltava o amor.
E a vida, ficou despida ,entregue à solidão.

A flor secou. O silêncio gritou.
A lágrima transforma-se em chuva.
O vento frio traz com ele o medo.
Rouba-nos a coragem.
Faz-se desta estrada o fim da viagem.

A casa está cheia, mas já não é Verão.
A casa está cheia daqueles
que com o tempo também partirão.

E, eu olho-me no espelho e vejo o Outono.
Há rugas no meu rosto
Folhas deste meu viver espalhadas pelo chão.
Há medo naquela face
Memórias de quem já viveu
e hoje se deixa levar pela solidão.

Batem-me na porta.
Deve ser o Inverno. Não vou abrir.
Ainda é cedo para ele chegar.
Ainda não aceitei a chegada do Outono!
Já ele quer entrar.
Que vá dar uma volta e regresse mais tarde.
As minhas gargalhadas ainda não adormeceram
e o Inverno vai mesmo ter que aguardar.

Quero que seja Outono, até o medo me matar.
Quero que seja Outono
Sem nunca me conformar que o tempo um dia vai acabar…

@angela caboz

A vida vive-se agora

10383492_663254917086123_7005448951814345667_n

 

A distância entre nós dois é tão grande que quando me abraças me sinto a viajar entre dois mundos. Navego entre a minha insegurança e o teu medo; fujo dos meus fantasmas e encontro-me com a tua frieza. Quando finalmente os nossos mundos se tocam eu vejo surgir um fogo-de-artifício que desenha no céu escuro corações coloridos, com as cores intensas do nosso amor.

E da distância se faz a proximidade, naquele instante eu sou tua e perco na imensidão do teu abraço que se torna pequeno para a dimensão da minha paixão. Vejo marcas vermelhas do meu bâton espalhadas na tua pele, desenhando o percurso dos meus lábios no labirinto dos músculos do teu corpo.

São pequenas tatuagens feitas com a tinta das emoções que saltam do meu corpo à velocidade do desejo que tu lhes provocas, só por ficares ali imóvel olhando para a minha alma que te recita a poesia dos sentimentos.

Sorris, com aquela malícia de quem sente a felicidade em todos os poros da sua pele, quando sentes as minhas mãos impacientes procurando pelo teu corpo já sem roupa, uma tempestade de sensações demasiado forte que voam na tua direcção.

E tu ficas ali à espera para veres saltar de mim a mulher atrevida e ousada que eu sempre tentei esconder. Aquele pequeno diabinho que mora neste corpo de que tu tanto gostas, e que sabes que sempre aparece depois de tu o teres abraçado.

Tu sabes, sabes que me provocas mais desejo quando ficas à espera de que eu te surpreenda, fazes-me viver a ilusão de não precisar de sonhar, porque a vida se vive daqueles de momentos de felicidade em que tu estás junto de mim.

A vida vive-se agora, agora que te sinto nos meus braços.

 

@angela caboz

Esquina do tempo

48363988_2216920198595730_6098563181876084736_n

 

 

Encontrei o teu abraço na esquina do tempo.

Quando dois braços me trouxeram todo conforto que me faltava. Senti-me a estremecer quando me olhaste e sem uma única palavra me pediste para escutar o que o teu coração tinha para me dizer.
Nessa tarde, o dia esticou-se para além do tempo, e até o gato preto, que vivia escondido no teu quarto, resolveu ir passear para não ter que ouvir os nossos gritos silenciosos.
Nessa tarde, que nunca chegou a ser noite, tu viajaste por tudo o que eu sou e perdeste-te em cada curva, para escutar todas emoções que pediam para ser ouvidas pelas tuas mãos, que andavam perdidas na minha pele arrepiada.
Nesse dia, que já procurei no calendário que o tempo me roubou, aprendi a magia de me sentir amada.
Ali, naquela esquina do tempo a vida deu uma trégua ao meu sofrimento, deixando que o teu amor me fizesse sentir uma princesa. No trono da tua paixão fechei os olhos às minhas dores e deixei que me entregasses o amor com que sempre sonhei.
Já voltei a essa esquina, mas nada lá encontrei, nem sequer as migalhas desse amor que ficou entranhado em mim, quando partiste.
Talvez tenha sido só um sonho e nunca as tuas mãos me tenham tocado.

 

@angela caboz

Amar-te é não dar espaço à saudade

amor10

 

Saudade é mais do que recordar o teu abraço. Ou, lembrar-me do sabor do teu beijo. Saudade é acordar a meio da noite sozinha e sentir-te ali comigo. Não te ver na cama e sentir as tuas mãos à volta da minha cintura.

Saudade é às três da manhã sentir-me perseguida por uma insónia, que me tortura e me rouba o sono. E num acto de loucura, vestir a primeira roupa que encontrar no roupeiro, sem me preocupar se estou bem ou mal vestida. Fechar a porta à pressa, sem verificar se apaguei as luzes, que fui acendendo por onde passei. Entrar sem saber como no carro. Lembrar-me de que nem coloquei perfume, mas a saudade já não dá tempo de volta a casa. Seguir sem rumo certo pelas ruas desertas da cidade, em que os normais dormem o sono da beleza. Enquanto eu, vou para onde a loucura me leva. De repente olhar para o número 10 de uma rua, de que nem sei o nome e saber como estou em frente da tua casa. Olhar para a porta e perceber que tu já a abriste, ainda antes de eu ter chegado. Sair do carro e não fechar a porta, tanta é a urgência em te abraçar.

Saudade é isso, esta urgência de não sentir saudade. A urgência de matar esta vontade de te beijar. Esta vontade de gritar ali mesmo à porta da tua casa que te amo loucamente. Não ter receio de acordar os teus vizinhos a meio da madrugada. Voltarmos juntos para fechar a porta do carro, perdendo a conta ao número de beijos que demos pelo caminho. Regressar ao teu colo, sem ter a noção de ter subido os degraus da escada, por estar distraída com as promessas de amor que te ia fazendo ao ouvido.

Saudade é amarmo-nos no teu quarto, que de repente me parece pequeno demais para o tamanho do nosso amor. Mas que importa isso, se o que quero mesmo é ficar ali no espaço apertado do teu abraço. Ficar ali a escutar o teu coração a bater no meu peito e respirar o teu ar que desenha remoinhos de paixão na minha pele.

Saudade é acordar com o cheiro da tua pele na minha roupa, que está espalhada pela casa. Sentir o perfume do nosso amor por todas as divisões e, quem sabe até no jardim lá fora. Vestir-me com o meu melhor sorriso, descer as escadas descalça, seguindo o cheiro do café que tu estás a preparar para nós dois. Sentar-me à mesa, disfarçando a minha nudez com a flor que coloco no cabelo, a rosa azul, que foste comprar na florista ao final da rua e que me querias oferecer ao pequeno-almoço.

Saudade nunca poderá um sentimento triste, porque ela me lembra que o nosso amor existe.

Saudade é não ter tempo para sentir saudade. É escutar um amo-te, ainda antes de eu ter tempo de sair para trabalhar, com a roupa amarrotada que trouxe ontem. Reparar que as calças não condizem com a camisola e que as sandálias não são o calçado perfeito para uma manhã de Inverno, mas já não me sobrar tempo para passar em casa. E sem alternativa, terei que ir trabalhar com a loucura do amor ainda estampada no meu rosto.

Saudade é receber uma mensagem tua, quando acabo de fechar a porta com um convite para que logo à noite a loucura se repita. Amar-te é isso, é não ter espaço para que existam saudades entre nós dois.

 

@angela caboz

Tens saudades minhas?

girl-4373782_960_720

 

Tens saudades minhas? É isso que o teu amor tem para dizer ao meu coração?

Então diz-me, porque te escondes por entre as teias da saudade. Para que dás asas ao tempo para que eu não me lembre de ti.

Partes e fechas a porta atrás de ti. Não deixas que eu corra na tua direcção. Não deixas rasto na estrada, para que eu te possa seguir. Não fazes sinais de fumo para que eu descubra onde estás.

Tens saudades minhas?

E porque não viras as costas ao mundo, que não te faz sorrir, para vires ao meu encontro. Deixa esse mundo que te prende e não te faz feliz. Deixa de viver amarrado ao tempo que não te permite voares.

Amar não é ter saudades. Amar é suicidar as saudades. Rasgar as lembranças. Apagar as memórias. Amar é pintar desejo na pele de quem amamos. É não dar espaço a outras opções. Amar é viver para o amor.

Se tens saudades minhas, não fiques aí a olhar para a minha foto. Ela é apenas uma tela com a minha imagem. Vem provar o sabor desse sorriso, que te aviva a memória de cada vez que olha para a foto. Vem perder-te nos braços que estão esticados na tua direcção. Não deixes que eles se esqueçam da dimensão do nosso abraço.

Faz o sonho acontecer. Enterra os fantasmas no jardim da tristeza. Vem ter comigo. Eu digo-te ao ouvido como podemos acabar com as tuas saudades.

Sim eu digo-te, mas é segredo. Só pode ser dito ao ouvido. Vem, vamos acabar com as tuas saudades. Vamos viver as nossas realidades.

Sou tua. Ama-me. Sacia o teu desejo de mim. Alimenta-te desse amor que transborda de ti. Serei tua. A tua companheira nessa paixão que te atacou como se fosse uma tempestade. Serei capaz de morrer por ti. De morrer de amor por ti. O amor é isso mesmo. Ser capaz de morrer, só para não te perder.

Sou tua. O amor é tudo o que temos. É esta fome de que sofremos. A minha vida é o sonho de a partilhar contigo. O desejo de que me aqueças nos dias frios e me arrefeças nas noites escaldantes. Sou tua. Sou o vento forte que sopra sobre as tuas emoções. A brisa que te gela o corpo e que te faz implorar pelo calor da minha pele.

Sim, eu sou a eterna tempestade que te atormenta. Sou como que um vulcão. Tudo em mim é mau tempo. A minha alma é um mar revolto, onde as ondas da paixão são o único alimento deste corpo.

E eu, estou grávida do amor que sinto crescer dentro de mim, este furação que chama pelas tuas mãos. É como dar vida a um desejo, que faz bater o teu coração a esse ritmo tão acelerado. Uma paixão que tu não sabes calar e que eu só quero aproveitar.

Tens saudades minhas? Então porque esperas, pára de olhar para a foto. Ganha coragem e viaja até aos meus braços.

A vida não é feita de economias

13886285_1784639338435366_7446476939826205890_n

 

 

A vida não é feita de economias, a vida é feita de excessos. De excessos de tudo o que nos faz ir do zero ou cem. Do que nos ilumina a vida nos dias cinzentos. A vida é feita de tudo o que nos soma felicidade ao que já temos, sem nos preocuparmos com o que nos falta.

A vida não é coleccionar pessoas. Não é mostrar quem somos ou o que não temos. Não é exibir o que não nos pertence. A vida é esbanjar amor com todos os que guardamos no coração, sem fazer contas ao tempo que gastamos com eles. É demonstrar-lhes tudo o que sentimos, sem qualquer receio do mundo.

O amor que distribuímos enriquece-nos e é dessa riqueza que precisamos para sermos felizes. De que vale um cofre de notas e um vazio no coração. A felicidade não se compra e o amor não se paga. Por isso ama e vive, sem pensar que existe tempo.

O que passou é passado e não volta. O amor que viveste ontem apenas te fará sorrir e desejar que o hoje seja ainda melhor, para que o futuro vos receba de braços abertos.

Ama e será milionária. Ama e a leveza da tua alma dar-te-á a ilusão de que estás voar.

@angela caboz

O primeiro amo-te

 

49439941_2265698566974850_858955981315375104_n

 

Quando um dia a palavra “amo-te” escorregou dos meus lábios e trepou na muralha dos teus ouvidos, o mundo lá fora deixou de ter horas. Os ponteiros do relógio deixaram de fazer o seu bailado pelas curvas das horas, e, sol ficou com um brilho tão intenso que cegou todos a sua volta, até a noite parecia ser dia.

Os meus lábios tinham finalmente dado liberdade aos meus sentimentos e o meu sorriso despiu-se de todos os preconceitos e agarrou-se ao teu desejo. A inocência que vivia escondida na minha alma derrubou a enorme muralha do medo e ousou gritar para que o teu coração percebesse que nada mais nos iria separar.

Este “amo-te” era mais do que uma palavra, era a voz do meu coração, o rosto do meu amor. Era mostrar-te que havia um paraíso perdido, para além das muralhas da nossa vida, que até agora nos tinham impedido de ver o horizonte colorido que existia para lá do mundo que nos limitava.

Era segurar na tua mão e convidar-te para caminhar juntos no jardim onde cada flor ao desabrochar sorria para os nossos sentimentos e ver as aves (os pássaros verdes que povoam os teus sonhos) cantar só para nós a sinfonia da paixão.

Dizer-te assim que te amava, com todas as letras, coloriu o meu sorriso e encheu-me o coração. O mundo deixou de ser negro e passou a ter as cores das nossas emoções.

 

@angela caboz

A vida é tudo o que temos

17264474_179034632602210_1618709378433854067_n

 

A vida é essa estrada que não desenhemos.

São todas essas curvas que não sabemos até onde nos irão levar. É essa viagem feita, tantas vezes, de olhos vendados, que não nos deixa ver para além do hoje. 

Uma estrada sinuosa que não tem ouvidos para nos escutar, nem sequer está preocupada com a nossa vontade. Leva-nos até onde ela predestinou e não quer saber da nossa opinião.

A vida, por mais que pensemos o contrário, é um passado lembrado e um futuro agendado. Um presente para ser vivido e um ontem que, por vezes, ainda não foi esquecido. São horas que não chegam para todos os sonhos que temos e anos que pedimos para melhor saborear as ilusões que nos conduzem ao futuro que todos os dias nos batem à porta.

Somos quase tudo o que não deveríamos ser. Sentimos sem olhar. Olhamos sem conhecer.

Sonhamos sem realizar e realizamos sem ter pensado. Fazemos tudo em sentido contrário. Até parece que morremos ainda antes de nascer. 

Quem sabe se o certo não é isso mesmo, começar a vida pelo final.

Renascer a partir da morte, usando tudo o que ela entranhou em nós, para assim podermos ser crianças mais felizes. 

Se pudéssemos pegar nos sonhos que nunca tivemos coragem para viver, construindo com eles realidades que nos fizessem parecermos crianças sorridentes. Aquelas crianças que correm livremente pelos prados verdes, sabendo que chão estão a pisar.

Se pudéssemos apagar uma a uma todas as dores que esta caminhada nos provocou, talvez assim a nossa infância pudesse fazer uma tatuagem certa com todas as veredas por onde haveríamos de passar. Em boa verdade, a vida poderia parecer-nos mais justa se fosse vivida assim, de trás para a frente.

Não seria tão cruel e teríamos tempo para aproveita-la melhor.

A verdade, por mais cruel que nos pareça, é que esta é a única vida que temos para viver.

É um risco feito pelo destino de que não podemos desistir. Uma linha que não podemos pisar, porque o que nos é exigido é que vivamos entre o antes e o depois. Entre uma dor esquecida e um sorriso que está à nossa espera. 

Esta vida, que transportamos no coração, é o alimento para a imaginação que multiplica os sonhos pelos desejos, de modo a fazer nascer emoções que nos obrigam a seguir em frente, por caminhos que serão, ou não, os mais certos.

Por vezes, julgaremos que a vida é uma floresta com veredas verdejantes, onde nos perderemos para contemplar os prados verdes e coloridos onde encontraremos as realidades de tudo o que nos está destinado.

A vida é tudo o que temos, é este lugar onde vivemos.


@angela caboz

Tentei calçar os teus sapatos!

spring-2298279_960_720.jpg

 

Tentei calçar os teus sapatos!

Convidei os teus pés para viajarem comigo pelos sonhos que tinha desenhado à medida exacta do meu coração.

Andei por ali, rondando o chão que pisavas.

Ofereci-me para curar as feridas que tinhas nos pés. Quis arrancar todos os espinhos que a vida te tinha plantado nos pés, julgando-me a enfermeira certa para as tuas dores já envelhecidas e com rugas feitas pelo tempo.

Quis roubar-te do teu mundo para te plantar no meu jardim. Talvez, quem sabe, perfumar-me com o cheiro das tuas rosas e deixar que a cor das minhas ilusões se espalhasse pelo teu corpo sedento de um caloroso amor.
Quis ser o teu amor, sem que tenha entendido que quem caminha neste chão que piso são só os meus pés e que os sonhos que idealizo são frutos das minhas ilusões. Quis ser o teu amor sem entender as tuas regras, nem ouvir as tuas explicações. Quis pertencer-te, sem saber ao certo quem eras.
Tentar calçar sapatos alheios é procurar dores em jardins proibidos. É viajar por estradas sem rumo e tentar encontrar a saída para um beco que não nos irá levar a lado nenhum.
Quis fazer-te meu e acabei com feridas que ninguém poderá curar. Adormeci nos braços desse sonho e despertei no meio de um pesadelo.
Os sonhos tinham sido costurados à medida do meu corpo e tu eras um fato sem medida, que não queria ficar perdido no meio do meu armário. Tu eras um sonho sem as plumas que eu imaginei, porque no teu mundo não existiam sentimentos coloridos, enquanto eu vivia com estas fantasias que me davam luz aos dias demasiado escuros.
Plantei dores nessa estrada estreita e vi murcharem todas as flores que aí fui semeando.
Aprendi que não se ama quem escolhemos, mas sim quem nos tocam com tudo o que queremos.
Aprendi que não se calçam sapatos alheios e que o melhor da vida é caminhar descalço no nosso próprio caminho.

Quis calçar os teus sapatos e acabei com os meus pés feridos.

@angela caboz

Fui feliz

61935611_2047909922171687_6109233718885351424_n

 

Nas ruas estreitas do sonho há sempre lugar para mais uma ilusão apertada, que se esconde no peito de quem procura o avesso de um amor perdido nos becos escuros do tempo. 

Aí nesse espaço sem linhas encontramos sempre lugar para fantasiar uma paixão que nos sorri e promete ajudar-nos  a viver com mais emoção.

Tantas vezes andei por esse mundo que um dia me desencontrei da realidade e julguei que te amava. Deixei que a minha ilusão te encontrasse enquanto eu me perdia de amores por ti. Deixei que o amor gritasse todas as palavras que eu sempre abafei.

Encontrei-te desencontrada e talvez por isso não tenha reparado que aquele não era o comboio que me iria levar rumo ao futuro que me estava prometido. 

Vesti-me com as promessas que me fizeste e não percebi que estava a caminhar nua pelo meio das ruas por onde passava, fazendo com que todos voltasse o seu rosto para reparar naquele fantasma que por ali desfilava. Compreendo agora todos os sorrisos daqueles que comigo se cruzavam.

Eu estava a ser enganada e na minha inocência julgava-me amada.

Senti-te a desenhar desejo na minha pele. 

Ofereci-te a minha ousadia, toda aquela sedução que eu própria desconhecia. 

Adormeci nos teus braços nus, que me abraçaram fazendo-me viajar pelos mares do prazer. 

Senti que o céu tinha descido à terra, naqueles momentos em que um amo-te teu fez iluminar a minha eterna escuridão.

Fui feliz, e essa felicidade tu não me conseguiste roubar. 

Sim, no dia em que partiste levaste contigo muito do que eu descobri, mas a felicidade de me ter sentido amada, essa não levaste. 

Essa memória é tudo o que me faz guardar a imagem do teu rosto e ser capaz de dizer que valeu a pena ter-te amado, para poder descobrir a magia do amor.

Voltaste para o teu mundo colorido, colorido com as mentiras que tu costuras para enganar corações frágeis, como o meu.

Voltaste para o mundo que tu não conheces e que, por isso, dizes que é cruel e levaste contigo a certeza que eu fiquei mais forte depois de ti.

Amar-te foi um presente da vida e perder-te foi uma lição aprendida.

 

@angela caboz