Viver não passa por perder tempo

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Podia desaparecer da tua vida, por um minuto. Podia tentar esquecer-te, durante um dia. Podia prometer que iria partir da tua vida, dentro de um mês. Mas, de que valeriam todos os meus juramentos, se tu sabes que moro dentro de ti há mais de um ano, há mais de uma vida.

Posso dizer-te que vou, mas tu sabes que nem sequer chego a partir. Não aprendi a dizer-te adeus.

A vida só me ensinou a dizer-te “Olá, vim para ficar e não me vais mandar embora”.

Esquecer-te não consta do dicionário que a vida me emprestou, para poder entender aquelas palavras, que por vezes, nos trazem dilemas. E adeus, é uma palavra que eu apaguei desse livro, onde estão anotadas todas as palavras de que preciso para construir a minha felicidade.

Nunca te direi adeus, não gosto de despedidas, já devias saber. Despedidas sabem-me a portas abertas para entrarem feridas. Não gosto de passados relembrados, com gosto a desilusões. Alimento-me de momentos, de dias preenchidos com momentos intensos que me fazem despertar para quem eu sou.

Por isso, te ofereço o meu abraço, para que o nosso amor não tenha prazo, apenas desejo de se repetir a cada minuto, a cada dia, a cada mês que passe por nós sem que reparemos neles. O tempo não nos pertence, ele é filho da vida. Nós apenas lhe vamos dando boleia nesta viagem, em que ele fica a contar quanto tempo já gastou ao nosso lado.

O amor tornou-se um abrigo para as nossas vidas e uma despedida não é algo que se possa encaixar entre nós dois. Eu sei que te pertenço e não duvido que és meu. Não vivemos longe um do outro. Não posso desaparecer, não te posso esquecer. Temos algo mais importante para fazer, precisamos sem demora de viver. Esse sim é o nosso compromisso. Esse é o juramento que fizemos um ao outro.

Viver não passa por perder tempo a pensar no que está a acontecer. A vida é o que acontece enquanto nós perdemos tempo a sonhar. Deixemos que os sonhos sejam a vida e não a deixemos comprometida nas mãos do tempo. Sejamos nós o tempo que temos para viver.

@angela caboz  

Eles acreditam no amor

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Eles continuavam a acreditar no amor. Eles ainda acreditam que o amor pode unir dois corpos, num sentimento que julgam ser único. Acreditam que o amor é divino, que tem a mesma magia da poesia. Que o amor se escreve com gestos que passam para além da fantasia da palavra.

Eles acreditam que o amor pode mudar o mundo. Que pode calar o grito louco da razão que, tantas vezes, nos (des)controla o coração. Que o amor apaga sofrimentos e faz do desejo o seu único alimento.

Eles ainda acreditam que podem os dois escrever um poema, que ninguém saberá ler sozinho. Eles gritam ao mundo que ninguém ama sozinho e o amor deles é pura poesia. É um balde de água fresca numa manhã de Verão e um chá quente numa tarde de Inverno. É chocolate quente numa noite amena de um Outono tardio. Numa noite em que juntos acendem a lareira antes do tempo, só para poderem ficar a ver o fogo que lhes ilumina a paixão que lhes veste o coração e lhes despe os corpos, que sem pudor se amavam ali mesmo.

Eles sabem que poderão ser os últimos a acreditar no amor. Ela sente o calor da mão dele que se perde entre os seus dedos frágeis dela, procurando respostas num olhar meigo de quem quase nada precisa dizer para deixar transparecer a paixão que sente. Ele cala-lhe as dúvidas com um beijo quente, que lhe escreve a poesia do amor nos lábios sedentos de aventura. E ficam ali, perdidos, entre o ontem que lhes trouxe este amor e o amanhã que lhes promete novos sonhos.

São apenas dois resistentes que jamais se darão por vencidos. O amor vive entre eles e nunca é esquecido. Nada prometeram um ao outro. Não fizeram juramentos, nem assinaram compromissos. Não precisam de alianças, nem de assentos de casamento. Não terão que justificar ao mundo aquele amor que lhes pertence. Não sentem necessidade de dar justificações, para emoções que são só deles e que não precisam de partilhar com quem não faz parte da história.

Eles acreditam no amor e procuram pela eternidade, que lhes permita acreditar que nunca conhecerão a separação. O amor existe naquela casa, onde a poesia vive entre eles num espaço apertado de um abraço, que nunca é negado. O abraço que trocam todos os dias ao anoitecer, quando se despedem com um até já, sem que se separem, mas apenas porque deixam que os seus corpos adormeçam por umas horas.

O amor é esse castelo em que eles se tornam réis. Eles acreditam no amor e não há dor que lhes chegue. Estão convictos de que a história deles é muito mais do que um conto de fadas. É mais uma realidade que não receiam viver, porque quem se alimenta de amor jamais pensa em sofrer.

@angela caboz  

Outono

 

 

 

outono.jpgO Outono chegou
Tingiu as folhas das árvores,
que vão ficando despidas.
Há folhas caídas, por este chão que piso.
Há silêncio nas ruas por onde caminho.
Faltam as gargalhadas das crianças.
Faltam as cores
dos sonhos sonhados nas tardes de Verão,
e nas noites em que o calor da ilusão
nos fazia acreditar
que nunca seria Inverno nas nossas vidas.

O Outono chegou,
fechou a porta do calor.
Trancou a janela, por onde saltava o amor.
E a vida, ficou despida ,entregue à solidão.

A flor secou. O silêncio gritou.
A lágrima transforma-se em chuva.
O vento frio traz com ele o medo.
Rouba-nos a coragem.
Faz-se desta estrada o fim da viagem.

A casa está cheia, mas já não é Verão.
A casa está cheia daqueles
que com o tempo também partirão.

E, eu olho-me no espelho e vejo o Outono.
Há rugas no meu rosto
Folhas deste meu viver espalhadas pelo chão.
Há medo naquela face
Memórias de quem já viveu
e hoje se deixa levar pela solidão.

Batem-me na porta.
Deve ser o Inverno. Não vou abrir.
Ainda é cedo para ele chegar.
Ainda não aceitei a chegada do Outono!
Já ele quer entrar.
Que vá dar uma volta e regresse mais tarde.
As minhas gargalhadas ainda não adormeceram
e o Inverno vai mesmo ter que aguardar.

Quero que seja Outono, até o medo me matar.
Quero que seja Outono
Sem nunca me conformar que o tempo um dia vai acabar…

@angela caboz

A vida vive-se agora

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A distância entre nós dois é tão grande que quando me abraças me sinto a viajar entre dois mundos. Navego entre a minha insegurança e o teu medo; fujo dos meus fantasmas e encontro-me com a tua frieza. Quando finalmente os nossos mundos se tocam eu vejo surgir um fogo-de-artifício que desenha no céu escuro corações coloridos, com as cores intensas do nosso amor.

E da distância se faz a proximidade, naquele instante eu sou tua e perco na imensidão do teu abraço que se torna pequeno para a dimensão da minha paixão. Vejo marcas vermelhas do meu bâton espalhadas na tua pele, desenhando o percurso dos meus lábios no labirinto dos músculos do teu corpo.

São pequenas tatuagens feitas com a tinta das emoções que saltam do meu corpo à velocidade do desejo que tu lhes provocas, só por ficares ali imóvel olhando para a minha alma que te recita a poesia dos sentimentos.

Sorris, com aquela malícia de quem sente a felicidade em todos os poros da sua pele, quando sentes as minhas mãos impacientes procurando pelo teu corpo já sem roupa, uma tempestade de sensações demasiado forte que voam na tua direcção.

E tu ficas ali à espera para veres saltar de mim a mulher atrevida e ousada que eu sempre tentei esconder. Aquele pequeno diabinho que mora neste corpo de que tu tanto gostas, e que sabes que sempre aparece depois de tu o teres abraçado.

Tu sabes, sabes que me provocas mais desejo quando ficas à espera de que eu te surpreenda, fazes-me viver a ilusão de não precisar de sonhar, porque a vida se vive daqueles de momentos de felicidade em que tu estás junto de mim.

A vida vive-se agora, agora que te sinto nos meus braços.

 

@angela caboz

Esquina do tempo

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Encontrei o teu abraço na esquina do tempo.

Quando dois braços me trouxeram todo conforto que me faltava. Senti-me a estremecer quando me olhaste e sem uma única palavra me pediste para escutar o que o teu coração tinha para me dizer.
Nessa tarde, o dia esticou-se para além do tempo, e até o gato preto, que vivia escondido no teu quarto, resolveu ir passear para não ter que ouvir os nossos gritos silenciosos.
Nessa tarde, que nunca chegou a ser noite, tu viajaste por tudo o que eu sou e perdeste-te em cada curva, para escutar todas emoções que pediam para ser ouvidas pelas tuas mãos, que andavam perdidas na minha pele arrepiada.
Nesse dia, que já procurei no calendário que o tempo me roubou, aprendi a magia de me sentir amada.
Ali, naquela esquina do tempo a vida deu uma trégua ao meu sofrimento, deixando que o teu amor me fizesse sentir uma princesa. No trono da tua paixão fechei os olhos às minhas dores e deixei que me entregasses o amor com que sempre sonhei.
Já voltei a essa esquina, mas nada lá encontrei, nem sequer as migalhas desse amor que ficou entranhado em mim, quando partiste.
Talvez tenha sido só um sonho e nunca as tuas mãos me tenham tocado.

 

@angela caboz

Amar-te é não dar espaço à saudade

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Saudade é mais do que recordar o teu abraço. Ou, lembrar-me do sabor do teu beijo. Saudade é acordar a meio da noite sozinha e sentir-te ali comigo. Não te ver na cama e sentir as tuas mãos à volta da minha cintura.

Saudade é às três da manhã sentir-me perseguida por uma insónia, que me tortura e me rouba o sono. E num acto de loucura, vestir a primeira roupa que encontrar no roupeiro, sem me preocupar se estou bem ou mal vestida. Fechar a porta à pressa, sem verificar se apaguei as luzes, que fui acendendo por onde passei. Entrar sem saber como no carro. Lembrar-me de que nem coloquei perfume, mas a saudade já não dá tempo de volta a casa. Seguir sem rumo certo pelas ruas desertas da cidade, em que os normais dormem o sono da beleza. Enquanto eu, vou para onde a loucura me leva. De repente olhar para o número 10 de uma rua, de que nem sei o nome e saber como estou em frente da tua casa. Olhar para a porta e perceber que tu já a abriste, ainda antes de eu ter chegado. Sair do carro e não fechar a porta, tanta é a urgência em te abraçar.

Saudade é isso, esta urgência de não sentir saudade. A urgência de matar esta vontade de te beijar. Esta vontade de gritar ali mesmo à porta da tua casa que te amo loucamente. Não ter receio de acordar os teus vizinhos a meio da madrugada. Voltarmos juntos para fechar a porta do carro, perdendo a conta ao número de beijos que demos pelo caminho. Regressar ao teu colo, sem ter a noção de ter subido os degraus da escada, por estar distraída com as promessas de amor que te ia fazendo ao ouvido.

Saudade é amarmo-nos no teu quarto, que de repente me parece pequeno demais para o tamanho do nosso amor. Mas que importa isso, se o que quero mesmo é ficar ali no espaço apertado do teu abraço. Ficar ali a escutar o teu coração a bater no meu peito e respirar o teu ar que desenha remoinhos de paixão na minha pele.

Saudade é acordar com o cheiro da tua pele na minha roupa, que está espalhada pela casa. Sentir o perfume do nosso amor por todas as divisões e, quem sabe até no jardim lá fora. Vestir-me com o meu melhor sorriso, descer as escadas descalça, seguindo o cheiro do café que tu estás a preparar para nós dois. Sentar-me à mesa, disfarçando a minha nudez com a flor que coloco no cabelo, a rosa azul, que foste comprar na florista ao final da rua e que me querias oferecer ao pequeno-almoço.

Saudade nunca poderá um sentimento triste, porque ela me lembra que o nosso amor existe.

Saudade é não ter tempo para sentir saudade. É escutar um amo-te, ainda antes de eu ter tempo de sair para trabalhar, com a roupa amarrotada que trouxe ontem. Reparar que as calças não condizem com a camisola e que as sandálias não são o calçado perfeito para uma manhã de Inverno, mas já não me sobrar tempo para passar em casa. E sem alternativa, terei que ir trabalhar com a loucura do amor ainda estampada no meu rosto.

Saudade é receber uma mensagem tua, quando acabo de fechar a porta com um convite para que logo à noite a loucura se repita. Amar-te é isso, é não ter espaço para que existam saudades entre nós dois.

 

@angela caboz

Tens saudades minhas?

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Tens saudades minhas? É isso que o teu amor tem para dizer ao meu coração?

Então diz-me, porque te escondes por entre as teias da saudade. Para que dás asas ao tempo para que eu não me lembre de ti.

Partes e fechas a porta atrás de ti. Não deixas que eu corra na tua direcção. Não deixas rasto na estrada, para que eu te possa seguir. Não fazes sinais de fumo para que eu descubra onde estás.

Tens saudades minhas?

E porque não viras as costas ao mundo, que não te faz sorrir, para vires ao meu encontro. Deixa esse mundo que te prende e não te faz feliz. Deixa de viver amarrado ao tempo que não te permite voares.

Amar não é ter saudades. Amar é suicidar as saudades. Rasgar as lembranças. Apagar as memórias. Amar é pintar desejo na pele de quem amamos. É não dar espaço a outras opções. Amar é viver para o amor.

Se tens saudades minhas, não fiques aí a olhar para a minha foto. Ela é apenas uma tela com a minha imagem. Vem provar o sabor desse sorriso, que te aviva a memória de cada vez que olha para a foto. Vem perder-te nos braços que estão esticados na tua direcção. Não deixes que eles se esqueçam da dimensão do nosso abraço.

Faz o sonho acontecer. Enterra os fantasmas no jardim da tristeza. Vem ter comigo. Eu digo-te ao ouvido como podemos acabar com as tuas saudades.

Sim eu digo-te, mas é segredo. Só pode ser dito ao ouvido. Vem, vamos acabar com as tuas saudades. Vamos viver as nossas realidades.

Sou tua. Ama-me. Sacia o teu desejo de mim. Alimenta-te desse amor que transborda de ti. Serei tua. A tua companheira nessa paixão que te atacou como se fosse uma tempestade. Serei capaz de morrer por ti. De morrer de amor por ti. O amor é isso mesmo. Ser capaz de morrer, só para não te perder.

Sou tua. O amor é tudo o que temos. É esta fome de que sofremos. A minha vida é o sonho de a partilhar contigo. O desejo de que me aqueças nos dias frios e me arrefeças nas noites escaldantes. Sou tua. Sou o vento forte que sopra sobre as tuas emoções. A brisa que te gela o corpo e que te faz implorar pelo calor da minha pele.

Sim, eu sou a eterna tempestade que te atormenta. Sou como que um vulcão. Tudo em mim é mau tempo. A minha alma é um mar revolto, onde as ondas da paixão são o único alimento deste corpo.

E eu, estou grávida do amor que sinto crescer dentro de mim, este furação que chama pelas tuas mãos. É como dar vida a um desejo, que faz bater o teu coração a esse ritmo tão acelerado. Uma paixão que tu não sabes calar e que eu só quero aproveitar.

Tens saudades minhas? Então porque esperas, pára de olhar para a foto. Ganha coragem e viaja até aos meus braços.

A vida não é feita de economias

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A vida não é feita de economias, a vida é feita de excessos. De excessos de tudo o que nos faz ir do zero ou cem. Do que nos ilumina a vida nos dias cinzentos. A vida é feita de tudo o que nos soma felicidade ao que já temos, sem nos preocuparmos com o que nos falta.

A vida não é coleccionar pessoas. Não é mostrar quem somos ou o que não temos. Não é exibir o que não nos pertence. A vida é esbanjar amor com todos os que guardamos no coração, sem fazer contas ao tempo que gastamos com eles. É demonstrar-lhes tudo o que sentimos, sem qualquer receio do mundo.

O amor que distribuímos enriquece-nos e é dessa riqueza que precisamos para sermos felizes. De que vale um cofre de notas e um vazio no coração. A felicidade não se compra e o amor não se paga. Por isso ama e vive, sem pensar que existe tempo.

O que passou é passado e não volta. O amor que viveste ontem apenas te fará sorrir e desejar que o hoje seja ainda melhor, para que o futuro vos receba de braços abertos.

Ama e será milionária. Ama e a leveza da tua alma dar-te-á a ilusão de que estás voar.

@angela caboz

O primeiro amo-te

 

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Quando um dia a palavra “amo-te” escorregou dos meus lábios e trepou na muralha dos teus ouvidos, o mundo lá fora deixou de ter horas. Os ponteiros do relógio deixaram de fazer o seu bailado pelas curvas das horas, e, sol ficou com um brilho tão intenso que cegou todos a sua volta, até a noite parecia ser dia.

Os meus lábios tinham finalmente dado liberdade aos meus sentimentos e o meu sorriso despiu-se de todos os preconceitos e agarrou-se ao teu desejo. A inocência que vivia escondida na minha alma derrubou a enorme muralha do medo e ousou gritar para que o teu coração percebesse que nada mais nos iria separar.

Este “amo-te” era mais do que uma palavra, era a voz do meu coração, o rosto do meu amor. Era mostrar-te que havia um paraíso perdido, para além das muralhas da nossa vida, que até agora nos tinham impedido de ver o horizonte colorido que existia para lá do mundo que nos limitava.

Era segurar na tua mão e convidar-te para caminhar juntos no jardim onde cada flor ao desabrochar sorria para os nossos sentimentos e ver as aves (os pássaros verdes que povoam os teus sonhos) cantar só para nós a sinfonia da paixão.

Dizer-te assim que te amava, com todas as letras, coloriu o meu sorriso e encheu-me o coração. O mundo deixou de ser negro e passou a ter as cores das nossas emoções.

 

@angela caboz

A vida é tudo o que temos

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A vida é essa estrada que não desenhemos.

São todas essas curvas que não sabemos até onde nos irão levar. É essa viagem feita, tantas vezes, de olhos vendados, que não nos deixa ver para além do hoje. 

Uma estrada sinuosa que não tem ouvidos para nos escutar, nem sequer está preocupada com a nossa vontade. Leva-nos até onde ela predestinou e não quer saber da nossa opinião.

A vida, por mais que pensemos o contrário, é um passado lembrado e um futuro agendado. Um presente para ser vivido e um ontem que, por vezes, ainda não foi esquecido. São horas que não chegam para todos os sonhos que temos e anos que pedimos para melhor saborear as ilusões que nos conduzem ao futuro que todos os dias nos batem à porta.

Somos quase tudo o que não deveríamos ser. Sentimos sem olhar. Olhamos sem conhecer.

Sonhamos sem realizar e realizamos sem ter pensado. Fazemos tudo em sentido contrário. Até parece que morremos ainda antes de nascer. 

Quem sabe se o certo não é isso mesmo, começar a vida pelo final.

Renascer a partir da morte, usando tudo o que ela entranhou em nós, para assim podermos ser crianças mais felizes. 

Se pudéssemos pegar nos sonhos que nunca tivemos coragem para viver, construindo com eles realidades que nos fizessem parecermos crianças sorridentes. Aquelas crianças que correm livremente pelos prados verdes, sabendo que chão estão a pisar.

Se pudéssemos apagar uma a uma todas as dores que esta caminhada nos provocou, talvez assim a nossa infância pudesse fazer uma tatuagem certa com todas as veredas por onde haveríamos de passar. Em boa verdade, a vida poderia parecer-nos mais justa se fosse vivida assim, de trás para a frente.

Não seria tão cruel e teríamos tempo para aproveita-la melhor.

A verdade, por mais cruel que nos pareça, é que esta é a única vida que temos para viver.

É um risco feito pelo destino de que não podemos desistir. Uma linha que não podemos pisar, porque o que nos é exigido é que vivamos entre o antes e o depois. Entre uma dor esquecida e um sorriso que está à nossa espera. 

Esta vida, que transportamos no coração, é o alimento para a imaginação que multiplica os sonhos pelos desejos, de modo a fazer nascer emoções que nos obrigam a seguir em frente, por caminhos que serão, ou não, os mais certos.

Por vezes, julgaremos que a vida é uma floresta com veredas verdejantes, onde nos perderemos para contemplar os prados verdes e coloridos onde encontraremos as realidades de tudo o que nos está destinado.

A vida é tudo o que temos, é este lugar onde vivemos.


@angela caboz